Ring Neck: periquito que fala faz sucesso, mas não é brincadeira
Ave exótica colorida é conhecida por repetir palavras; veterinário explica cuidados e alerta sobre legalização
Você conhece a ave que fala como um papagaio, mas é um periquito? A espécie Ring Neck, ou periquito-de-colar, virou sensação nas redes sociais. O pássaro tem aparecido cada vez mais em vídeos repetindo palavras e a fama toda tem despertado curiosidade sobre legalização e a forma de cuidado com eles. A ave é exótica e não pertence à fauna brasileira. Ter uma exige uma série de cuidados. Ou seja, pode até parecer fofa, mas não tem nada de brincadeira.
RESUMO
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O periquito-de-colar, conhecido como Ring Neck, virou febre nas redes sociais por falar como papagaio. A ave exótica, originária da África e da Ásia, é permitida no Brasil apenas com anilha, nota fiscal e origem em criadouro autorizado. Especialistas alertam que soltá-la na natureza causa impacto ambiental. A criação exige rotina, dedicação e pesquisa antes da compra.
Nas Moreninhas, Letícia Marques da Silva, de 30 anos, conhece bem esse universo. A paixão começou depois que a família teve um casal de calopsitas que pertencia à avó dela, já falecida. A partir daí, o contato com as aves cresceu e, junto com ele, veio a curiosidade por outras espécies.
“Como a gente acabou entrando nesse mundo das aves, apareceu um vídeo com esse passarinho cantando. A gente se apaixonou e resolveu pesquisar como ter um”, conta.
Letícia e o tio saíram de Mato Grosso do Sul para buscar o primeiro casal. No começo, ela admite que sabia pouco sobre a espécie. A pesquisa mais aprofundada veio depois da compra, quando a família entendeu que o Ring Neck não é um animal de cuidado simples.
“A gente, antes de ter eles, não pesquisou muito. Sabíamos que eram uma espécie média e depois que compramos é que realmente fomos pesquisar como era a criação, como eles conviviam”, relata.
Hoje, 2 anos depois de decidir ampliar a criação, Letícia tem 13 pássaros. A rotina mudou completamente. O que antes era resolvido em poucos minutos, com limpeza, troca de água e alimentação, passou a exigir mais tempo e dedicação.
“Quando a gente tinha só o casal era muito mais fácil. Em questão de 10 minutos conseguia fazer a limpeza, trocar água, colocar comida. Hoje que temos mais casais, nós dedicamos mais tempo”, explica.
O encanto pelo Ring Neck está justamente no comportamento. A ave fala, assobia, brinca e interage com os tutores. Mas nada disso acontece sozinho. Letícia explica que, para o pássaro aprender palavras, é preciso repetir, ter paciência e criar vínculo.
“Para que eles falem, tem que se dedicar. Eles são iguais loros, tem que ficar repetindo palavras e uma hora ele pega. Se você quer que ele fale, tem que se dedicar”, afirma. Ela conta que cada ave tem uma personalidade. Bidu, o mais velho, fala “oi, Biduzinho” e “meu amor”. Pipa fala “bom dia”, diz o próprio nome, ri e assobia. Já Pirata tem um “oi” diferente, mais tímido.
“Quem tem um ring neck sabe que eles são muito apaixonantes. Sabe quando tem um filho e ouve a primeira palavra? É assim. Aí você se derrete todo. Quem tem um quer ter mais”, diz Letícia.
Na casa dela, os pássaros seguem uma rotina bem definida. Acordam por volta das 7h e vão dormir às 17h. Têm horário para banho, sol, alimentação e brincadeiras. Segundo Letícia, isso ajuda na adaptação e no bem-estar das aves.
“Aqui temos uma rotina, porque eles se criam assim. Eles se adaptam. Tem dia de tomar banho, tem dia para tudo. É rotina mesmo. O banho a gente pega a mangueira e molha, eles adoram”, conta.
Outro detalhe curioso é o comportamento das fêmeas. Segundo Letícia, elas costumam ser dominantes e escolhem o macho. “Essa espécie é a fêmea que manda. Ela bate se não gosta de alguma coisa, ela escolhe o macho. Essa ave não gosta de ficar muito tempo sozinha”, afirma.
Apesar da popularidade, o ring neck precisa ter origem legal. O biólogo Sérgio Barreto explica que o periquito-de-colar é uma ave exótica originária da África e da Ásia. A espécie ocorre naturalmente em países da África Central, Norte da África, Índia, Paquistão e regiões do sul asiático.
No Brasil, a criação é permitida, desde que a ave tenha procedência legal. O ideal é que o animal tenha anilha fechada de identificação, nota fiscal e venha de criadouro autorizado pelos órgãos ambientais.
A anilha funciona como uma espécie de documento da ave. Letícia conta que todos os pássaros dela têm identificação, o que ajuda inclusive em caso de perda.
O alerta é ainda mais importante, já que o Estado convive diretamente com casos de contrabando de animais e de criação ilegal de inúmeras espécies. Comprar uma ave sem procedência pode alimentar o tráfico e até levar à prisão.
Outro ponto essencial, segundo Sérgio, é que o ring neck não deve ser solto na natureza. Como não pertence à fauna brasileira, a ave pode causar impacto ambiental se for liberada.
“Mesmo sendo permitido em cativeiro quando legalizado, nunca deve ser solto na natureza. Espécies exóticas podem causar impactos ambientais importantes sobre a fauna brasileira. A compra deve ser feita apenas em criadouros regularizados para evitar tráfico de animais e problemas legais futuros”, alerta Sérgio.
Na prática, o ring neck pode até estar “hypado”, mas exige muito mais do que encantamento por vídeo de internet. Antes de comprar, é preciso pesquisar, conferir a documentação, entender a rotina e ter consciência.
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