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Cidades

Na Capital, 5 mil não voltaram para 2ª dose da vacina contra covid

Para convencer as pessoas a completarem imunização, prefeitura aposta em mensagens via aplicativo

Por Guilherme Correia | 23/06/2021 13:21
Mulher deixa ponto de imunização contra a covid em Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Mulher deixa ponto de imunização contra a covid em Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Mais de 36 mil sul-mato-grossenses não tomaram a 2ª dose de vacina da Coronavac e estão atrasados no calendário vacinal contra a covid-19. Cerca de 5 mil são apenas de Campo Grande, que aposta no envio de mensagens via aplicativo de celular para buscar esse público.

A Capital já realiza levantamento de vacinação em atraso por meio da Atenção Primária do município, que envolve, por exemplo, as UBS (Unidade Básica de Sáude) ou UBSF (Unidade Básica de Saúde da Família).

Além disso, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública) informa que sistema de envio de mensagens através do aplicativo WhatsApp foi implantado para convocar as pessoas com dose em atraso, "reforçando a necessidade da conclusão do ciclo vacinal".

Levantamento feito pela reportagem, com base em dados do Ministério da Saúde sobre vacinação contra a covid, constatou que 36.372 pessoas tomaram apenas 1ª dose até 26 de maio e não receberam a 2ª aplicação, o que as deixaria fora do período estipulado em bula, que é de duas a quatro semanas de intervalo entre as doses.

Municípios como Dourados (4,2 mil pessoas com dose atrasada), Aquidauana (2,5 mil), Amambai (2,1 mil) e Miranda (1,6 mil) seguem no topo da lista com mais pessoas não imunizadas totalmente. Para conferir a lista completa de cidades apurada pelo Campo Grande News, clique nesta tabela.

Esses casos, contudo, não acontecem apenas pelo não comparecimento das pessoas no ponto de imunização. Em alguns momentos da campanha de vacinação, não havia vacinas para completar as duas doses seja por falta de envio do governo federal quanto pelo não armazenamento dos municípios.

A aposentada Selvina Ximenes, de 64 anos, tomou as duas doses com intervalo de 43 dias, caracterizando atraso de quase duas semanas. Ela relata que não precisou ser avisada à época para receber o imunizante, já que viu informativo divulgado pela Sesau e foi o quanto antes tomar a vacina. "Mas fiquei em dúvida se estou imunizada ou não. Me disseram que 'pode tomar depois que passar os 28 dias' mas não especificam qual o tempo".

Ainda asism, vale ressaltar que especialistas indicam tomar vacina fora do prazo, o que também já foi recomendado pelo Ministério da Saúde, ao invés de ficar sem a 2ª dose. Ainda assim, não há estudos clínicos que indiquem com precisão se a imunização deve piorar com esse atraso.

O secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, acredita que o percentual de pessoas vacinados que deixam de tomar a 2ª dose é baixo, o que influenciaria pouco na campanha de imunização.

Além disso, ele diz que o governo estadual tem campanhas para buscar pessoas que não tomaram o reforço da vacina, mas não chegou a especificá-las. A reportagem verificou alguns informativos nas redes sociais oficiais, pedindo que a população volte para a nova dose. "Estamos fazendo campanha para que todo mundo volte. Estava faltando vacina pra segunda dose, conseguimos um adicional de vacinas e aí retornarmos".

Procurada, a SES (Secretaria Estadual de Saúde) não especificou quais estratégias têm sido tomadas por parte do Estado para orientar a população, nem quais orientações são feitas aos municípios. É importante ressaltar que cada cidade tem a responsabilidade de realizar essa busca ativa para evitar pacientes com vacinação atrasada.

No caso de Campo Grande, a Sesau diz adotar "estratégia de manter calendários exclusivos para aplicação da dose de reforço mobilizando toda a estrutura disponível para vacinação", divulgando da mesma forma informes sobre a importância da realização da 2ª dose.

Por fim, foi garantido também que está sendo feita "análise mais detalhada", considerando que muitos pacientes que tomaram a 1ª dose em pontos de imunização da Capital podem ser de outros municípios sul-mato-grossenses.

Escassez de vacina - Governo federal deverá encaminhar nesta quinta-feira (24) mais de 100 mil doses de vacina, das patentes Coronavac, Pfizer e Janssen - estas que ainda não foram definidos para qual público serão destinados.

Neste momento, segundo Resende, as vacinas fabricadas pelo Instituto Butantan serão indicadas para dar continuidade à 1ª dose mas com recomendação para reservar quantitativo do reforço. "As vacina da Coronavac serão distribuídas para fazer a 1ª dose e para que os municípios reservem já a 2ª dose".

Em coletiva, ele disse que as prefeituras terão de respeitar o calendário vacinal para garantir maior eficácia contra casos de covid-19. "Havendo responsabilidade dos prefeitos, prefeitas, secretários e secretárias de Saúde em não avançarem na aplicação de 1ª dose com aquilo que está reservado para a 2ª, porque pode faltar lá na frente".

A quantidade exata que cada município receberá deve ser definida junto aos municípios em reunião extraordinária da CIB (Comissão Intergestores Bipartite) e publicada em Diário Oficial do Estado.

Mato Grosso do Sul aplicou mais de 1,4 milhão de vacinas desde janeiro deste ano, contemplando 38,5% da população com apenas uma dose e quase 15% com as duas doses.

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