Gerações que brigam por direitos das mulheres criam instituto em Campo Grande
Com a violência de gênero escancarada, integrantes apostam no que pode mudar realidades

Integrantes do movimento popular de mulheres em Mato Grosso do Sul há 30 anos e de gerações atuais decidiram se unir e criar o Instituto Desperta, em Campo Grande, para oferecer apoio e serviços que podem transformar realidades de adultas e meninas.
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O Instituto Desperta foi criado em Campo Grande (MS) por integrantes do movimento popular de mulheres para oferecer apoio a adultas e meninas vítimas de violência de gênero. Presidido por Bárbara Nicodemos, o instituto atuará com prevenção, oficinas e articulação para acesso a serviços públicos. O lançamento oficial ocorre em 4 de setembro, às 18h, na Câmara Municipal, com palestra sobre misoginia. A entrada é gratuita.
A presidente, Bárbara Nicodemos, é formada em Serviço Social, nasceu em Belém (PA) e mudou-se para o estado do Centro-Oeste em 1984. Chegou a morar na Capital, onde foi coordenadora de políticas públicas para mulheres e conheceu algumas das companheiras de hoje no instituto.
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Depois, foi para Dourados trabalhar e representou a Marcha Mundial das Mulheres por lá. “Nosso grupo mais ou menos se desarticulou, porque cada uma foi para um lado, mas sempre militando na questão da mulher”, lembra.
A iniciativa foi tomada diante de casos de violência de gênero aparecendo com frequência nos jornais e nas conversas do dia a dia, segundo a presidente. Até o início desta semana, só os feminicídios no Estado somam 24.
Fazem parte da diretoria também Vanessa Viera, Sônia Maria e a ex-ministra da Mulher, Cida Gonçalves.
Trabalho de todos - Bárbara defende que a responsabilidade de combater a violência contra a mulher não é só do poder público.
“A violência é responsabilidade de todos nós, da Saúde, da Educação, é de políticas públicas que precisam ser olhadas em sua totalidade, porque nenhuma dá conta sozinha. A gente não pode jogar tudo, por exemplo, para a polícia. É uma questão de segurança, sim, mas a gente também tem os tribunais de Justiça”, argumenta.
O Instituto Desperta vai ser um braço dessa função, com prevenção, articulação para mulheres e crianças acessarem serviços públicos, além de oficinas e cursos para incentivar a emancipação.
“A gente hoje tem outra conjuntura, mas pretende trabalhar da forma que era dentro do movimento, com os grupos de base, com oficinas, cursos, parcerias em projetos sociais, campanhas educativas. Tudo isso vai caminhar em direção à prática do movimento popular de mulheres”, descreve a presidente.
Os recursos virão de editais para projetos sociais e de emendas parlamentares.
O instituto está localizado numa sede emprestada localizada na Vila Taquarussu. Para entrar em contato, já estão disponíveis os números (67) 99801-7613 (ligação e mensagem de WhatsApp) e o e-mail institutodesperta2026@gmail.com.
Lançamento - A criação do instituto terá um evento de lançamento em 4 de setembro, às 18h, com palestra de uma pesquisadora do Netlab, o Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) com o tema “Misoginia: conhecer para enfrentar, educar para transformar”.
A entrada é gratuita. Será na Câmara Municipal de Campo Grande, que fica na Avenida Ricardo Brandão, 1.600, Bairro Chácara Cachoeira.
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