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Cidades

Suspeito de chefiar esquema financia candidatos e tem contratos milionários

Por Ricardo Campos Jr. | 09/07/2015 17:33
João Amorim deixa delegacia da Polícia Federal em Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio)
João Amorim deixa delegacia da Polícia Federal em Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio)

A Polícia Federal tem indícios de que João Alberto Krampe Amorim dos Santos, dono da Proteco Engenharia, estava à frente do esquema que motivou a operação Lama Asfáltica, desencadeada nesta quinta-feira (9). Ele é conhecido por sempre tocar as grandes obras que envolvem contratos milionários, como o Aquário do Pantanal.

O empresário, segundo a polícia, é suspeito de fraudar as licitações com a ajuda de servidores públicos e donos de outras companhias.

João Amorim figura no cenário político de Mato Grosso do Sul desde que foi tesoureiro da campanha de André Puccinelli (PMDB) para a prefeitura em 1996 e 2000. Ele também coordenou a campanha da irmã Antonieta Amorim (PMDB) para a Assembleia Legislativa em 2014.

Conforme prestação de contas das eleições de 2014 e 2012, a Proteco fez doações no valor de R$ 1.452.791,78 para Maria Antonieta e de R$ 1,4 milhão para o Comitê Financeiro Único do PMDB quando Edson Giroto foi candidato a prefeito.

Matéria publicada pela Revista Veja em setembro de 2010 aponta que, segundo suspeitava o MPF (Ministério Público Federal), foi a partir da participação nas corridas eleitorais que ele passou a ser beneficiado com os contratos.

Denúncia encaminhada ao MPE (Ministério Público Estadual) em dezembro de 2014 aponta que Amorim já “abocanhou” mais da metade das obras com recursos do Fundersul (Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul).

Ofício encaminhado pela prefeitura à promotoria que cuida do caso informa que a Proteco atualmente detém três licitações para obras ainda em andamento na cidade cujos valores somam R$ 14.864.231,30.

A LD Construções Ltda., que também foi alvo da operação Lama Asfáltica e pertence ao genro de João Amorim, detém outras cinco obras na Capital com valores que chegam a R$ 15.859.603,65, segundo os arquivos do processo. O montante não inclui o contrato da coleta de lixo, que prevê faturamento de R$ 1,3 bilhão em 25 anos.

Um desses serviços é o tapa-buraco na cidade, que gerou polêmica em fevereiro quando moradores flagraram funcionários da Proteco supostamente jogando pavimentação em pontos onde não havia crateras. Esse contrato movimenta milhões de reais por ano. Para 2015, o orçamento previsto foi definido em R$ 137.488.419 para tampar 11.976.588 metros quadrados de fendas.

O empresário esteve na sede da Polícia Federal nesta tarde e não quis falar com a imprensa.

Operação Lama Asfáltica - O esquema deu prejuízo de ao menos R$ 11 milhões dos cofres públicos. De acordo com a PF, foram fiscalizados contratos de R$ 45 milhões. Ainda conforme a polícia, a organização criminosa era “especializada em desviar recursos públicos, inclusive federais”.

Foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão no desenvolvimento da ação. Entre os locais visitados pelos agentes estão as casas de João Amorim, do ex-secretário de obras Edson Giroto e do ex-secretário municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação, João Antônio De Marco.

Também foram apreendidos R$ 210 mil, R$ 195 mil em cheques, US$ 100 mil e 3 mil euros, além de computadores e documentos, também foi apreendida uma obra de arte.

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