MS reduz homicídios de jovens, mas taxa ainda é de 31 por 100 mil
Levantamento mostra que pessoas de 15 a 29 anos seguem entre as principais vítimas da violência no País
Mato Grosso do Sul registrou taxa de 31,4 homicídios de jovens por 100 mil habitantes em 2024, índice abaixo da média nacional, que ficou em 42,2 mortes por 100 mil jovens. Os dados são do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados nesta terça-feira (26) na nova edição do Atlas da Violência 2026.
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O levantamento considera jovens de 15 a 29 anos e mostra que Mato Grosso do Sul apresentou redução de 11,1% nas mortes violentas dessa faixa etária entre 2023 e 2024, quando foram registrados 225 e 200 casos, respectivamente. No recorte de uma década, entre 2014 e 2024, a queda acumulada no estado foi de 37,9%. Em 2014, foram registradas 322 mortes, contra 200 em 2024.
Apesar da redução, os dados reforçam que a juventude continua sendo um dos grupos mais vulneráveis à violência letal no país. Em 2024, os jovens representaram 46,5% de todas as vítimas de homicídio no Brasil.
Em Mato Grosso do Sul, casos recentes reforçam o cenário de violência entre jovens. Um adolescente de 16 anos foi morto a tiros na noite de domingo (24), no Jardim Canaã V, em Dourados, no Sul do Estado. Segundo o boletim de ocorrência, a vítima estava no quintal de casa quando dois homens em uma motocicleta se aproximaram e fizeram disparos de revólver.
Segundo o Atlas da Violência, 19.801 jovens foram assassinados no país apenas no ano passado, média de 54 mortes por dia. Considerando os chamados homicídios ocultos, casos não identificados oficialmente como assassinatos, a taxa nacional sobe de 42,2 para 46,1 homicídios por 100 mil jovens.
O estudo aponta ainda que, entre 2014 e 2024, 301.825 jovens brasileiros morreram em decorrência de homicídios, o equivalente a cerca de 75 mortes por dia ao longo do período. Em Mato Grosso do Sul, no mesmo período, morreram 2.563 jovens entre 15 e 29 anos.
Perfil dos jovens - O Atlas destaca que a violência letal de jovens no Brasil é predominantemente masculina. Do total de jovens assassinados em 2024, 18.545 eram homens. A taxa nacional de homicídios entre homens jovens chegou a 78 mortes por 100 mil habitantes, quase o dobro da taxa geral.
De acordo com o Atlas da Violência, esse cenário está fortemente associado a fatores estruturais e culturais. O estudo aponta que normas de masculinidade que incentivam a exposição de homens jovens ao risco e naturalizam a agressividade como característica masculina contribuem para a elevada letalidade desse grupo. O relatório destaca ainda que ignorar essas construções sociais reduz significativamente a eficácia das estratégias de prevenção da violência.
Os pesquisadores defendem que o enfrentamento desse padrão passa pela promoção, desde a infância e no ambiente escolar, de formas não violentas de resolução de conflitos como estratégia central para interromper o ciclo da violência.
A pesquisa também ressalta que a violência não pode ser analisada apenas sob a perspectiva de sexo. Segundo o estudo, fatores como raça, condição socioeconômica e território influenciam diretamente os índices de homicídios, especialmente nas periferias urbanas e em regiões de maior vulnerabilidade social.
Ainda conforme o levantamento, trata-se de um fenômeno espacialmente concentrado, com maiores taxas de violência letal nas regiões historicamente mais pobres do Norte e Nordeste. Em contrapartida, os estados das regiões Sul e Sudeste apresentam, em geral, índices mais baixos de homicídios entre jovens.
Dados nacionais - O Atlas da Violência também aponta diferenças expressivas entre os estados brasileiros. A menor taxa de homicídios de jovens em 2024 foi registrada em São Paulo, com 10,7 mortes por 100 mil habitantes. Já a Bahia apresentou o maior índice do país, com 114,7 homicídios por 100 mil jovens.
Entre os Estados que mais reduziram a letalidade juvenil na última década estão o Distrito Federal, com queda de 79,6%, Goiás, com redução de 67,8%, e novamente São Paulo, com diminuição de 58%.
Por outro lado, algumas unidades da federação registraram aumento nos índices de homicídios de jovens entre 2014 e 2024, como Amapá (+45,2%), Pernambuco (+7,5%) e Bahia (+6,4%).
Além das mortes, o relatório alerta para os impactos sociais e econômicos da violência juvenil. Segundo o estudo, a perda precoce de jovens afeta famílias, redes de apoio e aprofunda ciclos de pobreza e exclusão social, especialmente em territórios vulneráveis.
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