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Economia

Celulose transforma perfil industrial de MS com salto em produção e exportações

Setor passou de 7 mil para 24,4 mil trabalhadores e elevou exportações a US$ 3,12 bilhões

Por Jhefferson Gamarra | 08/09/2026 17:33
Celulose transforma perfil industrial de MS com salto em produção e exportações
Caminhão carregado com celulose em fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo (Foto: Osmar Veiga)

Em pouco mais de uma década, a indústria de celulose deixou de ser um segmento ainda em expansão para se transformar em uma das principais forças da economia de Mato Grosso do Sul. O avanço do setor foi acompanhado pelo aumento expressivo do número de trabalhadores, da produção e das exportações, colocando a atividade entre os principais responsáveis pela geração de riqueza na indústria de transformação estadual.

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A indústria de celulose transformou a economia de Mato Grosso do Sul em pouco mais de uma década. Entre 2010 e 2025, o número de trabalhadores do setor cresceu 249%, passando de 7.004 para 24.430. As exportações saltaram de US$ 431,4 milhões para US$ 3,12 bilhões, enquanto o valor bruto da produção avançou 1.148%, atingindo R$ 20,4 bilhões em 2024, consolidando o Estado como um dos principais polos brasileiros do setor.

Os números ajudam a dimensionar essa mudança. Entre 2010 e 2025, o total de trabalhadores ligados à indústria de celulose em Mato Grosso do Sul passou de 7.004 para 24.430. O crescimento foi de 249% no período, ou seja, o setor passou a empregar mais de três vezes o contingente registrado no início da série.

No comércio exterior, a evolução também foi significativa. A receita obtida com as exportações saltou de US$ 431,4 milhões, em 2010, para US$ 3,12 bilhões em 2025. O resultado representa uma expansão que consolidou a celulose como um dos principais produtos da pauta exportadora sul-mato-grossense.

Para Ezequiel Resende, economista-chefe da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), a atividade representa uma das principais mudanças ocorridas na estrutura industrial do Estado nos últimos anos.

“A celulose é uma nova locomotiva. Pelo volume de investimentos, pelo rápido crescimento e pela participação na atividade econômica e industrial do Estado, ela se consolidou como um dos principais ramos da indústria de transformação do Mato Grosso do Sul.”

Produção cresce mais de 1.000% - O avanço também pode ser observado no valor bruto da produção. Entre 2010 e 2024, o indicador passou de R$ 1,63 bilhão para R$ 20,4 bilhões. Em 14 anos, o crescimento chegou a 1.148%.

No mesmo intervalo, o volume de celulose exportado pelo Estado passou de 857,8 mil toneladas para 6,91 milhões de toneladas. A expansão demonstra não apenas o aumento da capacidade produtiva, mas também o fortalecimento da participação de Mato Grosso do Sul no comércio internacional do produto.

A combinação entre crescimento da produção, geração de empregos e expansão das exportações fez com que a celulose ganhasse espaço dentro da própria estrutura industrial sul-mato-grossense.

“Hoje a celulose está entre os segmentos que mais contribuem para a geração de riqueza da indústria de transformação sul-mato-grossense”, afirma Resende.

Mais valor agregado - Na avaliação do economista-chefe da Fiems, o desenvolvimento da cadeia de celulose também está relacionado a uma mudança na composição das exportações de Mato Grosso do Sul.

O Estado, tradicionalmente associado à produção de commodities agropecuárias, passou a ampliar a presença de produtos industrializados e de maior valor agregado no mercado externo. Nesse processo, a celulose aparece como um dos principais exemplos dessa transformação.

“O melhor exemplo dessa transformação é a celulose. Ganhamos novos produtos de maior valor agregado, alcançamos novos mercados e aumentamos significativamente nossa presença internacional”, destaca Resende.

O crescimento das exportações de celulose, portanto, não representa apenas o aumento da quantidade de um produto vendido ao exterior. Ele também está inserido em uma mudança mais ampla na atividade industrial do Estado, com maior participação de produtos processados na geração de receitas.

Florestas plantadas sustentam expansão - A expansão da indústria está diretamente ligada à disponibilidade de florestas plantadas e à formação de uma cadeia produtiva integrada. Esse modelo permitiu que Mato Grosso do Sul ampliasse sua capacidade industrial e se inserisse de maneira mais forte no mercado internacional de celulose.

Ao longo dos anos, a atividade passou a ocupar uma posição estratégica na economia estadual, especialmente pelo volume de investimentos, pela capacidade de produção e pela geração de empregos.

Com o crescimento registrado desde 2010, a celulose consolidou Mato Grosso do Sul como um dos principais polos brasileiros do setor e ampliou a presença do Estado no mercado global.