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Campo Grande, Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017

18/08/2017 15:39

Esquartejado entregou comparsas em processos por roubo e tráfico

Fernando Nascimento dos Santos, 22 anos, havia saído da cadeia há cerca de dois meses

Luana Rodrigues
Fernando Nascimento dos Santos, 22 anos, em vídeo que circula pela internet. (Foto: Reprodução)Fernando Nascimento dos Santos, 22 anos, em vídeo que circula pela internet. (Foto: Reprodução)

Encontrado esquartejado na última quarta-feira (15), Fernando Nascimento dos Santos, 22 anos, havia saído da cadeia há cerca de dois meses. Ele foi preso em duas situações, por tráfico de drogas e associação para o tráfico, além de formação de quadrilha, e nos dois casos entregou a participação dos comparsas nos crimes.

O primeiro caso teria sido em janeiro de 2016, quando o jovem e outros outros oito comparsas foram denunciados por integrar uma associação criminosa, com o objetivo de cometerem reiterados crimes de roubos de veículos, com uso de extrema violência e arma de fogo e em conjunto com os adolescentes.

Em interrogatório judicial, o jovem contou que foi preso em Camapuã, quando transportava uma caminhonete Chevrolet S-10 produto de roubo/furto, mas negou ser participante da organização criminosa investigada pela polícia, denunciada no processo, o PCC (Primeiro Comado da Capital), e acabou entregando o nome de alguns envolvidos no crime. Por falta de provas do envolvimento dele na organização, o juiz decidiu absolvê-lo.

Já em abril deste ano, Santos acabou detido novamente, com outros cinco comparsas, depois de serem flagrados transportando 275 quilos de maconha. Ele contou que foi contratado por R$ 6 mil para o transporte e que tinha dois batedores. O rapaz entregou o nome dos comparsas, que foram condenados por tráfico de drogas.

Para o delegado responsável pelo caso, Jairo Mendes, titular da Delegacia de Polícia Civil, responsável por investigar a morte de Fernando, as denúncias feitas pela vítima podem ter relação com o crime. "Quando ocorreu a prisão ele denunciou outros traficantes, ou seja, pode ser algum tipo de represália", diz.

Para o delegado, não há dúvidas de que há uma guerra declarada entre facções em Mato Grosso do Sul - que está cada dia mais sangrenta. As frequentes batalhas por território dão origem a crimes bárbaros como o esquartejamento gravado do jovem. Segundo as autoridades policiais, por se tratarem de conflitos com grande número de envolvidos, direta ou indiretamente, dificultam a investigação e, consequente, prisão dos autores.

"É crime organizado e está bem complicado de se investigar. Existe uma sociedade criminosa inserida dentro da sociedade como um todo e essa sociedade criminosa está em conflito, por isso, estão ocorrendo esses crimes. Estamos enfrentando um pouco de dificuldade em virtude desse teatro criminal que envolve muito atores", explica o delegado Jairo Mendes.

O delegado afirma que já ouviu familiares da vítima e tem feito pesquisa sobre antecedentes, além da análise de vídeos que estão circulando na internet com imagens da execução, mas até agora não tem nenhum suspeito de ter cometido o crime. "A polícia tem obrigação e nós estamos trabalhando para restabelecer a ordem e esclarecer os fatos, mas, pelo vídeo, ficou claro que é guerra entre facções", diz.

Esquartejado - Fernando Nascimento dos Santos foi encontrado esquartejado na rua Engenheiro Paulo Frontim, 150 metros do anel viário, no Jardim Los Angeles, em Campo Grande.

O jovem é morador de Nova Alvorada do Sul e foi identificado pela família, depois que fotos do corpo esquartejado vazaram na internet.

Segundo informações apuradas pelo Campo Grande News, teria vindo à Campo Grande a procura de trabalho. No Facebook, amigos escreveram que haviam conversado com o rapaz ontem.

Em vídeo com pouco mais de 15 segundos, que circula pela internet, o mesmo jovem aparece sentado em uma cadeira, aparentemente dopado, e diz: "Peço desculpa a todo o Primeiro Comando da Capital, que eu conheci o verdadeiro crime agora, não igual aqueles lixo lá. Tamo junto, agora com o 1533" (sic).

O número 1533, de acordo com a ordem em que as lestras aparecem no alfabeto, significa PCC, o que leva a suspeita de envolvimento da facção na morte do rapaz.




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