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Capital

Ex-servidor é réu por lucrar R$ 39 mil com “venda” de casas de Prefeitura

Preso em operação da Deam nesta quarta, Victor Hugo Nogueira é réu por estelionato e furto

Anahi Zurutuza | 31/08/2022 18:07
Victor Hugo Ribeiro Nogueira da Silva, de 36 anos, que foi preso nesta manhã. (Foto: Reprodução do Facebook)
Victor Hugo Ribeiro Nogueira da Silva, de 36 anos, que foi preso nesta manhã. (Foto: Reprodução do Facebook)

Alvo de operação da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), nesta quarta-feira (31), o ex-servidor da Prefeitura de Campo Grande, Victor Hugo Ribeiro Nogueira da Silva, de 36 anos, é réu em processos por estelionato e furto qualificado.

Numa das denúncias, oferecida pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) no dia 22 de junho deste ano, ele é acusado de lucrar R$ 25.978,05 com a “venda” de casas que supostamente seriam da administração municipal. A outra acusação aponta que ex-funcionário público teria obtido outros R$ 14 mil com o mesmo golpe.

As primeiras vítimas foram à polícia no dia 31 de julho de 2020, quando o ex-servidor era lotado na prefeitura como “gestor de projetos”, e o golpe foi investigado pela 7ª DP (Delegacia de Polícias). Conforme relatado à época, Victor Hugo se apresentava como funcionário da prefeitura para oferecer o “negócio”.

Conversa de uma das vítimas comVictor Hugo anexada aos autos de processo. (Foto: Reprodução)
Conversa de uma das vítimas comVictor Hugo anexada aos autos de processo. (Foto: Reprodução)

Uma das vítimas, mulher 64 anos, contou ter se interessado pelos imóveis que, em futuro próximo, “seriam confiscados” dos proprietários inadimplentes com o município e por isso, estavam sendo “revendidos” por preço mais acessível. A idosa chegou a transferir para uma conta de Victor Hugo a quantia de R$ 19.978,05, no dia 20 de novembro de 2019, mas até a metade do ano seguinte, quando decidiu denunciá-lo, não havia recebido as chaves da suposta casa.

A outra vítima, um homem à época com 41 anos, também diz ter feito acordo com o ex-servidor, mas teve prejuízo menor – R$ 6 mil. De acordo com os depoimentos, Victor Hugo dizia aos “novos donos” que além da entrada, eles teriam de assumir, a partir da entrega das chaves, as parcelas do financiamento feito pela Caixa Econômica Federal e prometia aos “compradores” que eles estariam na posse dos imóveis até fevereiro de 2020, o que nunca aconteceu.

Conforme o relatório enviado pela Polícia Civil à Justiça, em maio deste ano, o ex-servidor foi procurado diversas vezes para dar sua versão, mas fugiu. “Estava ciente das tentativas de intimação, mas não compareceu à delegacia para prestar informações”, anotou a delegada Marília de Brito Martins, no encerramento do inquérito.

Victor Hugo virou réu por estelionato no dia 26 de julho deste ano, mas no processo, que tramita na 2ª Vara Criminal, ainda não consta se ele já tem ciência das acusações.

Mais denúncias – Não é a primeira vez que Victor Hugo se envolve em negócios escusos. No mesmo dia em que o juiz Olivar Augusto Coneglian aceitou denúncia pelo crime do artigo 171 do Código Penal, o ex-servidor foi denunciado por furto qualificado mediante fraude (artigo 155). De acordo com acusação, em janeiro deste ano, ele negociou com um garagista a compra de um Jeep Cherokee, mas pagou R$ 84,5 mil com seis cheques sem fundo.

Investigando o furto do veículo, a polícia descobriu que ele continuava aplicando o “golpe da casa confiscada”. Ofereceu imóvel a um casal, recebeu R$ 14 mil e ainda usou os documentos de uma das vítimas, junto com o Jeep, para financiar outro veículo em 48 parcelas de R$ 1.582.

Esta última denúncia foi recebida, no dia 2 de agosto, pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, a mesma que decretou a prisão do ex-servidor a pedido da Deam.

Victor Hugo é réu por estelionato em mais um processo, de 2016, e já respondeu a acusações de injúria, difamação, ameaça e apropriação indébita, estas quatro últimas relacionadas a violência contra a mulher.

Delegada e investigadora deixam casa na Rua Professor Xandinho, com 3 mulheres. (Foto: Henrique Kawaminami)
Delegada e investigadora deixam casa na Rua Professor Xandinho, com 3 mulheres. (Foto: Henrique Kawaminami)

Nova investigação – O ex-servidor foi preso nesta manhã por força de mandado expedido pela 3ª Vara Criminal. Ele é suspeito de coagir testemunhas e é investigado pelos crimes de corrupção ativa de testemunhas e favorecimento à prostituição no inquérito de nº 3457/2022.

Também nesta quarta-feira (31), a Polícia Civil cumpriu mandados de busca em dois endereços da Capital ligados a Victor Hugo. Investigadores levaram à Deam três mulheres que estavam em uma casa Jardim São Lourenço, onde funcionaria um prostíbulo. Uma delas foi pega com maconha, conforme boletim de ocorrência registrado na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).

Victor Hugo ocupou cargos em comissão no Executivo municipal de março de 2017 até 8 de julho do ano passado, quando foi exonerado a pedido, de acordo com publicação em Diário Oficial.

Neste intervalo, passou pela Subsecretaria de Defesa dos Direitos Humanos e chegou a ser lotado na Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). O último pagamento que recebeu do município, em julho do ano passado, foi de R$ 5.784,63, com os descontos.

Nesta tarde, dois advogados compareceram à Deam se apresentando como representantes de Victor Hugo. Um deles, Rodrigo Nascimento, disse na saída da delegacia que pediu acesso aos autos do inquérito para saber do que se trata a investigação contra o cliente antes de se manifestar.

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