PF aponta envolvimento de Willer Tomaz em propina de R$ 40 mi no caso Eldorado
Advogado amigo de Flávio Bolsonaro negociou parecer no MPF em ação envolvendo indústria em Três Lagoas
Alvo de um imbróglio judicial no passado, a Eldorado Brasil, indústria de celulose em Três Lagoas (MS), foi citada nas investigações da PF (Polícia Federal) sobre o advogado Willer Tomaz, acusado de acertar propina de R$ 40 milhões com um interlocutor ligado à Paper Excellence por um parecer favorável no MPF (Ministério Público Federal).
RESUMO
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A Polícia Federal investiga o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro, suspeito de articular propina de US$ 7,5 milhões, cerca de R$ 40 milhões, por parecer favorável do Ministério Público Federal no STJ, em disputa entre a Paper Excellence e a J&F pelo controle da Eldorado Brasil, de Três Lagoas (MS). Segundo mensagens, ele receberia R$ 10 milhões. A relatora, ministra Nancy Andrighi, decidiu a favor da J&F, que recomprou a fatia da Paper em maio de 2025.
Segundo informações apuradas pela coluna de Natália Portinari, no UOL, o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL), articulou o pagamento de US$ 7,5 milhões (cerca de R$ 40 milhões) para obter um parecer favorável do MPF no STJ (Superior Tribunal de Justiça) na disputa travada entre a Paper Excellence e a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, pelo controle da Eldorado.
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A coluna aponta que mensagens obtidas pela PF mostram que o próprio advogado teria direito a R$ 10 milhões desse montante.
Em 2017, a J&F acertou a venda total da Eldorado à Paper Excellence pelo valor de R$ 15 bilhões, com a compra inicial de 49,41% das ações. A Paper é controlada pela família indonésia Wijaya e atua no país por meio da CA Investment.
Após o acordo inicial, a J&F não concluiu a transferência do controle acionário alegando descumprimento de cláusulas contratuais, dando início a uma batalha judicial que só se encerrou em maio de 2025, quando as empresas firmaram um acordo e a J&F recomprou a participação da Paper por US$ 2,7 bilhões.

Decisão favorável à Paper – Em 2021, uma câmara arbitral deu ganho de causa à Paper e determinou a conclusão da venda. A J&F recorreu à Justiça de São Paulo para tentar anular a arbitragem e o caso subiu ao STJ.
Para tentar influenciar a análise do processo na corte superior, em 2024, Willer Tomaz enviou a Marc Dhabi, interlocutor ligado à Paper, um parecer do subprocurador-geral da República (hoje aposentado) Antônio Carlos Simões Soares (citado como "AC" nas mensagens) favorável à Paper, no mesmo dia em que o documento foi protocolado no STJ.
A empresa Difusora Comunicação, pertencente a Willer Tomaz, recebeu R$ 12,3 milhões (correspondentes a R$ 10 milhões líquidos). No mesmo dia, o procurador Soares assinou o parecer contra a liminar favorável à J&F. Após recusas de emissão de notas fiscais simuladas por serviços de mídia ou táxi aéreo, a contratação de Tomaz foi formalizada por meio da offshore Zunway Limited para ocultar sua ligação formal com o caso nos autos.
No STJ, a relatora do processo, ministra Nancy Andrighi, desconsiderou a orientação do parecer do MPF e decidiu favoravelmente à J&F. Meses depois, em maio de 2025, a J&F e a Paper Excellence fecharam o acordo definitivo que devolveu o controle total da fábrica aos irmãos Batista.
Suspeita de espionagem - Outra ação envolvendo o imbróglio entre a Paper e a J&F investigava suspeita de espionagem relacionada à Eldorado Brasil.
De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, a investigação sobre possível hackeamento de sistemas para obtenção indevida de aproximadamente 70 mil e-mails teria acontecido em 2019, período em que a J&F enfrentava a Paper Excellence.
O inquérito se estendeu por quase sete anos, mas acabou sem acusação formal. O MPF entendeu que as evidências digitais reunidas ao longo da apuração não são confiáveis, apontando falhas na preservação e rastreabilidade dos dados desde o início das apurações.


