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Em Pauta

Confiamos mais nos robôs para cirurgias do coração do que para gerir finanças

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 28/05/2017 07:00
Confiamos mais nos robôs para cirurgias do coração do que para gerir finanças

Incrível mundo novo. Uma pesquisa desenvolvida pelo HSBC em todo o mundo com 12 mil consumidores concluiu que 14% dos humanos estão dispostos a realizar uma cirurgia em seus corações comandada única e exclusivamente por robôs. Todavia, apenas 7% aceitam o gerenciamento de suas finanças pelas máquinas. O resultado está fazendo com que o banco britânico repense sua estratégia de investir milhões em libras com novas soluções tecnológicas.
A pesquisa também mostra que quatro pessoas em cada cinco acreditam que a tecnologia pode facilitar-lhes a vida. Só que as tecnologias para a área financeira ainda não ganharam a confiança dos clientes. Um alento para os bancários que viam seus empregos desmanchando no ar.

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A educação brasileira é uma máquina que não consegue produzir.

Imagine uma máquina que custe R$ 6 mil por ano enxada produz. Esse é o retrato financeiro de nossa educação. O custo por aluno em uma escola do governo em meio período é de R$6 mil por ano. Em período integral, o gasto sobe 40%, indo para R$ 8,4 mil.
Abandono, desistência e evasão escolar fazem o país perder incríveis R$ 23 bilhões anualmente. São custos com escolas, professores, uniformes e alimentação jogados no lixo, sem contar o desperdício intangível. A nossa educação é como um jogo de tabuleiro em que, quando se está andando, é preciso voltar três casas para trás.

Confiamos mais nos robôs para cirurgias do coração do que para gerir finanças

Vontade é mais importante que dinheiro para a educação brasileira.

Algumas provas de que a vontade de ensinar tem peso maior que o dinheiro podem ser encontradas em experiências espalhadas pelo país, em Estados com receitas menores que as do rico Sudeste. As dez melhores escolas públicas de ensino fundamental 1, segundo o Ideb, são todas do Ceará, com notas excelentes que vão de 9,3 a 9,8. Todas as dez melhores do ensino fundamental 2 são de Pernambuco, Ceará e Bahia. A única exceção de outra região nessa lista de excelência é o Colégio Militar de Curitiba.
Há inúmeras estratégias para os bons resultados. Entre elas, o ensino de tempo integral com reforço escolar e avaliações semanais, a base do planejamento da semana seguinte. Em Sobral, que tem quatro escolas entre as dez melhores do país no fundamental 1, também se destacam ferramentas de gestão, autonomia das escolas e gratificações por desempenho.