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Cidades

Três alvos da operação que prendeu 16 já deixaram a prisão

Geancarlo Leal de Freitas, Joatan Gomes Peixoto e Jessyca Duarte Burgatt tiveram a preventiva revogada

Por Lucia Morel | 17/07/2026 15:52
Três alvos da operação que prendeu 16 já deixaram a prisão
Olívia Paroschi Jafar sendo presa no dia da operação. (Foto: Juliano Almeida)

De 16 presos na Operação Gutenberg, que investiga grupo criminoso que troca preferência na fila de procedimentos do SUS (Sistema Único de Saúde) por contratos milionários com a Editora Avante, três já estão em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica: Geancarlo Leal de Freitas, Joatan Gomes Peixoto e Jessyca Duarte Burgatt.

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Três dos 16 presos na Operação Gutenberg foram liberados com tornozeleira eletrônica: Geancarlo Leal de Freitas, Joatan Gomes Peixoto e Jessyca Duarte Burgatt. A operação investiga um esquema que trocava preferência em filas do SUS por contratos milionários com a Editora Avante. Os três atuavam como intermediários financeiros. Outros 12 permanecem presos e um investigado está foragido.

Todos eles, conforme investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), receberam valores, servindo como intermediários dos pagamentos entre a Editora Avante e integrantes do esquema. Na maioria das vezes, eles emprestaram suas contas bancárias para despistar quem seria o verdadeiro recebedor da quantia.

Sobre Geancarlo, o advogado dele, Tiago Bunning, afirmou que os esclarecimentos prestados pela defesa durante a investigação levaram o próprio Ministério Público a concordar com a revogação da prisão.

“Esclarecemos os fatos ao Gaeco e o próprio Ministério Público proferiu parecer favorável ao nosso pedido. Geancarlo não praticou nenhum crime. Ele foi preso apenas por ser servidor público municipal em Dourados. O cargo ocupado por ele é de fiscal de obras particulares e não tem nenhuma relação com os fatos investigados. Geancarlo é servidor há 26 anos, nunca foi investigado ou processado, não conhece nenhum dos investigados nem as empresas investigadas. Por isso sua prisão foi revogada”.

Em relação a Joatan, foi concedida prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. De acordo com o dispositivo da decisão, Joatan ficará submetido ao monitoramento eletrônico por 180 dias, além de outras medidas cautelares. Para o advogado André Stuart, a decisão judicial foi acertada. “Melhor que um posicionamento, é a decisão. Um senhor com certa idade, com filha especial e esposa adoentada de forma grave, são motivos mais que justos para uma prisão domiciliar”.

Já Jessyca foi autorizada a cumprir prisão domiciliar para permanecer com o filho de 1 ano de idade.

Continuam presos Rossana Paroschi Jafar, Rhayane Souza Fanaia, Giovanni Paroschi Jafar, Olívia Paroschi Jafar, Felipe Paroschi Jafar, Francisco Anizio dos Santos, Ed Carlo Britto Burgatt, Gabriel Taquino de Paula, Matheus Oliveira Peixoto, Douglas Henrique Melo, Paulo Rogério de Melo, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior. Já Heyder Bartz é considerado foragido.

Quem é quem

Geancarlo Leal de Freitas: aparece na relação de investigados mas, no relatório do Gaeco, não há descrição de transferência bancária, contrato, conversa ou outra conduta específica atribuída a ele.

Joatan Gomes Peixoto passou a figurar como sócio-administrador da Editora Avante após alteração societária registrada na Receita Federal. A análise bancária aponta que ele recebeu R$ 521.360,91 da empresa. No sentido contrário, a editora recebeu R$ 307.160 enviados por Joatan. O relatório também registra repasses a ele realizados nos dias seguintes ao recebimento de recursos públicos pela empresa. Mas o Gaeco ressalta que ele não tinha autonomia para fazer divisão de recursos.

Jessyca Duarte Burgatt é identificada como filha do ex-chefe de regulação da Saúde do Estado, Ed Carlo Britto Burgatt, apontado como um dos principais elos entre prefeituras e editora. Em 2 de agosto de 2022, no mesmo dia em que a Editora Avante recebeu mais de R$ 1 milhão da Prefeitura de Miranda, Jessyca recebeu duas transferências da empresa, que somaram R$ 52 mil, e repassou R$ 50 mil ao pai. O relatório também aponta depósitos recorrentes em dinheiro na conta dela, alguns sem origem identificada e realizados depois de a editora receber recursos públicos ou fazer saques. Durante o período analisado, Jessyca teria realizado 548 saques, no total de R$ 441.782

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