Polícia Científica cria protocolo para atendimento a familiares de desaparecidos
Os servidores das unidades de medicina legal serão treinados para a aplicação do procedimento

A PCi-MS (Polícia Científica de Mato Grosso do Sul) padronizou o atendimento às famílias que buscam pessoas desaparecidas. Informações sobre as vestimentas, características físicas, último horário e local onde a pessoa foi vista, fotografias e contatos de familiares passam a integrar o fluxo para evitar que dados importantes se percam ao longo da busca.
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O procedimento também indica como ouvir, registrar dados e fazer encaminhamentos que podem auxiliar os processos de identificação humana, além de verificar a existência de boletim de ocorrência de desaparecimento. Quando o registro ainda não tiver sido feito, a equipe deve encaminhar a família à Polícia Civil.
Em alguns casos, poderá haver orientação para coleta de material biológico de familiares, que pode subsidiar futuros exames de DNA em processos de identificação humana.
Ainda de acordo com o protocolo, o atendimento deve ser feito com privacidade, linguagem clara e atenção ao estado emocional da família. A orientação busca evitar que expressões usadas com boa intenção produzam efeito contrário em quem procura uma resposta.
Os procedimentos se aplicam ao Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), em Campo Grande, e aos 14 Núcleos Regionais de Medicina Legal.
Na prática, o POP (Procedimento Operacional Padrão) organiza o atendimento de familiares de pessoas desaparecidas e de pessoas que buscam informações sobre corpos não identificados ou não reclamados.
O agente de Polícia Científica, Vicente Luis Bacelar Barros, foi quem elaborou o procedimento. “Tudo que a família quer é encontrar a pessoa. Ela quer colocar um ponto final, ter direito ao luto. Quando não há uma resposta naquele momento, é preciso registrar as informações, orientar os encaminhamentos possíveis e manter essa família informada dentro do fluxo institucional”.
O coordenador-geral de Perícias da PCi-MS, Nelson Fermino Junior, destaca o alcance da medida no atendimento à população.
“O familiar que procura uma unidade de medicina legal precisa encontrar o mesmo padrão de orientação, esteja ele em Campo Grande ou em um Núcleo Regional. Um dado colhido de forma incompleta pode dificultar consultas futuras. Por isso, o POP organiza o atendimento desde o primeiro contato”, pontuou.
Os servidores das unidades de medicina legal serão treinados para a aplicação do procedimento, abordando a escuta dos familiares, o preenchimento dos registros, o cuidado com a linguagem e a necessidade de retorno sobre os encaminhamentos adotados.
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