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13/08/2019 06:26

A cirurgia plástica é filha da guerra

Mário Sérgio Lorenzetto
A cirurgia plástica é filha da guerra

A cirurgia plástica teve sua origem na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). O impacto da metralhadora - uma nova arma - tinha transformado os rostos dos soldados de uma tal maneira que, uma vez terminado o conflito, foi impossível sua integração social. Eram milhares os que continuaram vivos com os rostos destroçados. Muitos decidiram acabar com a vida antes de sofrer o trauma de enfrentar os olhos de suas famílias. Os que tentaram retornar à vida laboral, o fizeram em oficinas distantes das cidades e em locais sem espelhos.

A cirurgia plástica é filha da guerra

"Nos veremos ali acima".

Há um recente livro que trata dessa pauta. Seu título é "Nos vemos alla arriba" é uma obra mestra do francês Pierro Lemaitre. Conta agilmente a história de uma amizade forjada na guerra. Em seu cerne está a mutilação do rosto de um jovem artista que criara máscaras para ocultar a mutilação de seu rosto. O livro é absorvente e recomendável. Está baseado na realidade mais crua: a da destruição bélica. Mas não há plano de expô-la aqui.

A cirurgia plástica é filha da guerra

Harold Gillies, o primeiro cirurgião plástico.

Gillies era médico do exército da Inglaterra. Terminada a guerra Gillies se dedicou, com êxito, à reconstrução facial dos feridos. Tudo começou quando chegou ao hospital londrino, onde Gillies trabalhava, um oficial de nome William Spreckley. Em seu rosto destacava a ausência do nariz e a erosão da carne ao redor dos lábios. Gillies aplicou com resolução uma técnica hindu denominada "enxerto frontal". Levou três anos trabalhando no rosto do tenente Spreckley. Utilizou a cartilagem de uma das costelas do tenente e, antes de implantá-la em seu rosto, envolveu em uma camada de mel. Era uma tentativa de afastar as bactérias que causariam infeções. Ainda não existiam os antibióticos.
Esperaram por meio ano que o corpo não rechaçasse o implante. E a partir daí começou a reconstrução de um novo nariz, seguindo técnicas de um escultor e não de um médico. No final, não havia nem sombra da destruição do rosto de Spreckley. Foi um enorme sucesso.

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