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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

25/12/2008 12:26

Rebelados serão transferidos para presídio federal

Redação

Os sete presos transferidos ontem para a sede do Garras (Grupo Armado de Repressão e Resgate a Assaltos e Seqüestros) serão levados para o Presídio Federal de Campo Grande ou de Catanduvas (PR), segundo informou o Secretário de Segurança do Estado, Wantuir Jacini.

De acordo com o secretário, a transferência será em no máximo cinco dias. "Temos essas vagas reservadas na unidade federal e depende apenas da autorização do juiz competente".

Os sete detentos apontados como líderes da rebelião que durou cerca de cinco horas são: Tiago Lima, Luiz Paulo Pereira Gomes, Willian Gomes, os irmãos José Femianos Neto e Carlos Eduardo Cruz, Osmar Pereira da Silva e Cleber Lemos da Conceição.

Ontem, o Campo Grande News conseguiu conversar com um deles, instantes antes do motim ser controlado.

O homem, de 34 anos, disse pelo celular que os detentos não aceitam a transferência de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) para o Instituto Penal.

Segundo ele, dois membros da facção têm, inclusive, "regalias", como o direito de trabalhar, com livre acesso aos corredores e pavilhões. "Desse jeito, qualquer um consegue dominar o presídio", reclamou o porta-voz do grupo de rebelados na noite de ontem.

A rixa entre o IPCG e o Primeiro Comando começou em 2006, quando os internos do Instituto se negaram a participar de rebelião orquestrada pelo PCC no Dia das Mães.

Uma das regras, impostas para a "paz" no presídio, relataram os presos, era nenhuma transferência do PCC, o que foi quebrado este ano. "Esse diretor novo entrou e resolveu aceitar esses caras. Daí é pau", comentou o preso que ontem pediu para ser identificado como "Sossegado".

Explicações - O diretor da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), Deusdete Souza Filho, confirmou que a briga dos dois grupos pelo domínio do estabelecimento foi o que motivou a rebelião.

Os nomes dos integrantres do PCC não foram divulgados, mas o Campo Grande News apurou que por volta das 18 horas de ontem, dois foram transferidos do IPCG diante do risco de morte de ambos.

Segundo os rebelados, o maior "inimigo" é Milton da Mota Júnior. Ele também é citado como cantineiro do IPCG, preso escolhido pela direção por bom comportamento.

Vistoria - Neste momento, agentes do presídio fazem novo confere, a contagem dos presos que continuam no IPCG. De acordo com um agente, um interno ainda não foi encontrado após o motim.

Ele estaria escondido dentro do próprio estabelecimento. O diretor do Instituto, Tarley Barbosa, confirma o "sumiço" de alguns presos depois do tumulto, mas disse que pela lista de nomes de internos todos já foram encontrados.

Aproximadamente 1034 internos cumprem pena no estabelecimento que possui capacidade para apenas 290.

Na manhã desta quinta-feira, o governador André Puccinelli esteve no IPCG, junto com o secretário de Justiça e de Segurança Pública. Jacini admitiu a transferência de membros do PCC para o Instituto.

O sindicato dos agentes penitenciários também denunciou ontem ter alertado a Sejusp sobre a tensão no IPCG, há pelo menos 10 dias. A entidade também atribui o motim a entrada do Primeiro Comando no IPCG.

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