De “torta nauseabunda” a ícone mundial: o triunfo da pizza
O pobre Gennaro Majello não aguentava mais. O napolitano só queria comer e ganhar seu próprio sustento. Mas tinha de manter fechada sua pequena loja durante muitos meses. Não podia abri-la por medo de que os franceses fossem nela jantar e não pagar, como sempre faziam. Foi a súplica que ele escreveu ao rei da França em 1.799. Na falta de clientes, só acumulava dívidas e temia passar do fogão à cela. Foi assim que buscou ajuda pelos mal tratos dos soldados franceses. Mais de dois séculos depois, o episódio ainda desperta compaixão, mas esconde outro interesse muito maior: é a primeira vez que escreveram uma menção a uma pizzaria.
Até meados do século passado, era comida exótica.
Teus avós certamente lembram: a pizza era uma comida exótica até meados do século passado. Os historiadores lembram que existem algumas menções que podem levar a algo que se assemelhasse a uma pizza. A “Eneida” do grande Virgílio, diz que diante da escassez de viveres, eram obrigados a comer “menses”, um prato feito de pão. Do Egito à Grécia, do império persa ao chinês, em quase todos os tempos e lugares levaram ao forno misturas parecidas a uma pizza. Uma mera mistura de farinha e água que não precisa de cuidados e pode ser condimentada. Mas só a de Nápoles é aceita por esses historiadores como um prato que foi efetivamente levado à mesa e pode ser chamado de pizza.
Uma torta nauseabunda.
E veio o cozinheiro Gennaro. Há testemunhas de sua pizza. E não são quaisquer testemunhas. Alexandre Dumas, o autor dos “Três Mosqueteiros” e o pintor Samuel Morse, que passaram por Nápoles em 1.830, escreveram sobre a pizza. Dumas disse que era uma “torta nauseabunda“. E piorou ainda mais a impressão que teve da pizza: “um pedaço de pão sacado de uma cloaca”. Morse disse que era o alimento preferencial da plebe napolitana. E era vendida nas ruas com um único sabor. Era um jogada para aproveitar o forno. Quando estavam aquecendo, antes de fazer o pão, ou esfriando, depois do pão pronto, nesses dois momentos, metiam uma pizza nesse forno. Passado algum tempo, em 1.891, a pizza virou uma sobremesa napolitana, cheia de creme de requeijão com amêndoas.
A viagem aos EUA.
A pizza viajou para os Estados Unidos com os imigrantes. Por lá, teve um enorme impacto na costa leste, e logo em todo o país. Nos anos 50 do século passado, se tornou um negócio estandardizado, todos faziam as mesmas receitas. Nessa época, havia mais pizzarias nos EUA do que na Itália. E foi à partir dos EUA que ela conquistou o mundo.
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