Estudo aponta que doença renal triplica risco de morte por dengue
Pesquisa indica que grupo vulnerável concentra mais internações e casos graves
Pacientes com doença renal crônica enfrentam um risco muito maior ao contrair dengue, segundo estudo baseado em milhões de registros da doença no país. A pesquisa analisou mais de 5,8 milhões de casos confirmados em 2024 e concluiu que esse grupo tem até três vezes mais chance de morrer e duas vezes e meia mais probabilidade de desenvolver formas graves da infecção.
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Mato Grosso do Sul, até 1º de abril, já havia registrado 352 casos, indicando circulação ativa do vírus ainda no início do ano e reforçando a preocupação com pacientes mais vulneráveis.
O levantamento foi conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista, em parceria com a Universidade Federal do Ceará, a partir de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Do total analisado, 30.527 pacientes tinham doença renal crônica, o que permitiu comparar a evolução da dengue entre grupos com e sem a condição.
Enquanto a taxa de morte por dengue na população geral ficou em 0,1%, entre pacientes renais chegou a 2,2%. O índice de dengue grave também foi maior, de 1,6% nesse grupo, contra 0,1% no restante da população. A necessidade de internação seguiu o mesmo padrão, atingindo 14% dos pacientes com doença renal, frente a 4% no conjunto total.
Para evitar distorções, os pesquisadores ajustaram os dados levando em conta fatores como idade, sexo, nível socioeducativo e presença de outras doenças, como hipertensão e diabetes. Mesmo após esse controle, a doença renal crônica continuou aparecendo como fator de risco independente, ou seja, capaz de agravar o quadro por si só.
Além da maior gravidade, os pacientes com doença renal apresentaram com mais frequência sinais clínicos associados a complicações, como náuseas, dor nas costas, dor atrás dos olhos e maior fragilidade capilar, indicativa de risco hemorrágico. Esses sintomas, segundo os autores, podem indicar a necessidade de monitoramento mais rigoroso desde o início do atendimento.
A doença renal crônica é caracterizada pela perda progressiva da função dos rins, responsáveis por filtrar toxinas do organismo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 10% da população mundial convive com a condição, que muitas vezes evolui de forma silenciosa.
Apesar da robustez dos dados, os próprios pesquisadores alertam para possível subnotificação da doença renal nos registros oficiais, já que o sistema depende do preenchimento feito por profissionais de saúde e pode não captar casos mais leves. Isso indica que o impacto real pode ser ainda maior do que o identificado.
Diante dos resultados, o estudo propõe mudanças práticas. Entre elas, a inclusão de pacientes com doença renal crônica como grupo prioritário para vacinação contra dengue e maior atenção nos protocolos clínicos de atendimento. Atualmente, esses pacientes não estão automaticamente classificados entre os principais grupos de risco em todos os fluxos assistenciais.


