Delegada aponta possível motivação financeira em morte de subtenente da PM
Investigação indica uso de dinheiro da vítima e ausência de interação entre o casal
Durante audiência sobre a morte da subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, a delegada responsável pelo caso afirmou acreditar que o crime tenha motivação financeira. Segundo ela, há indícios de que o réu, namorado da vítima, utilizava dinheiro dela e circulava armado com a arma vinculada a pessoas da família dela.
RESUMO
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Delegada afirma que crime contra subtenente da PM teve motivação patrimonial. Durante audiência sobre a morte de Marlene de Brito Rodrigues, a investigadora disse que o réu Gilberto Jarson, de 50 anos, usava dinheiro da vítima e circulava armado com arma da família dela. Peritos descartaram suicídio. O crime ocorreu em abril de 2026, em Campo Grande, e o suspeito apresentou versões contraditórias à polícia.
Desde as 13h30 desta segunda-feira (15), são realizadas oitivas com sete testemunhas, incluindo um familiar do réu, Gilberto Jarson, de 50 anos. A audiência ocorre na 2ª Vara do Tribunal do Júri e é presidida pelo juiz de Direito Aluízio Pereira dos Santos.
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Em depoimento, a delegada Analu Ferraz explicou que o celular da vítima passou por análise preliminar e, posteriormente, foi encaminhado para extração de dados, já que parte das mensagens aparentava ter sido apagada.
Segundo ela, a subtenente enfrentava dificuldades financeiras. Foram encontrados documentos que indicam a existência de empréstimos que acabavam deixando um salário líquido considerado baixo para o tempo de carreira, cerca de R$ 2,5 mil mensais. Para a delegada, esse cenário pode ter contribuído para a dinâmica do relacionamento.
A delegada apontou ainda que, na sua avaliação, a vítima apresentava forte envolvimento emocional no relacionamento, o que pode ter influenciado na aceitação de determinadas situações.
“Pelos relatos dos filhos e de amigos, tive a percepção de que Gilberto surgiu na vida dela como alguém que lhe oferecia companhia e estabilidade emocional. Inclusive, no depoimento do capelão, foi relatado que ela dizia ter encontrado alguém naquele momento da vida”, pontuou Analu.
Ela também relatou que, informalmente, ouviu de moradores da região que o réu costumava andar armado pelo bairro. Além disso, mencionou que ele utilizava a arma ligada à vítima, embora o registro estivesse em nome de um familiar.

A investigação também chamou atenção para a ausência de interações entre os aparelhos do casal. Conforme relatado, apesar de manterem um relacionamento de cerca de um ano e meio, não foram encontradas mensagens, fotos ou vídeos trocados entre eles, apenas dois registros de ligações.
Outro ponto destacado foi o comportamento do réu no dia dos fatos. Segundo informações repassadas à delegada ainda no local, ele foi visto com a arma em mãos e se movimentando pela residência. O relato foi reforçado por perito que participou da ocorrência, que considerou a dinâmica observada incompatível com a hipótese de suicídio.
Durante a oitiva, a delegada afirmou que a investigação foi conduzida com cautela, considerando diferentes possibilidades. “Quando existe dúvida, a investigação precisa ser conduzida considerando todas as hipóteses possíveis”, afirmou.
Mudança pós-relacionamento - O filho da vítima, Marcus Vinícius, descreveu que a mãe passou por mudanças significativas ao longo do relacionamento. Segundo ele, os dois estavam juntos desde o fim de 2024 e, inicialmente, a relação parecia tranquila.
Com o tempo, no entanto, o comportamento da subtenente mudou. “Ela sempre foi uma pessoa muito alegre, de alto astral. Com o passar do tempo, eu a via mais afastada, mais fechada e mais triste”, afirmou. Ele também relatou que o réu demonstrava ciúmes, inclusive em relação à convivência da vítima com os próprios filhos.
De acordo com o depoimento, nos últimos meses Marlene demonstrava vontade de encerrar o relacionamento, mas não sabia como fazer isso. Marcus também apontou que a mãe passou a se tornar mais reservada e distante da família, comportamento que não era comum.
O filho ainda mencionou a situação financeira da vítima. Em conversa com o casal, ouviu que o réu pretendia iniciar negócios e que parte dos empréstimos feitos por ela teria sido destinada a esse objetivo. Após a morte, a família identificou que o volume de dívidas era maior do que o imaginado.
Já um amigo próximo da Marlene, também policial militar, relatou que o relacionamento evoluiu de forma rápida, mas passou a apresentar sinais de controle e possessividade por parte do réu cerca de dois meses após o início.
Segundo ele, a vítima chegou a comentar que o companheiro demonstrava ciúmes excessivos e comportamento opressor. O policial afirmou ainda que percebeu mudanças na rotina e na personalidade da colega e disse que chegou a alertá-la sobre os riscos do relacionamento. “Falei que esse tipo de comportamento não dá certo e que ela precisava ser livre”, relatou. Ainda assim, após um breve término, o casal reatou.
Ele também destacou que, em nenhum momento, a vítima demonstrou intenção de tirar a própria vida, reforçando que ela buscava construir uma vida em família e tinha planos de casamento.
Caso – O crime ocorreu em abril de 2026, no Conjunto Habitacional Estrela Dalva, em Campo Grande, e causou forte comoção por se tratar de uma das pioneiras da Polícia Militar feminina no Estado. Marlene atuou na antiga Companhia Florestal e trabalhava no Comando-Geral da corporação. Ela foi encontrada morta de farda, caída perto da janela da sala da residência onde morava com o companheiro.
No dia do crime, um policial militar que passava pela região ouviu o estampido do disparo e entrou na residência. Ele flagrou Gilberto Jarson na sala, com um revólver calibre .38 nas mãos, enquanto fazia ligações telefônicas. Ao checar o histórico do aparelho celular do suspeito, os policiais constataram que ele havia telefonado para a Polícia Militar, para o próprio cunhado e para o advogado de defesa logo após o tiro que atingiu a subtenente.
Durante os primeiros depoimentos na delegacia, o homem apresentou versões contraditórias. Inicialmente, afirmou que estava no quintal, cobrindo uma motocicleta com uma lona, e que não viu quando a companheira pegou a arma. Em seguida, mudou a versão e alegou que suas mãos poderiam ter vestígios de pólvora porque teria entrado em luta corporal com a vítima para tentar evitar o disparo.
As versões do suspeito foram contestadas por testemunhas e vizinhos do casal ouvidos após a ocorrência. Moradores relataram histórico de brigas frequentes e barulhentas, além de gritos e pedidos de socorro vindos da casa em ocasiões anteriores ao crime.
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