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MS registra surtos de coronavírus e mantém alerta em usinas e indústrias

Se a média de casos confirmados se mantiver, em uma semana, MS apresentará 2,4 mil infectados pela covid-19

Por Lucia Morel | 30/05/2020 11:46
Unidade da JBS em Dourados, cidade que tem o segundo maior número de casos de covid-19 em MS. (Foto: Helio de Freitas)
Unidade da JBS em Dourados, cidade que tem o segundo maior número de casos de covid-19 em MS. (Foto: Helio de Freitas)

Os casos de novo coronavírus em Mato Grosso do Sul apresentaram salto expressivo nas últimas duas semanas e a quantidades de confirmações da doença tem dobrado a cada uma semana. Os dados de hoje da SES (Secretaria Municipal de Saúde) indicam 1.418 pessoas infectadas desde o começo da pandemia e 19 mortes por covid-19.

Ainda assim, felizmente, o quadro é dos mais controlados do Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde, que elenca MS como sendo o último em número de casos acumulados em todo País, entre as 27 unidades federativas. Mesmo assim, revela o aumento exponencial.

Foto: Reprodução Boletim Ministério da Saúde
Foto: Reprodução Boletim Ministério da Saúde

Segundo a infectologista e assessora técnica do COE (Comitê de Operações de Emergência) da SES, Mariana Croda, o Estado vive surtos do novo coronavírus em localidades específicas e apesar do aumento expressivo, é difícil projetar para quanto esses casos devem aumentar nos próximos dias.

Usando a matemática simples, estima-se que ao final da próxima semana, Mato Grosso do Sul deverá apresentar cerca de 2,4 mil casos, se a média de casos atual for mantida até lá. O número poderá ser maior ou menor dependendo dos dados reais.

Para chegar a esse total previsto, leva-se em conta que entre a sábado da semana passada, quando havia 858 casos confirmados e hoje, quando a quantidade chegou a 1.418, o aumento foi de 1,7 vez. Multiplicando o total atual por 1,7, chega-se aos 2,4 mil previstos.

Para Croda, no entanto, essa projeção é falha diante dos quadros esporádicos de casos apresentados no Estado, já que os surtos acontecem e costumam ser controlados em pouco tempo, através das medidas restritivas de isolamento e mesmo lockdown, como ocorreu em Guia Lopes da Laguna ou Brasilândia.

“É difícil projetar esse aumento dentro desse cenário, sem uma transmissão comunitária intensa em Mato Grosso do Sul”, sustenta, ressaltando que atualmente, como mostrou aqui o Campo Grande News, Dourados parece estar caminhando para se tornar o epicentro dos casos da doença em MS.

Alertas – A especialista lembra que em Brasilândia, onde duas pessoas morreram, o surto foi familiar e os dados oficiais indicam 15 casos na cidade, sem aumento desde a semana passada.

Já em Guia Lopes da Laguna, casos começaram em frigorífico, que acabou sendo fechado por determinado período. Caminhoneiro que fez descarga no local, acabou contaminando mais pessoas e hoje, a cidade está com 230 confirmações da doença.

No entanto, as contaminações têm apresentado queda dia a dia, ao contrário de Dourados, onde caso também em frigorífico, se espalhou pela região, e fez crescer o número de infectados de 102 para os atuais 260 em uma semana.

Com isso, a SES coloca esse ramo de atividade em alerta, já que as condições de trabalho desses locais facilitam a propagação do vírus, mesmo com as medidas de biossegurança e sanitárias sendo adotadas.

De acordo com Mariana, além de atividade em câmara frias, que são espaços fechados e haver aglomerações e grande circulação de pessoas tanto no transporte de funcionários quanto nas dependências da empresa, o fato do JBS/Seara manter 4 mil empregados de 17 municípios da região é o mais grave, quando se considera a covid-19.

“Mesmo os locais (frigoríficos) tendo planos de biossegurança, o coronavírus ainda tem muitas lacunas em sua compreensão e não daria para imaginar que alguns locais poderiam ser mais arriscados para se trabalhar que em outros”, diz a médica, que compara inclusive que as atividades em frigoríficos talvez sejam mais arriscadas que as dos profissionais de saúde, que atuam na linha de frente do combate à doença.

Além de frigoríficos, usinas hidrelétricas e grandes indústrias, como de celulose em Três Lagoas, são as áreas de maior temor das autoridades em saúde de MS. “Onde há circulação grande de pessoas, caminhoneiros descarregando insumos e muito vai-e-vem os riscos são maiores”, aponta.

Por fim, ela lembra que no caso de Dourados, o governo do Estado vai doar testes à JBS para que todos os 4 mil funcionários sejam testados e a empresa, por sua vez, vai doar respiradores ao governo. Leia aqui.

“Diante dessas ações, caso não haja condições de controle, aí então pensaremos em medidas mais rígidas”, afirma.