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Campo Grande, Domingo, 20 de Outubro de 2019

18/09/2019 12:53

O sentido da vida

Por Heitor Freire (*)

Um dos temas que mais me intrigam é o significado do sentido da vida. Assim, me vejo constantemente pensando nisso e no que pode representar para mim e para a minha evolução. Cheguei à conclusão, por exemplo, que o fato de existir a morte é uma demonstração clara da sabedoria de Deus. Porque se assim não fosse, seríamos eternos em nossa encarnação, o que representaria uma continuidade que, naturalmente, poderia nos levar a adiar tudo e nos tornarmos preguiçosos. Seria um desastre.

Pesquisando sobre essa temática acabei descobrindo o psiquiatra vienense Viktor Frankl (1905 – 1997). Ele fundou a logoterapia, uma abordagem terapêutica que ficou conhecida como “a terceira escola de psicologia de Viena”. A primeira escola de psicologia foi a de Sigmund Freud; a segunda, de Alfred Adler. Freud definia o homem como um ser orientado para o prazer. Adler, como um ser dirigido para o poder. Frankl entendia o homem como um ser voltado para o significado da vida.

A vontade do sentido não procura alcançar o poder nem o prazer, nem sequer a felicidade. Seu foco é o encontro de um propósito, uma razão para viver.

A logoterapia tornou-se um método de tratamento estudado e respeitado pela comunidade científica e acadêmica. Na logoterapia, as conquistas fazem referência ao sentido, ao significado, a algo que o ser humano busca sempre diante das circunstâncias do destino. Ela propõe buscar um sentido nas situações que causam dor, transformando essa dor em oportunidade de crescimento por meio da vivência dos valores, dando assim a chance de se viver uma vida plena. Ou seja, a meu ver, devemos aprender que nada acontece por acaso, e o que acontece deve ser utilizado como ferramenta de crescimento e de superação.

A vida de Frankl foi plena de situações extremas. Ele soube superar todos os sofrimentos, o que acabou fundamentando sua logoterapia pela sua própria experiência.

Filho de uma família de classe média judia austríaca, teve uma infância feliz. Na adolescência antes de ingressar na faculdade de medicina, já escrevera o que seria uma introdução ao seu projeto futuro e de toda a sua vida, muito bem recebido pelo meio universitário.

No começo da Segunda Guerra Mundial, seu irmão mais velho, Walter, foi preso pelos nazistas e enviado para um campo de concentração. Sua irmã Stella fugiu para o México. Ele obteve então um visto para entrar nos Estados Unidos, mas seus pais já eram idosos e ele decidiu que não poderia abandoná-los, por isso permaneceu na Áustria.

Em 1941, Frankl casou-se com Tilly Grosser. Os nazistas a forçaram a abortar a criança que eles estavam esperando. Em 1942, Frankl, sua esposa e seus pais foram conduzidos a um campo de concentração. No ano seguinte seu pai morreu de fome. Em 1944, o casal Frankl foi transferido para Auschwitz, o pior campo de concentração criado pelos nazistas. Lá, ele foi separado de Tilly e nunca mais a viu.

Esse período difícil e angustiante de confinamento e de trabalhos forçados provocou grandes reflexões em Viktor Frankl. Ele conseguiu sobreviver e em 1945 foi libertado pelos americanos. Sua mãe havia morrido no ano anterior na câmara de gás. Frankl perdeu toda a sua família.

Um pouco antes do Natal de 1945, ele sentiu um impulso incontrolável: precisava registrar o que tinha vivido e aprendido nos campos de concentração. Contratou três secretárias e começou a ditar tudo o que lhe vinha à mente, enquanto elas tomavam notas. Foram nove dias de trabalho intenso. Assim nasceu sua maior obra: “Em busca do sentido”. Traduzido em quase todos os idiomas, é considerada uma obra prima. Ele não fez um relato das crueldades que sofreu e testemunhou, porque seu objetivo era enviar uma mensagem para o mundo: “Eu só queria transmitir ao leitor, através de um exemplo concreto, que a vida tem um significado potencial em todas as condições, mesmo nas mais miseráveis”.

Frankl conseguiu reconstruir sua vida. Casou-se novamente em 1947. Seu casamento durou 50 anos, até sua morte em 1997. Recebeu mais de 40 títulos de doutor honoris causa. Publicou mais 30 livros. Foi professor nas universidades de maior prestígio do mundo: Stanford, Harvard e Viena. Morreu em 1997, aos 92 anos, pouco depois de fazer seu primeiro voo como piloto amador.

Deixou um legado que vai perpetuar seu nome e sua vida para sempre, porque conseguiu sobreviver ao holocausto aplicando em si mesmo sua tese, provando que o ser humano é potencialmente capaz de superar suas dificuldades.

Por fim, uma frase de Viktor Frankl que resume sua linha de pensamento:

Nós podemos descobrir o significado da vida de três diferentes maneiras: fazendo alguma coisa, experimentando um valor ou o amor, e sofrendo.

Percebo que Jesus foi precursor da logoterapia, porque Ele nos ensinou com seus atos, com seu amor e sublimando seu sofrimento.

(*) Heitor Rodrigues Freire é corretor de imóveis e advogado.

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