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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

09/07/2016 18:32

Suicídio de jovens indígenas é pandemia em locais de MS, aponta relatório

Maira Heinen, da Agência Brasil

Os índices brasileiros de suicídio na faixa de 9 a 19 anos ainda são baixos se comparados a outros países. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, entre 90 países, o Brasil ocupa o 43º lugar. O México está em primeiro na lista.

Mas as estatísticas vem aumentando lentamente. Entre 2003 e 2013, a média do Brasil saiu de 1,9 em 100 mil crianças e adolescentes para 2,1 em 100 mil. Os números integram o relatório sobre violência letal contra crianças e adolescentes no Brasil, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, a Flacso.

Os dados ficam mais preocupantes quando a análise recai sobre populações indígenas. Em alguns locais revelam uma verdadeira pandemia, como define o próprio relatório. Municípios do Amazonas e do Mato Grosso do Sul estão no topo da lista de suicídios entre crianças e adolescente indígenas.

Em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, a taxa de suicídios na década analisada foi de 33,3% na faixa etária de 10 a 19 anos. Em Tacuru, no Mato Grosso do Sul, o índice chegou a 100%.

Para a antropóloga Lúcia Helena Rangel, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e coordenadora do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, do Conselho Indigenista Missionário, é preciso analisar contextos de cada local para apontar possíveis causas para os suicídios nessas populações.

“Por um lado você tem essas situações de vida urbana, de racismo, de discriminação. E o outro é o contexto de violência”, diz Lúcia.

O Relatório de violência contra indígenas 2014 apontou 135 casos de suicídio entre indígenas em diversas regiões do país. Noventa por cento entre jovens indígenas de 10 a 29 anos.

Na opinião de Julio Jacobo, autor do estudo da Flacso, o suicídio vem num ambiente de não aceitação, tanto nas cidades, quanto nas aldeias.

“São crianças e jovens que estão entre dois mundos: Foram alfabetizados. Na cidade não são admitidos como cidadãos plenos, na cidade são índios e nas aldeias são citadinos. São imigrantes na cidade e imigrantes nas aldeias indígenas”, ressalta Jacob.

A pesquisa utilizou dados do Sistema de Informações de Mortalidade, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e analisou outros índices, como homicídios e mortes por acidentes de trânsito entre crianças e adolescentes.



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