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Cidades

Desmascarado, Tio Trutis é preso com arma em operação sobre “atentado fake”

PF colocou 50 agentes nas ruas de Campo Grande e Brasília para levantar provas contra deputado federal sobre "ataque forjado"

Por Anahi Zurutuza e Paula Maciulevicius Brasil | 12/11/2020 09:27
Imagem publicada pelo parlamentar em rede social, em fevereiro deste ano, mostra carro com marcas de tiros (Foto: Reprodução do Facebook)
Imagem publicada pelo parlamentar em rede social, em fevereiro deste ano, mostra carro com marcas de tiros (Foto: Reprodução do Facebook)

Alvo de mandado de busca e apreensão, o deputado federal Loester Carlos, o Tio Trutis (PSL-MS), está preso por suspeita de posse ilegal de arma de fogo, crime previsto no artigo 12 da Lei nº 10.826/2003. A informação foi confirmada por fonte do Campo Grande News. 

Um advogado, que não revelou o nome, mas admitiu representar o parlamentar, chegou há pouco na Superintendência da PF em Campo Grande. Afirmou que só fala com a imprensa depois que ver o cliente.

Conduzido, o deputado deve prestar esclarecimentos nesta manhã. Pode ser ouvido e liberado, sob pena de ter de pagar fiança ou não.

Advogado não disse o nome, mas chegou à PF para acompanhar Trutis (Foto: Paula Maciulevicius Brasil)
Advogado não disse o nome, mas chegou à PF para acompanhar Trutis (Foto: Paula Maciulevicius Brasil)

A operação - A Polícia Federal colocou 50 agentes nas ruas de Campo Grande e Brasília (DF), nesta quinta-feira (12), em investigação sobre "suposto atentado", como classificou, sofrido pelo deputado federal.

Os mandados foram expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), situação que só ocorre quando algum alvo tem foro privilegiado, como é o caso de parlamentares federais, por exemplo. Isso já indicava que o próprio Loester poderia ser o alvo.

Segundo a PF, a ação foi batizada Tracker, "rastreador" em inglês, porque “faz referência ao intenso trabalho investigativo realizado pela Polícia Federal em busca de provas para a completa elucidação dos fatos e identificação dos autores”.

A operação, informa nota da Polícia Federal, "tem como foco suposto atentado a deputado federal ocorrido no início do ano".

O Campo Grande News já havia publicado mais cedo que o parlamentar estava na Superintendência da PF em Campo Grande.

Naquele dia, deputado postou nota em rede social e desmarcou compromissos (Foto: Reprodução/Facebook)
Naquele dia, deputado postou nota em rede social e desmarcou compromissos (Foto: Reprodução/Facebook)

A denúncia - No dia 16 de fevereiro deste ano, um domingo, Trutis publicou no Facebook, por volta das 9h, que ele e sua equipe haviam sofrido atentado à caminho de Sidrolândia - distante 70 quilômetros de Campo Grande. O parlamentar alegou ter sido vítima de emboscada e narrou que revidou o ataque.

“O carro em que estavam foi alvejado por, no mínimo, 5 disparos”, dizia a nota divulgada na rede  social.

A imagem anexada à postagem mostra um carro Toyota Corolla preto com vidros estilhaçados e marcas de bala. “O deputado conseguiu revidar o ataque. Apesar da emboscada, todos estão bem e sem ferimentos”, continuava comunicado.

Loester Carlos contou que acionou o Bope (Batalhão de Operações Especiais), que levou o deputado até Polícia Federal de Campo Grande, onde ele fez a denúncia.

Loester é conhecido por defender posse de armas. (Foto: Divulgação)
Loester é conhecido por defender posse de armas. (Foto: Divulgação)

Armamentista - Em seus perfis no Instagram e Facebook, Loester Carlos se define como “armamentista”. Ele fala abertamente sobre o tema e compõe a Frente Parlamentar Armamentista na Câmara.

O deputado é, inclusive, um CAC (Colecionador, Atirador e Caçador). Em entrevista ao podcast “Do lado direito do peito”, do jornal Folha de S. Paulo, disse ter 9 armas em sua coleção - limite imposto pela legislação -, uma longa, calibre 12, e mais oito pistolas.

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