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Capital

Veja quem é quem: “Buraco Sem Fim” levou 5 servidores e 2 empresários à prisão

Grupo é suspeito de fraudar contratos para a realização de tapa-buraco em Campo Grande

Por Anahi Zurutuza e Gabi Cenciarelli | 12/05/2026 15:51
Veja quem é quem: “Buraco Sem Fim” levou 5 servidores e 2 empresários à prisão
Operários trabalhando no tapa-buraco em rua de Campo Grande (Foto: PMCG/Divulgação)

A Operação “Buraco Sem Fim”, desencadeada nesta terça-feira (12) pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), braço investigativo do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), levou para a cadeia servidores ligados à Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), um ex-secretário da Prefeitura de Campo Grande e empresários investigados por suposto esquema de fraudes em contratos de tapa-buraco na Capital.

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A Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, prendeu servidores da Sisep, o ex-secretário de Infraestrutura Rudi Fiorese e empresários suspeitos de fraudes em contratos de tapa-buraco em Campo Grande. O esquema envolve manipulação de medições e pagamentos por serviços não realizados. Entre 2018 e 2025, a empresa investigada acumulou R$ 113,7 milhões em contratos públicos. R$ 429 mil em espécie foram apreendidos.

Todos os presos foram levados para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada) e passarão por audiência de custódia a partir das 8h30 desta quarta-feira (13), quando a Justiça avaliará a legalidade e necessidade de manutenção das prisões preventivas (por tempo indeterminado).

Entre os alvos, estão cinco nomes já conhecidos de investigações já conduzidas pelo Gecoc. Parte deles havia sido alvo da Operação Cascalhos de Areia, deflagrada em 2023, para apurar suspeitas de irregularidades em contratos ligados à manutenção de ruas sem asfalto na cidade.

Veja quem é quem: “Buraco Sem Fim” levou 5 servidores e 2 empresários à prisão
Da esquerda para a direita, Mehdi Talayeh, Erik Valadão, Rudi Fiorese, Edivaldo Pereira e Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa (Fotos: Arquivo, Linkedin, Divulgação, Juliano Almeida e Bruna Marques, respectivamente)

Foram presos: Mehdi Talayeh, engenheiro da Sisep; Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, servidor da pasta; Fernando de Souza Oliveira, servidor licenciado da Sisep; e Rudi Fiorese, ex-secretário municipal de Infraestrutura entre 2017 e 2023.

Outro alvo da operação é Edivaldo Aquino Pereira, coordenador do serviço de tapa-buraco da Prefeitura de Campo Grande. Conforme mostrou o Campo Grande News mais cedo, ele já havia aparecido nas investigações da Cascalhos de Areia e, depois da operação de 2023, passou a atuar como fiscal do contrato de aquisição de CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), material usado no recapeamento e tapa-buraco da cidade.

Equipes do Gecoc estiveram na casa de Edivaldo, no Bairro Tiradentes, durante a manhã. O filho dele também foi levado para a delegacia após os investigadores localizarem droga no imóvel.

No caso do engenheiro Mehdi Talayeh, a prisão preventiva foi decretada pelo Núcleo de Garantias no dia 29 de abril, dentro de procedimento sigiloso.

Desde 2020, Mehdi aparece nos registros da Sisep como servidor comissionado. No Portal da Transparência da prefeitura, os salários declarados variaram entre cerca de R$ 4 mil e R$ 20 mil ao longo dos anos. Desde fevereiro deste ano, porém, não há mais lançamentos de remuneração em nome dele, embora também não exista publicação oficial de exoneração.

Já Rudi Fiorese voltou ao centro das investigações três anos após deixar o comando da Sisep. O ex-prefeito Marquinhos Trad (PV) saiu em defesa do ex-secretário e afirmou ter “certeza” da correção da conduta dele.

Também foram presos os empresários Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Construtora Rial Ltda, e Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, que é pai do empreiteiro.

O Gecoc cumpriu ainda 10 mandados de busca e apreensão, 7 deles nas casas dos investigados, na sede da Sisep, que fica no Jardim Monumento, e na construtora.

A investigação – Segundo o MPMS, a investigação aponta existência de organização criminosa voltada à fraude sistemática na execução dos serviços de manutenção de vias públicas. O esquema envolveria manipulação de medições, pagamentos por serviços não executados e desvio de dinheiro público.

Durante a operação, os investigadores apreenderam R$ 429 mil em dinheiro vivo.

Ainda conforme o Gecoc, levantamento mostra que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada acumulou contratos e aditivos que somam R$ 113,7 milhões com o poder público. Mandados também foram cumpridos dentro da Sisep.

As defesas de Rudi Fiorese, dos empresários, do engenheiro e dos investigados Erick e Fernando informaram na porta do Cepol que ainda não tiveram acesso integral aos autos e por isso não se manifestariam por enquanto.

A Prefeitura de Campo Grande foi procurada pela reportagem e ainda não havia se manifestado até a publicação desta matéria.