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Casos de dengue aumentam, mas MS apresenta queda de 49% em relação a 2021

Atualmente, a capital sul-matogrossense é a cidade do Estado com mais notificações, mas a incidência é baixa

Por Lucia Morel e Paulo Francis | 19/04/2022 17:05
Trabalho minucioso procura por larvas até em ralos e com ajuda de lanterna. (Foto: Paulo Francis)
Trabalho minucioso procura por larvas até em ralos e com ajuda de lanterna. (Foto: Paulo Francis)

Com cerca de 4 mil casos notificados de dengue em Mato Grosso do Sul e três mortes de janeiro até agora, a doença começou a “dar as caras” meio tarde, com aumento expressivo apenas entre o final de março de agora. Na Capital, para se ter uma ideia, foram 942 casos notificados no mês passado, contra 805 do mesmo mês do ano passado.

Em todo Estado, a última semana de março também foi a mais intensa na quantidade de notificações e entre 27 de março e 2 de abril (13ª semana epidemiológica), foram 596 casos registrados contra 498 do ano passado. Ao todo, MS tem cerca de 4 mil notificações e a Capital responde por metade delas.

Esse número não configura epidemia e está bem abaixo do que tem sido registrado nos estados vizinhos, onde conforme o Ministério da Saúde, a incidência está muito alta. Para se ter uma ideia, o último boletim nacional sobre a doença, que levou em conta dados até 9 de abril, indicavam 122,3 mil notificações no Centro-Oeste, mas desses, apenas 3,6 mil eram de MS. Esse total é 49% menor que o mesmo período do ano passado.

Fonte: Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde/Semana 14/2022
Fonte: Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde/Semana 14/2022

Atualmente, a capital sul-matogrossense é a cidade do Estado com mais casos, no entanto, a incidência em relação à quantidade populacional é baixa. As maiores incidências são em São Gabriel do Oeste, Aparecida do Taboado, Amambai, Inocência e Ribas do Rio Pardo.

A superintendente de Vigilância em Saúde do município, Veruska Lahdo, explica que Campo Grande, bem como o Estado, tiveram duas epidemias seguidas de dengue entre os anos de 2019 e 2020, o que corrobora para os baixos números de agora.

“O município não está em epidemia, porque tivemos duas consecuitvas em 2019 e em 2020 com a dengue tipo 2. Em 2021 e este ano está predominando a dengue tipo 1, mas ainda está tranquilo, apesar de termos percebido um aumentom que pode sinalizar uma epidemia mais pra frente, quem sabe entre novembro e dezembro”, comentou.

O risco de uma epidemia agora é baixo, porque nos meses mais frios o mosquito Aedes aegypty diminui sua circulação. No entanto, o número de casos pode aumentar até maio, segundo Veruska, diminuindo a partir de junho.

“A dengue começou a aparecer quase no final do ciclo sazonal, houve o aumento, mas ainda dentro do limiar epidêmico e não chega a ser uma epidemia. Mesmo assim, já vimos fazendo controle, com comunicado epidemiológico às unidades sobre a importância da notoficação”, afirmou.

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Sobre superlotação nas unidades de saúde, a superintendente explica que as amostras de sangue colhidas para análise laboratorial identificaram aumento de casos da doença. “O paciente com dengue demanda muito da unidade, porque ele tem que ir de quatro a cinco vezes durante o tratamento para tirar sangue, tomar soro, porque pé um paciente que debilita muito. Apesar disso, o movimento ainda está normal”, ressalta.

Nos bairros – Na Vila Nhanhá, o autônomo Jean Rodrigo, de 29 anos, foi um dos moradores visitados por equipe da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) de combate ao Aedes aegypti esta tarde. Entre as ações, foi feita verificação dos ralos, vasos de plantas e água acumulada. Em casos necessários, é usado larvicida.

“Tem bastante planta aqui, mas a gente cuida, porque temos nossas crianças. Os vasos são com furo para não acumular água, colocamos as coisas de cabeça para baixo. E mesmo cuisando acontece, mas a gente não pode relaxar”, comentou, dizendo que queria inclusive que o fumacê passasse mais vezes. No entanto, esse tipo de serviço só ocorre se o número de casos no bairro estiver muito grande.

Na última semana de março houve pico de casos notificados em MS. (Foto: Reprodução boletim estadual)
Na última semana de março houve pico de casos notificados em MS. (Foto: Reprodução boletim estadual)

Também moradora da região, Dorecina Queiroz, 81 anos, conta que já teve dengue duas vezes e que não deixa a água das plantas ficar mais de três dias parada. “Tenho medo de pegar a doença de novo, por isso tem que cuidar a ajudar o trabalho dos agentes”, comentou.

Feito a cada dois meses, o úlimo LIRAa (Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti) de Campo Grande, realizado em março, indicou 10 bairros com maior incidência do mosquito e suas larvas, sendo eles: José Abrão/Vila Cox, Vila Nasser, Jardim Azaleia, Vida Nova, São Francisco, Cruzeiro/Autonomista, Mário Covas, Aero Rancho I e IV e Jardim Antártica.

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