Voo sob ponte pode configurar atentado à segurança aérea, diz Polícia Civil
Caso é analisado pela Dracco e, se confirmada, pode configurar crime
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul abriu investigação para apurar o voo de um avião de pequeno porte que passou por baixo da ponte internacional em construção sobre o Rio Paraguai, na região de Porto Murtinho, colocando dezenas de trabalhadores em risco.
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Nesta terça-feira (21), a delegada Ana Cláudia Medina, do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), afirmou ao Campo Grande News que o caso já está sob análise da especializada, diante da gravidade da manobra registrada em vídeos e áudios.
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“Dracco informa que os fatos estão sendo analisados com a devida cautela e rigor técnico, já que tais condutas, se confirmadas, configuram atentado à segurança de voo, tipificando como crime qualquer ação que coloque em risco a segurança do transporte aéreo, de terceiros ou da coletividade”, declarou a delegada.
A investigação não trata apenas de uma manobra arriscada ou de exibicionismo aéreo, mas da suspeita de conduta que pode ter colocado em risco a segurança do voo, os passageiros, os trabalhadores da obra e a coletividade.
Medina também ressaltou que voos em desacordo com normas de segurança aeronáutica, principalmente em áreas urbanas ou perto de estruturas como pontes, criam risco concreto à vida e ao patrimônio, o que exige apuração técnica especializada.
“É importante destacar que voos em desacordo com as normas de segurança aeronáutica, especialmente em áreas urbanas ou próximas a estruturas como pontes, podem gerar risco concreto à vida, à integridade física de pessoas e ao patrimônio público e privado e demandam apuração técnica e especializada que inclusive estão dentro das competências apuratórias”, completou.
O caso - Viralizou nas redes sociais o vídeo de um avião de pequeno porte que fez o voo rasante e passou por baixo da ponte da Rota Bioceânica, ainda em obras, enquanto ao menos 78 operários trabalhavam na estrutura. Em uma das gravações, feitas de dentro do próprio avião, é possível ouvir vozes femininas dizendo “olha a ponte” no momento da passagem.
Até agora, a identidade do piloto não foi confirmada oficialmente, embora a aeronave apareça com prefixo iniciado por “PT”, padrão de registro brasileiro. Também não há qualquer informação sobre autorização especial para esse tipo de manobra, o que pesa contra a legalidade do voo.
O episódio já havia provocado reação entre os responsáveis pela obra. Em mensagens enviadas a autoridades, o engenheiro civil paraguaio Renê Gomez, que coordena a construção, classificou a manobra como irresponsável e afirmou que o caso havia sido denunciado. Segundo ele, o voo colocou em risco direto tanto os trabalhadores quanto a própria estrutura.
A ponte sobre o Rio Paraguai é uma das principais obras da Rota e vive uma fase decisiva. Iniciada em 2022 e financiada pela Itaipu Binacional, a estrutura está na etapa final, com o chamado “beijo das aduelas”, encontro das duas partes no centro do rio, previsto para o fim de maio. Isso significa operação intensa, equipamentos pesados em atividade e grande circulação de trabalhadores no local.
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