Advogado e chefe de cartório são condenados por envolvimento com o PCC
Bruno Ghizzi e Rodrigo Corrêa foram alvos da operação Courrier e podem recorrer em liberdade
A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou o advogado Bruno Ghizzi, o detento Edimar da Silva Santana e o chefe de cartório Rodrigo Pereira da Silva Corrêa, por envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Os três foram alvos da operação Courrier, que investigou a “Sintonia dos Gravatas”, grupo de advogados a serviço da facção criminosa.
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A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou três pessoas por envolvimento com o PCC: o advogado Bruno Ghizzi, o detento Edimar da Silva Santana e o chefe de cartório Rodrigo Pereira da Silva Corrêa. Os réus foram alvos da operação Courrier, que investigou a "Sintonia dos Gravatas", grupo de advogados que prestava serviços à facção criminosa. As penas variam de 4 a 5 anos de reclusão. Bruno e Rodrigo poderão recorrer em liberdade, enquanto Edimar permanecerá detido. Outros quatro acusados foram absolvidos por falta de provas. A operação, deflagrada em março de 2022, cumpriu 38 mandados judiciais em diferentes cidades do estado.
O processo corre em sigilo, mas a sentença foi publicada no Diário da Justiça desta sexta-feira (27). De acordo com a decisão, Bruno foi condenado a 4 anos, 10 meses e 10 dias de reclusão. A investigação apontou que ele utilizava a função de advogado para acessar internos no sistema prisional e atuar como intermediador de informações entre integrantes de organização criminosa, prejudicando investigações.
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Já Edimar, o “Arqueiro do PCC”, que cumpria pena em regime fechado à época dos fatos, foi condenado a 5 anos, 8 meses e 1 dia de reclusão. A Justiça considerou agravante o fato de ele ter cometido o crime enquanto já estava preso.
O servidor do Judiciário Rodrigo, que atuava como chefe de cartório em vara de execuções penais, foi sentenciado a 4 anos, 10 meses e 10 dias de reclusão. Conforme a sentença, ele repassava informações sigilosas a integrantes do grupo criminoso, utilizando-se da função de confiança.
Apesar das condenações, Bruno e Rodrigo poderão recorrer em liberdade, por serem réus primários e não haver fatos novos que justifiquem a prisão preventiva. Já Edimar teve a manutenção da detenção.
Na mesma decisão, a Justiça absolveu outros quatro acusados por falta de provas ou ausência de comprovação de participação nos crimes. Foram absolvidos Douglas Silva Fonseca, Inaiza Herradon Ferreira, Paula Tatiane Monezzi e Ed Carlos Rodrigues Dias.
A sentença também determina a expedição de mandados de prisão contra Bruno e Rodrigo após o trânsito em julgado, além da comunicação da condenação a órgãos como a Justiça Eleitoral e a OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil - seccional Mato Grosso do Sul), que suspendeu o advogado por um ano na semana passada.
No caso de Rodrigo, a decisão será encaminhada ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul para eventual perda do cargo, conforme previsto na legislação. Já em relação ao advogado condenado, a Ordem dos Advogados do Brasil será comunicada sobre o caso.
O processo ainda terá desdobramentos, incluindo análise em relação a outro investigado, cujo caso foi desmembrado.

Relembre - No dia 25 de março de 2022, Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) e Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), além de policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar, Bope (Batalhão de Operações Especiais) e Gisp (Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário), foram às ruas da Capital, Dourados, Jardim e Jaraguari para cumprir um total de 38 mandados judiciais, em busca de provas contra os “gravatas” e outros alvos.
Em abril daquele mesmo ano, oito pessoas foram denunciadas por articularem atentados contra juízes e promotores. Além de Bruno, Edimar, Rodrigo, Douglas e Christian, estavam na lista as advogadas Paula Tatiane Monezzi e Inaiza Herradon Ferreira, apontadas como as responsáveis por recepcionar e distribuir pelo menos uma das ordens de execução. E Ed Carlos Rodrigues Dias, também integrante da facção que mantinha contato com os “gravatas”.
Para embasar as acusações, detalhadas em 90 páginas, os promotores do Gaeco juntaram transcrições de grampos telefônicos, dentre outras provas, como bilhetes interceptados em celas de unidades do sistema carcerário de Campo Grande.
Já na segunda fase da operação, deflagrada em março do ano passado, o pai de Bruno Ghizzi, defensor público Helkis Clark Ghizzi foi preso . A investigação apontou indícios de que ele estaria envolvido com a associação criminosa. Em julho do mesmo ano ele pagou fiança de R$ 39,6 mil e foi solto com tornozeleira eletrônica.

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