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Trabalhadores chegam ao 1º de Maio com renda estagnada e planos adiados

Setores instáveis, aumento de preços e falta de reajuste salarial são fatores que causam insegurança

Por Ketlen Gomes, Geniffer Valeriano e Izabela Cavalcanti | 01/05/2026 08:31
Trabalhadores chegam ao 1º de Maio com renda estagnada e planos adiados
Técnico instalador, Salatiel voltou ao trabalho após período parado devido a uma fratura no pé. (Foto: Osmar Veiga)

Apesar da desaceleração da inflação anual, de 4,83% em 2024 para 4,26% em 2025, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), trabalhadores apontam que ter um emprego já não é garantia de estabilidade financeira. Isso porque, segundo relatos, os salários não acompanharam as oscilações da inflação nos últimos anos.

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Apesar da queda da inflação para 4,26% em 2025, trabalhadores brasileiros relatam dificuldades financeiras, pois os salários não acompanharam a alta dos preços nos últimos anos. Alguns estão sem reajuste há sete anos. O salário mínimo subiu 6,7%, para R$ 1.621, mas nem todos sentiram ganho real. Relatos incluem venda de bens para pagar dívidas, custo de vida elevado e necessidade de reeducação financeira para equilibrar o orçamento.

O salário mínimo teve reajuste anual acima da inflação, com aumento de 6,7%, passando de R$ 1.518 para R$ 1.621. No entanto, nem todos os trabalhadores tiveram ganho real no último ano. Alguns afirmam estar sem reajuste salarial há sete anos, o que compromete o orçamento e exige maior controle financeiro para pagar as contas em dia e manter momentos de lazer, sem margem para investimentos de longo prazo ou viagens, por exemplo.

Comerciante, Adeilda Barbosa, de 46 anos, afirma que a instabilidade financeira exige cautela com os gastos mensais. “Não tem estabilidade financeira, porque ao mesmo tempo que você tem trabalho, de repente não tem, são muitos altos e baixos”, destaca.

A dificuldade também foi enfrentada por Salatiel Burton, técnico instalador de 27 anos, que fraturou o pé e ficou seis meses sem trabalhar. Ele relata que o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) demorou para aprovar o benefício, o que o obrigou a vender um bem para quitar dívidas.

“Eu passei por um aperto, eu tinha um terreno e um apartamento, quando fiquei parado precisei vender o terreno porque o apartamento eu comprei na planta e as contas foram acumulando e eu estava sem renda, ainda tinha que pagar aluguel. Para mim, o que deixa mais difícil a gente conquistar o que queremos é que as contas são altas e o salário é pouco”, relata.

Trabalhadores chegam ao 1º de Maio com renda estagnada e planos adiados
Beatriz relata que agora tem conseguido "caminhar", mas passou anos estagnada e sem estabilidade. (Foto: Osmar Veiga)

A atendente Beatriz Matos, de 34 anos, diz que, após 10 anos no mercado formal, começou a “caminhar”, mas passou anos estagnada. “Acho que hoje em dia o custo de vida é muito alto, talvez se o imposto fosse mais baixo ajudaria a gente a conquistar o que queremos”, opinou.

Mesmo com as dificuldades, trabalhadores relatam alcançar, aos poucos, o que definem como “mínimo de estabilidade”. Jair Roberto, encanador e músico de 40 anos, afirma que o mercado está volátil, tanto na construção civil quanto na música.

Como prestador de serviços, a renda dele varia conforme a demanda e o valor pago pelos clientes. “Eu tento planejar tudo certinho, mesmo assim, às vezes ainda sai do contexto do planejamento, vai conforme o dia e as coisas vão acontecendo. Fala pra mim, que brasileiro que não têm dívida?”, disse, ao comentar com integrantes da banda, que também relataram pendências financeiras.

Colega de Jair na banda Pegada de Macaco, o funcionário público e músico Davis Vicente, de 42 anos, afirma que também passou por um período de dívidas e atualmente está quitando os débitos. O técnico de enfermagem diz que precisou de reeducação financeira e pessoal para reorganizar as contas. Apesar da estabilidade do serviço público, ele avalia que ainda há espaço para melhora salarial.

Trabalhadores chegam ao 1º de Maio com renda estagnada e planos adiados
Grupo Pegada de Macaco se apresenta em Marca da Classe Trabalhadora 2026. (Foto: Maya Severino)

“O que acontece no serviço público é que quanto mais você ganha, mais empréstimo aparece. Então se você não tiver um emocional legal, você acaba sujando o nome. Inclusive eu estou com meu nome sujo e terminando de limpar, mas levou tempo pra isso, precisei fazer uma educação financeira”, comenta.

O serviço público também trouxe estabilidade para José Mônaco, de 61 anos. Ele conta que, em 1998, contraiu um empréstimo de R$ 20 mil após ficar sem salário e acabou endividado. Após ingressar no funcionalismo, conseguiu regularizar as contas, mas diz que o orçamento segue apertado, voltado basicamente para despesas essenciais e lazer pontual.

“Faz uns sete anos que a gente não tem reajuste, e o custo de vida só aumenta. O básico está caro. Na compra no mercado, antes eu gastava R$ 250 por semana e, nesta semana, fui lá e deu R$ 400 e pouco”, diz ao comentar a mudança no custo de vida atualmente.

Trabalhadores chegam ao 1º de Maio com renda estagnada e planos adiados
Em 1º de maio de 1886, milhares de trabalhadores entraram em greve em várias cidades americanas

1º de maio

O Dia do Trabalhador tem origem nos Estados Unidos, no fim do século XIX, quando a industrialização avançava sem quase nenhuma regra. Jornadas de até 14 ou 16 horas por dia eram comuns, inclusive para mulheres e crianças. A reivindicação central era simples e direta: limitar o trabalho a oito horas diárias.

Em 1º de maio de 1886, milhares de trabalhadores entraram em greve em várias cidades americanas, com epicentro em Chicago. A paralisação ganhou força nos dias seguintes e culminou em um protesto na praça Haymarket, em 4 de maio. O ato terminou em confronto após a explosão de uma bomba e a repressão policial. O episódio deixou mortos e feridos e resultou na condenação de lideranças operárias, mesmo sem provas claras de envolvimento.

O caso ficou conhecido como a Revolta de Haymarket e virou um marco da luta trabalhista. A repressão, longe de encerrar o movimento, deu visibilidade internacional à causa da jornada de oito horas.

Em 1889, durante um congresso da Segunda Internacional, realizado em Paris, foi proposta a criação de uma data anual para lembrar a mobilização dos trabalhadores e reforçar suas reivindicações. O 1º de maio foi escolhido em referência direta às greves de 1886.

A partir daí, a data passou a ser adotada em diversos países como símbolo de luta por direitos trabalhistas, e não apenas como uma comemoração. Ao longo do século XX, o 1º de Maio também se consolidou como momento de manifestações, negociações e anúncios de políticas voltadas ao trabalho.

No Brasil, o 1º de Maio começou a ser celebrado por movimentos operários ainda no início do século XX, com forte influência de imigrantes europeus. A data ganhou caráter oficial em 1925, durante o governo de Artur Bernardes.

Mais tarde, na era de Getúlio Vargas, o Dia do Trabalhador passou a ser utilizado também como instrumento político. Foi em um 1º de maio, em 1943, que o governo anunciou a criação da Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, reunindo normas sobre direitos como férias, salário mínimo e jornada de trabalho.

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