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Capital

Ruas "fantasma", com apelidos ou vários nomes complicam quem vem de fora

Via Parque e Norte Sul, por exemplo, não são os nomes reais de duas das principais vias de Campo Grande

Por Fernanda Palheta e Geniffer Valeriano | 20/04/2026 13:40
Ruas "fantasma", com apelidos ou vários nomes complicam quem vem de fora
Placa indica trecho em que a Via Park é denominada Avenida Nelly Martins (Foto: Osmar Veiga)

Chegar à Via Parque e à Norte Sul não é difícil para quem conhece Campo Grande. As avenidas que conectam regiões importantes da Capital já estão catalogadas no mapa coletivo da população. Porém, pode parecer estranho, mas oficialmente elas não existem. A primeira se divide em 3 nomes e a segunda sempre foi Ernesto Geisel e depois ganhou prolongamentos foi rebatizada em dois trechos.

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Avenidas conhecidas popularmente como Via Park e Norte Sul, em Campo Grande, possuem nomes oficiais distintos dos apelidos usados pelos moradores. A Via Park reúne denominações como Avenida Nelly Martins e Rua Professor Luiz Alexandre de Oliveira, enquanto a Norte Sul abrange três nomes oficiais em 18 quilômetros. A pluralidade de denominações gera confusão entre moradores e prestadores de serviço, que preferem os apelidos por serem mais reconhecidos.

A cidade também tem ruas fantasmas, que sumiram do mapa depois de obras de urbanização e o fim dos trilhos que cortaram os bairros. No Santo Antônio, por exemplo, houve um tempo que uma das ruas se chamava "Ceará", o que até hoje provoca um confusão tremenda com uma das principais vias da Capital.

"Todo entregador vem batendo aqui e é lá no centro. O pessoal vê bastante GPS, chega aqui. Isso vem de quando passava trilho antigamente aqui, aí tinha essa rua Ceará, depois que tirou o trilho que duplicou a Duque de Caxias e ficou", ensina Hudson Rocha, de 35 anos, gerente de estacionamento na Avenida Duque de Caxias.

Ruas "fantasma", com apelidos ou vários nomes complicam quem vem de fora
No GPS, ao digitar 'Rua Ceará" o que aparece é um endereço que já nem existe no Bairro Santo Antônio"

Na região norte de Campo Grande, a Via Park é famosa, nasce ao lado do Parque do Sóter, no Bairro Mata do Jacinto, como Rua Salsa Parrilha. Este nome segue por cerca de quatro quarteirões. No cruzamento com a Rua Rio Negro, a via ganha seu nome principal: Avenida Nelly Martins, em homenagem à ex-primeira-dama de Mato Grosso do Sul. A denominação segue por 2,2 quilômetros, até a rotatória da Avenida Mato Grosso.

Mas, antes disso, o trecho já carregou outras histórias. O segmento de aproximadamente 600 metros, entre a Rua Giocondo e a Rua Naviraí, na Vila Giocondo Orsi, era Rua Juliana. Na mesma altura, mas no sentido contrário, o quarteirão entre as ruas Henrique Aragão e Mário de Andrade, na Vila Polonês, já foi Rua José Rosa Camargo. Os nomes deixaram de existir em 2011 e 2012, quando o senador e então prefeito Nelsinho Trad (PSD) sancionou a troca de nomes para manter a unidade da via.

Apesar da atualização, o que conhecemos como Via Park ainda carrega mais uma história. No trecho entre a Avenida Mato Grosso e a Afonso Pena, o que se chamava Rua Rio Prosa se tornou Rua Professor Luiz Alexandre de Oliveira. O nome foi oficializado em 1999, por uma lei assinada pelo então prefeito André Puccinelli (MDB).

Ruas "fantasma", com apelidos ou vários nomes complicam quem vem de fora
Após a rotatória da Avenida Mato Grosso a Via Park ganha o nome de Rua Professor Luiz Alexandre de Oliveira (Foto: Osmar Veiga)

Luiz Alexandre de Oliveira foi um homem negro e deficiente visual que atuou como professor; foi diretor da Escola Visconde de Cairu, mantida pela Colônia Japonesa de Campo Grande; proprietário do Colégio "Osvaldo Cruz", além de deputado estadual e vice-prefeito de Campo Grande.

Para o morador da região, Tomaz Pereira, de 19 anos, a pluralidade de nomes não é um problema. "Eu não costumo olhar os nomes das ruas, vou sempre pelo mesmo caminho. Mas acredito que faz sentido as ruas grandes terem mais de um nome para ajudar a localizar", disse.

Já para Jhulyani Araújo, de 22 anos, o resultado é contrário, e ela convive com a confusão que mais de um nome de rua pode gerar. Ela mora no Parque dos Novos Estados. A Rua Salim Felício se confunde com a Rua Marquês de Leão, que é continuação da Avenida Panamericana. "Acho que ter mais de um nome na rua é ruim porque as pessoas podem confundir e fica difícil de encontrar. Na casa da minha mãe, a gente tem que ir resgatar ou ligar para explicar, porque quem não conhece acaba se perdendo", afirmou.

A história se repete em outra ponta da cidade. A Norte Sul tem três nomes oficiais ao longo de 18 quilômetros. O nome do presidente do Brasil na ditadura militar, entre 1974 e 1979, Ernesto Geisel, é o mais antigo e a principal referência da via. Os prolongamentos são homenagens ao prefeito de Campo Grande entre 1982 e 1983, Heráclito José Diniz de Figueiredo, e ao vereador da Capital entre 1964 e 1974, Thyrson de Almeida. As denominações foram oficializadas em 2010 e 2007, respectivamente.

Ruas "fantasma", com apelidos ou vários nomes complicam quem vem de fora
Ao longo de 18 quilômetros, a Norte Sul tem três nomes: Heráclito José Diniz de Figueiredo, Ernesto Geisel e Thyrson de Almeida (Foto: Geniffer Valeriano)

A denominação Norte Sul não tem registro oficial; vem de uma convenção social, provavelmente inspirada na geografia, já que a via liga as duas regiões de Campo Grande. O apelido divide o reconhecimento com o que está nas placas. É o que explica o dono de uma oficina mecânica localizada às margens do Rio Anhanduí, Wevergton Cavalcante, de 35 anos. Segundo ele, as pessoas não chegam pedindo informações sobre a Avenida Norte Sul, mas o apelido sempre surge nas conversas dos clientes quando estão citando a região.

Confusão – Não são apenas "apelidos" que causam confusão. As vias que carregam mais de um nome atrapalham o dia a dia dos moradores. É o caso da Avenida Prefeito Lúdio Martins Coelho, no Tijuca. No cruzamento com a Rua Tenente Antônio João Ribeiro, a via tem três nomes: além do prefeito, ainda é chamada de Rua Praia Grande e Rua Doutora Nasri Siufi.

A comerciante Neuza Barros, de 55 anos, contou que a mudança ocorreu há cerca de seis anos. "Antigamente era só a Praia Grande. Aí depois virou Nasri Siufi. Já faz tempo". Para evitar a confusão, ela ignora a mudança. "O pessoal da entrega, eles encontram melhor como Praia Grande", completou.

Outro nome que gera confusões é o da Avenida Gunter Hans, que antigamente se chamava Marechal Deodoro. Na teoria, o sentido bairro-centro da via é Marechal Deodoro; o oposto, Gunter Hans.

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