Prefeita admite desorganização e defende debate sobre toda a Avenida Afonso Pena
Grupo de trabalho analisa situação dos ambulantes no entorno do Parque das Nações Indígenas após fim de prazo
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), afirmou nesta quinta-feira (16) que a administração municipal pretende discutir a organização da Avenida Afonso Pena como um todo, diante da permanência de ambulantes no entorno do Parque das Nações Indígenas mesmo após o fim do prazo para desocupação.
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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, afirmou que a prefeitura discutirá a organização da Avenida Afonso Pena diante da permanência de ambulantes no entorno do Parque das Nações Indígenas, mesmo após o prazo de desocupação. Um grupo de trabalho foi criado para buscar soluções junto aos vendedores e vereadores, sem audiência pública formal.
A declaração foi dada durante participação na Expogrande, em meio ao impasse que se arrasta desde março, quando a prefeitura notificou os vendedores para deixarem a área em até 15 dias. O prazo venceu, mas os trailers continuam no local e, até agora, não houve retirada nem definição concreta sobre a regularização.
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Segundo a prefeita, o problema ultrapassa a presença dos ambulantes e envolve a falta de ordenamento urbano na principal via da cidade.
“Vai ter uma discussão sobre a questão da Afonso Pena, porque hoje está totalmente desorganizado e precisa ter organização. O lixo é deixado ali na Afonso Pena, que é a principal avenida da cidade. São trailers que vão para o local e acabam se estabelecendo ali por todo o tempo”, afirmou.
Ela destacou que os trabalhadores têm direito de atuar, mas dentro de regras claras. “Eles têm o direito de ir, mas depois precisam se retirar e retornam no dia seguinte, ou conforme a programação deles. Então vai ser necessário regularizar essa situação”, disse.
A prefeita informou que já constituiu um grupo de trabalho para tratar do tema. A equipe técnica está responsável por avaliar soluções e conduzir o diálogo com os ambulantes. De acordo com Adriane, não haverá audiência pública formal neste momento. As discussões estão sendo feitas diretamente entre técnicos do município, representantes dos vendedores e vereadores.
“É a equipe técnica conversando com o segmento, com a interveniência de alguns vereadores. Então é um grupo de trabalho que está tecnicamente apontando as razões do município, mas também entendendo o posicionamento de quem está ali trabalhando”, explicou.
A situação ganhou força após reportagens mostrarem a ocupação desordenada no entorno do parque, com estruturas improvisadas, acúmulo de lixo, falta de infraestrutura básica e riscos à segurança.
No dia 23 de março, a prefeitura notificou os ambulantes com base no Código de Polícia Administrativa do Município, determinando a saída dos trailers. Mesmo assim, passados mais de 15 dias, os trabalhadores seguem no local e continuam aguardando uma solução definitiva.
Paralelamente, tramita na Câmara Municipal um projeto que prevê prazo de até 120 dias para regularização, suspendendo penalidades durante esse período.
Durante a entrevista, Adriane Lopes também descartou a possibilidade de transferir os ambulantes para a chamada Cidade do Natal. “Não teve essa discussão. A Cidade do Natal é um local de eventos. Aquele espaço é voltado para eventos e, ao longo do ano, já tem uma agenda fixa”, afirmou.
A fala da prefeita reforça que a prefeitura pretende tratar o problema de forma mais abrangente, incluindo não apenas os ambulantes, mas toda a dinâmica de uso da Avenida Afonso Pena.
A via concentra grande fluxo de visitantes, intensificado após a inauguração do Bioparque Pantanal, e se tornou ponto de comércio informal sem regulamentação clara.
Enquanto isso, ambulantes continuam trabalhando sem regras definidas, frequentadores reclamam da falta de estrutura, e o poder público ainda busca um caminho para organizar uma das áreas mais movimentadas da cidade.



