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Sem atendimento no ProntoMed, pais recorrem a SUS e outros hospitais

Por Paula Vitorino | 01/03/2012 17:58

ProntoMed não realiza mais atendimentos do setor de pediatria a partir de hoje. Pacientes com convênios particulares devem procurar outras unidades

Mãe preferiu usar o atendimento do SUS ao invés de esperar em hospital particular. (Foto: Marlon Ganassim)
Mãe preferiu usar o atendimento do SUS ao invés de esperar em hospital particular. (Foto: Marlon Ganassim)

No primeiro dia sem atendimento de pediatras no ProntoMed da Santa Casa, os pais que precisaram do serviço de emergência tiveram de recorrer ao pronto-socorro do SUS (Sistema Único de Saúde) ou aos hospitais particulares São Lucas e da Criança.

O ProntoMed era responsável por cerca de 26 atendimentos diários pediátricos, mas a partir desta quinta-feira (1) não oferece mais o serviço.

Para os pais Marcos e Priscila, a melhor opção para o atendimento do filho de 2 anos foi o serviço no pronto-socorro do SUS da Santa Casa, depois de passarem por um hospital particular e irem até o ProntoMed, onde foram informados do fim dos atendimentos.

“Foi muito mais rápido e melhor ser atendido aqui do que se fossemos esperar no Hospital ”, diz o pai.

Eles procuraram primeiro o Hospital da Criança, por volta das 9h30, mas foram informados que o procedimento médico precisaria de um cirurgião, que só poderia atender no local às 14h.

“Tava lotado e íamos ter que esperar mais de três horas, aí procuramos o ProntoMed, que estava fechado, e acabamos preferindo ir para o atendimento do SUS ao invés de esperar no particular”, frisa o pai.

Embora o atendimento do garoto tenha sido realizado com tranqüilidade, a mãe ressalta que é revoltante pagar um plano de saúde e acabar usando o SUS. “A gente se senti uma palhaça, porque paga por uma coisa e quando precisa usar acaba tendo que recorrer ao SUS”, alerta.

O menino sofreu um corte na cabeça e precisou levar dois pontos no corte.

A reportagem conversou com outros pais que aguardavam o atendimento pelo SUS e afirmaram que não houve superlotação no local e o tempo de espera era de cerca de 30 minutos. Por volta das 11h30, apenas dois pacientes aguardavam para serem atendidos.

No Hospital da Criança, a responsável pela administração, Rosemere Carrareto, informou que o local é especializado em atendimentos de pronto-socorro e por isso atendimentos que requerem cirurgia ou outros procedimentos geralmente são repassados para outras unidades de saúde.

Cheios - Nos hospitais da Criança e São Lucas as recepções estavam lotadas de pacientes, mas a recepção dos locais informaram que o fluxo de atendimentos nesta manhã foi dentro do normal.

Em média, cada hospital informou que realiza cerca de 45 atendimentos por turno, entre consultas e atendimentos de emergência.

A mãe Hataiani Teixeira, de 26 anos, levou a filha de 1 ano e 8 meses no Hospital São Lucas e achou que o volume de pacientes aumentou

“Estava bem cheio hoje de manhã. Acho que com o fechamento do ProntoMed a tendência é aumentar ainda mais o fluxo de atendimentos”, frisa.

Mas para quem sempre optava pelo local, o número de pacientes não estava fora do normal na recepção e o fechamento do ProntoMed não deve interferir na rotina.

“Sempre optei por trazer minha filha aqui, então pra mim não faz muita diferença o fechamento do ProntoMed. Hoje está cheio, mas já vi dias com mais movimento”, pontua.

Fechamento - O fechamento do setor pediátrico do ProntoMed foi anunciado pela administração da Santa Casa no início de fevereiro.

De acordo com diretor-presidente da junta administrativa da Santa Casa, Issam Moussa, a medida foi tomada para cortar gastos do hospital, já que os médicos pediatras do setor eram os únicos celetistas, representando um gasto de R$ 80 mil na folha de pagamento.

Apesar dos atendimentos do ProntoMed serem voltados para os convênios particulares, era a Santa Casa quem pagava o salário desses profissionais.

“A Santa Casa não tem obrigação de ficar pagando para médico pediatra atender plano de saúde. Não tem que arcar com ônus desses pediatras. Se quiser atendimento, os planos de saúde vão ter que arcar com isso”, explicou Issam durante coletiva no dia 6 de fevereiro.

Para os atendimentos pediátricos contianurem, os pediatras e planos de saúde deveriam fazer um acordo sobre os salários. Dessa forma, os convênios arcariam com os gastos.

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