Após levar maior sino do mundo, motorista atravessa MS com peça de 43 toneladas
Peças seguem para Inocência em comboio escoltado, com velocidade de até 40 km/h
Um carregamento de peças gigantes chamou a atenção de motoristas que passaram pelo pátio de um posto de gasolina na BR-262, na saída para Três Lagoas, em Campo Grande, nesta segunda-feira (1). As estruturas são equipamentos industriais de grande porte, provavelmente vasos de pressão fabricados pela Valmet, destinados ao projeto da Arauco, em Inocência, e impressionam pelo tamanho.
RESUMO
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Peças industriais gigantes, com cerca de 27 metros de comprimento e 43 toneladas, destinadas ao projeto da Arauco, em Inocência, chamaram atenção na BR-262, em Campo Grande, nesta segunda-feira. O transporte é conduzido por Devanir Pesotto, motorista com 30 anos de experiência em cargas especiais, que já transportou o maior sino badalante do mundo, da Polônia até Goiás. A operação conta com escoltas, batedores e equipes de apoio.
Essas peças têm cerca de 6,70 metros de altura, 27 metros de comprimento, 5,80 metros de largura e peso de 43 toneladas. Mas, além da carga fora do comum, quem também tem história para contar é o motorista responsável por uma das carretas.
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Devanir Batista Pesotto, de 47 anos, trabalha há 30 anos na profissão e se especializou em transporte de cargas especiais. No currículo, ele carrega uma façanha nada pequena: participou do transporte do maior sino badalante do mundo, vindo da Polônia até Região Metropolitana de Goiânia.
“Para mim, eu gosto muito desse ramo de transporte de cargas especiais. Cada dia é um desafio diferente”, contou Devanir, enquanto acompanhava a movimentação das carretas no pátio do posto.
Segundo ele, esta já é a sétima viagem no transporte de equipamentos para o projeto da Arauco. As peças saem de Açaí, no Paraná, e seguem até Inocência, em um percurso de aproximadamente 1.370 quilômetros. Ainda faltam outras três estruturas, que devem ser buscadas em Nova Londrina, também no Paraná, para concluir essa etapa até o meio do mês.

A operação não depende apenas de um motorista experiente. Para uma carga desse tamanho passar pela estrada, há estudo prévio, planejamento de rota, escolta e acompanhamento de equipes especializadas. Devanir explica que a viagem envolve apoio da polícia, batedores, companhias de energia e equipes ligadas à rede de internet, já que a altura e a largura das peças exigem atenção com fios, postes, acessos e interferências no caminho.
“Isso foi feito com estudo, viabilização, projeto. Tem companhia de energia, polícia, escolta, companhia de internet. É um conjunto que acaba dando tudo certo no final”, disse.
Na estrada, a pressa fica para quem está olhando. As carretas rodam em velocidade média de 25 a 40 quilômetros por hora e têm horário determinado para circular. Conforme o motorista, a saída costuma ocorrer por volta das 10h, com deslocamento até cerca de 16h.
O comboio desta etapa conta com dez batedores, dez escoltas, duas viaturas e equipes de apoio. No total, são seis peças transportadas no mesmo projeto, sendo quatro pela empresa STS, onde Devanir trabalha, e duas por outra transportadora.
O tamanho da carga também muda a rotina de quem cruza o caminho do comboio. Segundo o motorista, no começo alguns condutores ficam impacientes, tentam passar ou reclamam da lentidão. Depois, com a aproximação das escoltas e da polícia, a maioria entende que não se trata de um transporte comum.
“No começo o pessoal dá aquela amarrada, quer passar. Mas, quando vai aproximando as peças devagarzinho, com a polícia, o pessoal começa a entender”, afirmou.
A experiência de Devanir com cargas monumentais ganhou destaque com o transporte do sino vindo da Polônia. A peça foi carregada em Santos e levada até Trindade, em Goiás, em uma viagem de sete dias. O trajeto passou por São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Brasília até chegar ao destino. “Para mim foi entrar na história. É um símbolo da fé católica. Poder transportar isso foi inesquecível”, relembrou.
Devanir conta que o transporte do sino também abriu portas para novos trabalhos da empresa em cargas especiais. Depois dele, vieram serviços para grandes clientes e novos projetos. Agora, a missão é outra: levar estruturas industriais para o interior de Mato Grosso do Sul.
Antes de chegar às cargas gigantes, o motorista teve uma trajetória comum a muitos profissionais da estrada. Trabalhou por anos na roça, foi para São Paulo, tirou habilitação e começou a caminhada no transporte. Para conduzir esse tipo de carga, também precisou de formação específica, como curso para cargas especiais, MOPP e direção defensiva.
Mesmo depois de três décadas de profissão, ele não fala como quem está cansado da estrada. Fala como quem ainda olha para uma peça de 43 toneladas e enxerga desafio.
“Eu adoro trabalhar. Trabalhei muitos anos na roça, vim para São Paulo, tirei minha habilitação e comecei a caminhada. Estou aí hoje dirigindo essas cargas especiais. Quando Deus preparar, se tiver força, eu vou”, disse.
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