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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

26/03/2013 10:25

Hospital do Câncer tem déficit de R$ 270 mil e queda de 40% nas doações

Aline dos Santos
Hospital recebe média de R$ 220 mil em doações por mês. (Foto: Vanderlei Aparecido)Hospital recebe média de R$ 220 mil em doações por mês. (Foto: Vanderlei Aparecido)

Déficit de R$ 270 mil, redução das doações em 40% e pagamentos em atraso. Estes são os resultados parciais do levantamento da comissão provisória, que há cinco dias assumiu o comando do Hospital do Câncer Alfredo Abrão, em Campo Grande.

A direção - formada por Adalberto Abrão Siufi (diretor-geral), Blener Zan (diretor-presidente) e Wagner Miranda (diretor-financeiro) – foi afastada após denúncias do MPE (Ministério Público Estadual) e da operação Sangue Frio, realizada há uma semana pela PF (Polícia Federal).

As denúncias de irregularidades afetaram a credibilidade da instituição, que, por ano, recebia média de R$ 2,3 milhões em donativos. De acordo com o diretor-presidente Carlos Alberto Moraes Coimbra, a queda foi de 40%. “Recebíamos R$ 220 mil por mês em doações”, afirma. Atualmente, o valor arrecadado está em R$ 130 mil por mês.

Segundo ele, a nova administração dará transparência à gestão do hospital para que as pessoas voltem a doar. Ontem, em reunião com o prefeito Alcides Bernal (PP), foi confirmada a manutenção do repasse de R$ 1 milhão por mês proveniente do SUS (Sistema Único de Saúde).

Outra situação já verificada é déficit mensal de R$ 270 mil. Conforme Carlos Coimbra, o valor corresponde ao financiamento de terreno para ampliação do hospital. Já a obra é custeada pelo governo do Estado. “O valor total da compra do terreno é R$ 9,8 milhões”, afirma.

RescisãoDentre as primeiras medidas, a nova direção demitiu a administradora do hospital Betina Moraes Siufi Hilgert, filha de Adalberto Siufi. “Um problema é o custo da demissão. O valor de R$ 120 mil é muito alto e não tem dinheiro em caixa”, afirma Coimbra. Em 2011, ela recebia salário de R$ 11 mil.

Outros dois servidores com altos salários também foram demitidos, mas os nomes não foram divulgados. De acordo com a diretora -financeira do hospital, Sueli Lopes Telles, o déficit com certeza vai superar os R$ 270 mil. Sem dar detalhes, ela afirma que o levantamento ainda é inicial. A diretora confirma que há pagamento e salários em atraso. Uma auditoria é feita nas contas da unidade hospitalar, administrada pela Fundação Carmem Prudente.

A comissão vai atuar por 15 dias e, vencido o prazo, será decidido se o afastamento vai ser mantido. De forma paralela, o MPE (Ministério Público Estadual) solicitou à Justiça o afastamento da antiga direção. Adalberto Siufi permanece como prestador de serviços. O hospital tem 40 médicos credenciados.

 

Segundo Carlos Coimbra, déficit é de R$ 270 mil por mês. (Foto: Marcos Ermínio)Segundo Carlos Coimbra, déficit é de R$ 270 mil por mês. (Foto: Marcos Ermínio)

Lucro – O MPE denunciou que os diretores contratavam as próprias empresas para atender o hospital. A Neorad, que pertence a Adaberto Abrão Siufi e Issamir Farias Saffar, recebeu R$ 12,5 milhões em quatro anos. O contrato previa pagamento do valor estipulado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) mais acréscimo de 70%.

Os outros dois integrantes da alta cúpula do hospital também mantêm contrato com empresa da qual são proprietários. Trata-se de Blener Zan (diretor-presidente) e Wagner Miranda (diretor-financeiro), sócios-proprietários da Elétrica Zan. Entre 2002 e 2011, a empresa recebeu R$ 26.408 do Hospital do Câncer.

Desvio de dinheiro – Na última terça-feira, a PF (Polícia Federal) cumpriu mandados de busca e apreensão no Hospital do Câncer, na residência de Adalberto Siufi e no HU (Hospital Universitário) de Campo Grande.

Auditoria realizada em 2012 no HU identificou direcionamento de licitação, montagem de processos licitatórios, subcontratação de serviços para empresas ligadas a dirigentes do hospital, superfaturamento e emissão de empenho anterior à adesão em ata de registro de preços. Conforme a CGU (Controladoria-Geral da União), o levantamento verificou prejuízo de R$ 973 mil aos cofres públicos.



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