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Capital

Citado em investigação como intermediário de propina é exonerado da Sisep

Thiago Nogueira Pereira deixa cargo em comissão de gestor de projeto da Secretaria de Obras

Por Ângela Kempfer | 20/05/2026 10:31
Citado em investigação como intermediário de propina é exonerado da Sisep
Thiago de costas no dia da operação, entrando na casa do pai (Foto: arquivo)

A Prefeitura de Campo Grande exonerou Thiago Nogueira Pereira do cargo em comissão de gestor de projeto da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos). O decreto foi publicado no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) desta quarta-feira (20) e tem efeito a partir da data de publicação.

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A Prefeitura de Campo Grande exonerou Thiago Nogueira Pereira do cargo de gestor de projetos da Sisep após ele ser citado em investigação do Gecoc sobre fraudes em contratos de manutenção de vias. Filho de Edivaldo Aquino Pereira, preso na Operação Buraco Sem Fim, Thiago é apontado pelo MPMS como intermediário no recebimento de propinas. A Construtora Rial Ltda. teria firmado contratos de R$ 113,7 milhões com o município entre 2018 e 2025.

Apesar de não ter sido preso, Thiago é citado em investigação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) sobre suposto esquema de fraudes em contratos de manutenção de vias urbanas e tapa-buracos em Campo Grande. No documento, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) aponta que ele é filho de Edivaldo Aquino Pereira, servidor investigado e descrito como gestor de projetos e fiscal substituto da Sisep, um dos 7 presos durante Operação Buraco Sem Fim, no último dia 12. No dia da ação, outro filho de Edivaldo foi preso, mas por porte de droga.

Citado em investigação como intermediário de propina é exonerado da Sisep
Edivaldo no dia em que foi preso pelo Gecoc é pai de Thiago, exonerado hoje (Foto: Arquivo)

Segundo o Gecoc, Edivaldo teria desempenhado papel relevante na operacionalização direta das fraudes e no desvio de recursos públicos. A apuração afirma que a função dele consistia em “validar medições fictícias e atestar a execução de serviços” que, conforme o órgão, não teriam sido prestados ou teriam sido executados de forma precária por empresas contratadas pelo município.

É nesse contexto que Thiago aparece na investigação. O MPMS afirma que Edivaldo teria usado o filho “como intermediário para o recebimento de propinas destinadas à cúpula do grupo”.

A investigação do Gecoc trata de suspeitas de organização criminosa, peculato, fraude em licitações e manipulação de medições em contratos da Sisep. Em um dos trechos, o Ministério Público afirma que a engrenagem do esquema funcionava por meio de “manipulação deliberada e sistemática das medições de serviço”, fazendo com que pagamentos não correspondessem ao trabalho efetivamente realizado.

O documento também aponta que a Construtora Rial Ltda., uma das empresas citadas na investigação, teria mantido contratos e aditivos com a administração municipal que somaram R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025. Segundo o Gecoc, os valores pagos não teriam lastro na realidade das obras executadas.

O decreto de exoneração não informa o motivo da saída de Thiago do cargo. O Campo Grande News tentou contato com ele e segue com espaço aberto para explicações.