Com Shein sem taxas, lojistas voltam ao “comércio no gogó” e promoções no Centro
Vendedores apostam em proximidade e experiência presencial para manter vendas
RESUMO
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Comerciantes do Centro de Campo Grande avaliam o impacto do fim da taxa de importação para compras internacionais de até 50 dólares, medida assinada pelo presidente Lula que extinguiu o imposto federal de 20% criado em 2024. Lojistas da Rua 14 de Julho apostam em promoções, atendimento presencial e redes sociais para competir com plataformas estrangeiras, destacando que custos fixos como aluguel e impostos dificultam a disputa com o comércio digital.
O fim da chamada “taxa das blusinhas” reacendeu uma preocupação antiga entre comerciantes do Centro de Campo Grande: como competir com sites internacionais que vendem barato, entregam rápido e agora também ficaram livres do imposto federal para compras de até US$ 50.
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Na manhã desta quarta-feira (13), lojas da Rua 14 de Julho já discutiam o impacto da medida e tentavam entender se o consumidor vai voltar ainda mais forte para as plataformas digitais ou se o comércio físico conseguirá manter espaço apostando em atendimento, promoções e contato direto com o público.
A mudança foi anunciada pelo Governo Federal na noite de terça, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou medida provisória zerando o imposto federal de importação para compras internacionais de até US$ 50. A cobrança de 20%, criada em 2024 e apelidada de “taxa das blusinhas”, atingia roupas, acessórios, eletrônicos e outros produtos populares vendidos em plataformas estrangeiras.
Para o comerciante Luiz Bento, de 62 anos, a concorrência com a internet já faz parte da rotina do Centro há bastante tempo, mas ele acredita que a experiência presencial ainda pesa na decisão de muitos consumidores.
Segundo ele, o cliente continua valorizando a possibilidade de pegar o produto na mão, conferir tamanho, qualidade e sair da loja com a compra pronta, sem precisar esperar entrega ou correr risco de receber algo diferente do anunciado na internet.
Bento afirma que o comércio da região precisou se reinventar nos últimos anos, principalmente após a chegada das lojas populares administradas por chineses, que, na avaliação dele, ajudaram a manter o fluxo de consumidores no Centro.
“Se não fossem essas lojas hoje, o Centro estava acabado”, resume. Para enfrentar a concorrência digital, ele diz que comerciantes passaram a resgatar estratégias antigas de venda, como o uso de locutores na porta das lojas para chamar atenção de quem passa pela rua. “É um marketing antigo, mas funciona. A pessoa entra por causa de uma promoção e acaba levando outras coisas”, afirma.
Mesmo sem apostar nas vendas online, ele acredita que o atendimento presencial continua sendo o principal diferencial das lojas físicas, especialmente para consumidores mais velhos ou para quem busca produtos que precisam ser testados antes da compra. “O comércio físico nunca vai acabar. A pessoa quer ser atendida, quer conversar, quer ajuda”, diz.
Na loja de roupas onde trabalha na 14 de Julho, a gerente Ana Cláudia Martinez Corrêa, de 28 anos, admite que a queda do imposto aumenta a pressão sobre os comerciantes. Segundo ela, a internet já virou o primeiro lugar onde muitos consumidores pesquisam preços antes de sair de casa, o que obrigou o comércio tradicional a mudar a forma de atrair clientes.
Ela conta que a estratégia da loja passou a incluir promoções mais visíveis, montagem de kits de roupas e exposição de peças logo na entrada para tentar chamar atenção de quem circula pelo Centro.
“O pessoal passa e olha muito o que chama atenção na frente da loja. Então temos que conquistar aos poucos”, explica. Além disso, a presença nas redes sociais se tornou praticamente obrigatória. “A gente começou a postar bastante no Instagram. Hoje praticamente precisa de uma pessoa só para cuidar disso”, relata.
Para Ana Cláudia, a percepção de perda de clientes para a internet ficou mais forte desde dezembro, quando aumentou o número de consumidores dizendo que iriam pesquisar online antes de comprar. Ainda assim, ela afirma que o comércio físico tenta sobreviver apostando em proximidade e relacionamento. “Tem que conversar, fazer amizade, chamar o cliente para dentro da loja”, comenta.
Na Rede Preço Único, a vendedora Emily Gonzaga, de 24 anos, avalia que o impacto do fim da taxa varia conforme o perfil da loja. Nos estabelecimentos que trabalham com preços muito baixos conseguem enfrentar melhor a concorrência das plataformas estrangeiras, embora a disputa continue desigual por causa dos custos que existem apenas no comércio físico.
“Quem vende pela internet tem menos despesas. Loja física paga aluguel, água, luz e imposto. Isso quebra bastante o lucro”, afirma. Para continuar competitiva, a loja investe tanto em divulgação nas redes sociais quanto em estratégias mais tradicionais para atrair movimento. “A gente faz vídeos, divulga no Instagram e ainda usa locutor na porta”, diz.
Apesar da concorrência crescente do comércio online, Emily afirma que o fluxo de consumidores na loja continua alto, principalmente entre clientes mais velhos, que ainda preferem experimentar os produtos e sair da loja com a compra pronta. “O pessoal mais antigo gosta de ver o produto pessoalmente e experimentar antes de comprar”, termina.
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