ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
MAIO, QUARTA  27    CAMPO GRANDE 23º

Capital

Vítima de feminicídio, Vanessa achava ter encontrado "o amor da vida", diz irmã

Welsa lembra início da relação de Vanessa e João Augusto; ele é julgado por matar a mulher e a filha Sophie

Por Silvia Frias e Gabi Cenciarelli | 27/05/2026 09:16
Vítima de feminicídio, Vanessa achava ter encontrado "o amor da vida", diz irmã
Welsa (branco) presta depoimento no júri enquanto o réu, João Augusto, permanece de cabeça baixa (Foto: Osmar Veiga)

A empresária Welsa Kenya, 28 anos, irmã de Vanessa Eugênia Medeiros, afirmou em depoimento que a vítima demonstrava felicidade no início do relacionamento com João Augusto Borges e chegou a dizer que tinha “encontrado o amor da vida dela”. Emocionada, lembrou dos momentos que antecederam a descoberta de que ela tinha sido assassinada.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A empresária Welsa Kenya, irmã de Vanessa Eugênia Medeiros, prestou depoimento no julgamento de João Augusto Borges, acusado de matar Vanessa e a filha Sophie em 26 de maio de 2025, em Campo Grande. Welsa relatou que a relação parecia normal e que a irmã dizia ter encontrado o amor da vida dela. O réu é acusado de matar as vítimas no horário do almoço e abandonar os corpos em uma área de mata, onde foram encontrados incendiados.

Welsa prestou depoimento durante o julgamento de João Augusto, 22 anos, que está sendo realizado esta manhã, na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande.

Ao responder os questionamentos da promotoria, Welsa lembrou que Vanessa e João ficaram juntos por aproximadamente dois anos e, pelo que a família via, a relação parecia normal, sem discussões aparentes ou sinais de que algo mais grave pudesse acontecer.

A irmã contou que Vanessa engravidou cerca de três meses após o início do relacionamento. Conforme Welsa, a notícia foi recebida com alegria pelo casal. “À primeira vista, foram muito felizes, foi tudo tranquilo”, contou.

Depois, a vítima se mudou de Chapadão do Sul para Campo Grande, alugou uma casa e passou a morar com o companheiro. Com a gravidez, no entanto, Vanessa teve enjoos frequentes, faltava ao trabalho e não conseguia mais manter a casa sozinha, porque os dias de ausência eram descontados. Foi então que João teria proposto que os dois morassem por um período na casa dos pais dele.

Vítima de feminicídio, Vanessa achava ter encontrado "o amor da vida", diz irmã
Camisa com rosto das vítimas não pode ser usada e Welsa virou peça do avesso (Foto: Osmar Veiga)

Durante o depoimento, Welsa também foi questionada sobre o comportamento de João. Ela disse que nunca ouviu falar que ele tivesse alguma doença, perturbação mental ou envolvimento com drogas.

Sobre o dia do desaparecimento, Welsa afirmou que recebeu mensagem de João por volta das 8h do dia 27 de maio. Ele dizia que Vanessa havia saído de casa, não tinha levado o celular e não havia voltado desde o dia anterior. A irmã disse que achou a situação estranha, porque Vanessa não costumava sair sem o aparelho.

Welsa contou ainda que tentou mandar mensagem para a irmã e percebeu que o celular estava online, mas João teria dito que era ele quem estava mexendo no aparelho. Diante da situação, ela orientou que ele procurasse a delegacia e avisou que pegaria um ônibus de Chapadão do Sul, onde mora, para ir a Campo Grande.

Ao ser questionada pelo advogado Lucas Brandolis, assistente de acusação, sobre o impacto de saber quem cometeu o crime, Welsa se emocionou. “Receber a notícia é como a gente pedir para que isso seja mentira, né? Seja apenas um trote ou algo do tipo, mas foi muito doloroso”, disse. Ela lembrou que também era madrinha de Sophie e afirmou que amava muito a criança e a irmã, caçula de três filhas.

“Foi como se tirasse um pedaço de mim”, declarou Welsa. “Porque você conviver, você ajudar a cuidar do início até ver a sua irmã crescendo, ela se arrumando, ver ela correndo atrás dos seus sonhos, é algo muito triste. É uma coisa que não se deseja para ninguém.” Segundo ela, a família era “muito unida”.

Vítima de feminicídio, Vanessa achava ter encontrado "o amor da vida", diz irmã
Sophie foi morta aos 10 meses de idade e, Vanessa, aos 23 anos, em maio do ano passado (Foto/Arquivo)

O crime aconteceu em 26 de maio de 2025, em Campo Grande. Segundo a investigação, Vanessa Eugênia Medeiros e a filha Sophie foram mortas por João durante o horário de almoço dele. Depois, ele voltou ao trabalho e, mais tarde, levou os corpos no porta-malas do carro até uma área de mata no Indubrasil, onde as vítimas foram deixadas e incendiadas. Elas foram encontradas durante a madrugada por um vigilante, que acionou a PM (Polícia Militar).

João foi preso horas depois, quando tentava registrar boletim de ocorrência pelo desaparecimento das duas.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.