Vila Progresso só no nome? Moradores reclamam que o bairro regrediu
Apesar de perfil comercial, quem ainda mora no local diz que o bairro hoje conhecido pela insegurança
Apesar de levar “progresso” no nome, moradores afirmam que um dos bairros pioneiros de Campo Grande parou no tempo. Criada como parcelamento particular na década de 1970, a Vila Progresso teve o loteamento aprovado em três fases, mas hoje, segundo quem vive e trabalha na região, a realidade está distante do significado que batiza a área.
RESUMO
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Moradores e comerciantes da Vila Progresso, bairro pioneiro de Campo Grande, relatam abandono do poder público, ruas esburacadas e aumento da criminalidade. Com o passar dos anos, o perfil residencial cedeu lugar a indústrias e galpões, esvaziando a região. Apesar de melhorias pontuais, os entrevistados afirmam que o bairro regrediu. A Prefeitura de Campo Grande foi contactada, mas não respondeu.
De acordo com a Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável ), a primeira fase começou a ser desenvolvida em 1965, mas só foi aprovada em 1970. Já a segunda e a terceira fases tiveram aprovação em 31 de outubro de 1972. O nome foi definido pelos próprios proprietários responsáveis pelo loteamento.
Moradora desde que nasceu, Dejanira da Silva Gonçalves, de 55 anos, acompanha de perto as transformações do bairro ao longo das décadas. Se antes a região carecia de infraestrutura básica, hoje o cenário, segundo ela, mistura avanços pontuais com abandono.
Com o passar dos anos, a região registrou mudanças urbanas como a chegada do asfalto, rede de esgoto e empresas. No entanto, quem vive ou trabalha na Vila Progresso relata um cenário de abandono.
Se antes a região carecia de infraestrutura básica, hoje o cenário, segundo ela, mistura avanços pontuais com abandono.
“Quando eu era pequena, aqui não tinha nem asfalto. Não tinha nada. Na frente da minha casa havia uma placa escrita ‘casa de família’. Era para não ter erro de entrar ninguém, porque tinham muitas casas de prostituição”, relembra.
Com o passar dos anos, a dinâmica mudou. As antigas casas deram lugar a comércios e galpões, e o perfil residencial perdeu espaço. Apesar de reconhecer melhora na segurança em relação ao passado, Dejanira critica a precariedade dos serviços públicos.
Para ela, o nome do bairro já não condiz com a realidade atual. “Até uns anos atrás podia até se chamar Progresso. Mas, de um tempo para cá, a vila está muito abandonada. Foi regredindo bastante”, avalia.
Comerciante há duas décadas na região, Amauri Carlos Amaro, de 51 anos, também testemunhou mudanças significativas. Ele lembra que, quando chegou, a área ainda era marcada por mato e pouca ocupação. “Mudou muita coisa, aqui era mato, agora é tudo indústria. Melhorou bem”, afirma.
Apesar disso, Amauri aponta problemas que impactam o dia a dia de quem circula pelo bairro. “Agora, o nosso problema são os buracos. Não dá para sair de carro direito, a situação está feia”, relata.
Segundo ele, a transformação do bairro em área predominantemente comercial afastou os moradores. “Tem poucas casas. Muitos abandonaram ou venderam porque não dá para morar. Muita gente foi embora”, explica.
A sensação de insegurança também persiste. “É muita roubalheira. Aqui nas indústrias mesmo é direto roubado. Já roubaram umas cinco, seis vezes”, conta.
Questionado sobre o progresso da região, ele é direto: “Está parado no tempo. Não está como o povo fala, não”. Ainda assim, acredita que há solução. “Dava para melhorar, basta o poder público querer”, completa.
A realidade também é vivida por José Prata, de 78 anos, dono de um depósito de reciclagem. Ele chegou ao bairro por meio de um negócio e acabou fixando suas atividades no local. “Comprei uma borracharia de um amigo, fiquei cinco anos e depois abri a empresa de reciclagem”, conta.
Mesmo com anos de atuação na região, José relata episódios frequentes de criminalidade. “Aqui tem muito ladrãozinho. Já fui assaltado três vezes. Aqui do lado, cinco, e o vizinho, duas”, afirma, ao destacar a repetição de ocorrências na vizinhança.
Já para a moradora Jurema Ferreira, de 70 anos, o bairro apresenta um cenário mais positivo, apesar das mudanças no perfil. “Agora ficou bom”, resume.
Ela reconhece, no entanto, que a Vila Progresso deixou de ser uma área predominantemente residencial. “Acho que ficou só para isso mesmo, para firma. Só constroem galpão grande. Não tem mais casa”, observa.
Em nota, a Prefeitura afirmou que a unidade de saúde mantém atendimento regular à população da Vila Progresso, com equipes de Saúde da Família completas e profissionais médicos vinculados.
"Eventuais ausências por férias ou licenças são situações pontuais e previstas na rotina administrativa, sendo gerenciadas para reduzir impactos na assistência. A unidade segue prestando atendimento conforme os protocolos e diretrizes do Sistema Único de Saúde", diz o texto.
Sobre consultas e exames, a Sesau afirma que os agendamentos acontecem normalmente, conforme os fluxos e disponibilidades da rede, com exames regulados pelo critério do SUS (Sistema Único de Saúde).
Ainda conforme a Prefeitura, o serviço de tapa-buracos na Vila Progresso está na programação das equipes.
(*) Matéria editada às 15h07 para acréscimo de nota.
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