Plano contra promotor liga infiltrados do PCC a Mijão, condenado em MS
Traficante condenado em Ivinhema foi apontado no envolvimento do plano de execução de Amauri Silveira Filho
A prisão de três suspeitos de atuarem como infiltrados do PCC (Primeiro Comando da Capital) em Campinas (SP), na manhã desta terça-feira (9), tem ligação com Mato Grosso do Sul. A operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) mira o plano para matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, descoberto e frustrado em 2025, e envolve Sérgio Luiz de Freitas Filho, o “Mijão” ou “Xixi”, traficante condenado em Ivinhema.
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“Mijão” já havia sido apontado como um dos envolvidos no plano contra o promotor do Gaeco. Ele é citado pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) como uma das principais lideranças do PCC em atividade fora dos presídios. Em MS, foi condenado por tráfico interestadual de drogas após ser identificado como dono de uma carga de cocaína apreendida em Amandina, distrito de Ivinhema.
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Segundo acusação apresentada pelo MPF (Ministério Público Federal), a carga tinha 58 quilos de cocaína e foi apreendida em 4 de novembro de 2013 pela PMR (Polícia Militar Rodoviária). A droga era transportada em um Hyundai Veracruz e, conforme a denúncia, abasteceria pontos de venda do PCC em São Paulo.
Em abril de 2023, Sérgio Luiz de Freitas Filho foi condenado pela 1ª Vara de Ivinhema a 8 anos e 2 meses de reclusão, em regime fechado. A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), mas a pena foi mantida em decisão da desembargadora Elizabete Anache.
A operação desta terça-feira cumpriu 3 mandados de prisão temporária, sendo 2 em Campinas e 1 em Cardoso (SP), ambos os municípios paulistas. Além disso, a operação cumpriu 10 mandados de busca e apreensão.
Como os alvos incluem integrantes e ex-integrantes das forças de segurança, a ação contou com apoio do 1º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), das corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal, além da Comissão de Prerrogativas da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), acionada para acompanhar buscas em escritório de advocacia.
Segundo a investigação citada pela Folha, um dos principais acusados de executar o plano contra o promotor teria se reunido com o então chefe de investigadores da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Campinas uma semana antes da Operação Pronta Resposta, deflagrada em agosto de 2025 para impedir o atentado. Vídeos apreendidos mostrariam o encontro.
O Gaeco apura se informações sigilosas e sensíveis foram repassadas ao criminoso. A suspeita é de que agentes e ex-agentes públicos tenham usado cargos ou acessos institucionais para beneficiar integrantes da facção.
A investigação também aponta que um ex-estagiário do MP (Ministério Público) teria se infiltrado em uma Promotoria Criminal de Campinas (SP) para acessar bancos de dados e identificar criminosos com alto poder econômico. Depois, segundo os investigadores, ele cobraria dinheiro em troca de suposta proteção em apurações.
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