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Capital

Professores rejeitam proposta da prefeitura de 3,4% de aumento

Em mesa de negociação, Executivo ofereceu 1,7% em duas etapas, mas categoria cobra índice nacional de 5,4%

Por Mylena Fraiha | 26/06/2026 09:26
Professores rejeitam proposta da prefeitura de 3,4% de aumento
Professores rejeitam proposta de reajuste parcelado do Piso 20h durante assembleia (Foto: Marithê do Céu/ACP)

A negociação entre a Prefeitura de Campo Grande e os professores da Reme (Rede Municipal de Ensino) segue sem acordo. Em reunião realizada na manhã de quarta-feira (24), o Executivo apresentou proposta de reajuste de 3,4%, dividida em duas parcelas de 1,7%, mas a oferta foi recusada pela ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública), que defende a aplicação integral dos 5,4% previstos na política nacional do Piso 20h.

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Professores da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande rejeitaram proposta de reajuste de 3,4% parcelado apresentada pela Prefeitura, exigindo os 5,4% previstos no Piso 20h. A decisão foi confirmada em assembleia na quinta-feira (25). Nova rodada de negociações está marcada para quarta-feira (1º), às 10h, no Paço Municipal. O município alega déficit financeiro, gastando R$ 1,5 bilhão em salários com receita de R$ 960 milhões do Fundeb.

A proposta foi debatida durante reunião da Comissão Mista de Negociação, formada por representantes da Prefeitura, da ACP, da Comissão de Educação da Câmara Municipal e do Conselho de Secretários. Diante da recusa, as partes marcaram uma nova rodada de negociações para a próxima quarta-feira (1º), às 10h, na Prefeitura de Campo Grande, quando o Executivo deverá apresentar uma nova alternativa.

A decisão da diretoria da ACP foi posteriormente referendada pela categoria em Assembleia Geral Extraordinária realizada na noite de quinta-feira (25), no auditório da Fetems. Os professores aprovaram a rejeição da proposta e mantiveram a reivindicação pelo cumprimento integral do reajuste de 5,4%, que beneficia quase 9 mil profissionais da rede municipal.

Professores rejeitam proposta da prefeitura de 3,4% de aumento
Reunião entre secretários municipais, sindicato e Comissão de Educação da Câmara terminou sem acordo na quarta-feira (Foto: Marithê do Céu/ACP).

Ao Campo Grande News, o presidente da ACP, Gilvano Kunzler Bronzoni, afirmou que a proposta foi rejeitada ainda durante a reunião por não atender ao percentual considerado mínimo pela categoria. "Eles trouxeram uma proposta que não contemplava os 5,4%. Nós deixamos claro que não iríamos avaliar uma proposta abaixo desse percentual”.

Segundo Gilvano, a proposta previa a concessão de 3,4%, divididos em duas parcelas de 1,7%, com pagamento previsto para dezembro deste ano e janeiro de 2027. Como o percentual ficou abaixo da reivindicação, o sindicato optou por não levá-la sequer para discussão durante a negociação. "A gente preferiu nem levar essa proposta para avaliação porque ela não atingia os 5,4%", explicou.

O presidente da ACP afirmou que a posição da categoria é de não abrir mão do índice reivindicado, por entender que ele decorre da própria política municipal do Piso 20h. "Não tem como abrir mão desse percentual, porque não faz sentido uma repactuação abaixo do que determina o piso."

Segundo ele, a assembleia realizada na quinta-feira (25) confirmou esse entendimento. Os professores aprovaram em assembleia geral oficialmente a rejeição da proposta apresentada pela Prefeitura e autorizaram a continuidade das negociações apenas se houver avanço em direção aos 5,4%.

Embora reconheça as dificuldades financeiras enfrentadas pelo município, Gilvano argumenta que os recursos destinados à educação possuem vinculação legal e podem ser reorganizados para permitir o pagamento do reajuste. "A gente entende o momento que Campo Grande está passando, entende as dificuldades financeiras, mas os recursos da educação têm destinação específica."

Segundo ele, o sindicato não defende aumento de despesas fora da capacidade financeira da Prefeitura, mas sim uma reorganização das verbas já destinadas ao setor. "Se houver uma reorganização dentro dessa vinculação, é possível pagar os 5,4% sem onerar ainda mais os cofres públicos”.

Ainda conforme o presidente da ACP, o objetivo da negociação é garantir a valorização dos profissionais que atuam nas escolas da rede municipal. "É nisso que estamos trabalhando: garantir os 5,4% e valorizar o professor que está em sala de aula”.

Mobilização - No último dia 12 de junho centenas de professores da Rede Municipal de Ensino realizaram paralisação e caminhada pelas ruas centrais de Campo Grande para cobrar a aplicação da política do Piso 20h.

Com bandeiras, cartazes e palavras de ordem, os manifestantes percorreram a Rua Rui Barbosa e a Avenida Afonso Pena até o Paço Municipal, onde uma comissão foi recebida pela prefeita Adriane Lopes (PP), vereadores e integrantes da administração.

Professores rejeitam proposta da prefeitura de 3,4% de aumento
Professores durante manifestação na Avenida Afonso Pena no dia 12 de junho (Foto: Arquivo/Osmar Veiga)

Ao final daquela reunião, a prefeita afirmou aos representantes da categoria que a administração cumpriria a política do Piso 20h, enquanto o secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, explicou que o principal obstáculo é financeiro.

Segundo ele, o município recebe aproximadamente R$ 960 milhões por ano do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), mas gasta cerca de R$ 1,5 bilhão apenas com a folha de pagamento da educação. "Recebemos cerca de R$ 960 milhões por ano e gastamos aproximadamente R$ 1,5 bilhão com o pagamento de salários. Ou seja, mais de R$ 500 milhões precisam sair do caixa da Prefeitura", afirmou na ocasião.

O secretário acrescentou que a redução das receitas municipais exige uma análise detalhada das contas públicas para encontrar uma forma de cumprir o reajuste. "Hoje já temos um déficit e o desafio é justamente entender como vamos reequilibrar essa situação”.

A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para saber se a próxima proposta contemplará o reajuste de 5,4% reivindicado pela categoria e quando ela será apresentada aos representantes dos professores. O espaço segue aberto para manifestação.