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27/06/2019 06:21

Você têm um delator dentro de teu corpo

Mário Sérgio Lorenzetto
Você têm um delator dentro de teu corpo

Existe uma parte sutil, mas totalmente perceptível, que revela se algo nos agrada ou nos desgosta. Ainda que pretendamos dissimular nossas emoções, nosso corpo nos delata. Temos um dedo-duro em nossa cabeça. As pupilas nos delatam por serem capazes de aumentar até 30 vezes de tamanho. De minúsculas até gigantescas em uma fração de segundos. Dessa maneira, expressamos nosso prazer, mas também algo que nos desagrade.

Você têm um delator dentro de teu corpo
Você têm um delator dentro de teu corpo

Teste fácil para observar a pupila delatando.

Você pode observar esse fenômeno com facilidade. Peça a alguém que veja uma série de imagens que você tenha escolhido previamente. Mostre-as vagarosamente e aproxime-se o suficiente para que possa apreciar as pupilas de quem vê as imagens. Inclua na seleção imagens agradáveis e outras muito desagradáveis. Se as pupilas dilatarem, a pessoa está gostando do que observa. Será algo sutil, mas plenamente observável.

Você têm um delator dentro de teu corpo
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As melhores negociações devem ser feitas usando óculos de sol.

A ligação entre prazer e dilatação das pupilas é algo antigo, foi descrita pelo cientista Eckardt Hess em um artigo publicado em 1964. À partir dessa data, o conhecimento da dilatação foi levado a inúmeros estudos humanos. Foi daí que as melhores faculdades de administração de empresas começaram a ensinar a seus alunos que as melhores compras só podem ser realizadas usando óculos de sol - mesmo se o ambiente estiver mal iluminado - pois só desse modo o vendedor não consegue ver seus olhos e não sabe se o produto lhe agrada. A linguagem de nossas pupilas não expressão apenas nossos sentimentos, nos delatam. E ainda são mais que dedo-duros, são um verdadeiro imã de olhares, atraem os olhos de quem nos observam. É como se as pupilas gritassem: "olhem para mim, meu dono está mentindo!".

Você têm um delator dentro de teu corpo
Você têm um delator dentro de teu corpo

Da África a Roma.

A dilatação delatora de nossas pupilas está diretamente vinculada com nossa evolução. Já na época em que habitávamos as estepes africanas, uma pessoa com as pupilas dilatadas era mais atrativa porque poderia estar mais disponível, afirmam os especialistas (há dezenas de anos, indago: como os antropólogos podiam saber algo sobre as pupilas dos primeiros homens e mulheres?). Mas há um momento na história em que podemos demonstrar cientificamente o poder delator das pupilas. Na Roma imperial, as mulheres solteiras ou disponíveis utilizavam como seu principal produto cosmético a planta "atropa belladona". Que conhecemos como beladona, bela mulher na tradução do italiano para o português. A planta não é bela, mas tornaria uma mulher comum em uma beleza impar por alargar as pupilas.

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A pupilometria mostra se pensamos no "piloto automático".

Mas o estudo das pupilas evoluiu. Hoje, não se adapta apenas à observação do interesse sexual ou de vendas, vai muito além. Jackson Beatty, a maior eminência nos estudo da pupilometria cognitiva, comprovou que quando realizamos operações de dois ou três dígitos, nossas pupilas dilatam até 50% a mais que quando estamos relaxados. Isso significa que o trabalho intelectual têm uma ativação dentro de nosso corpo, que começa no cérebro, vai ao coração e termina nos nossos olhos. As palpitações aumentam sete vezes a mais, diz o cientista. O descobrimento da ligação entre o esforço intelectual e as pupilas abriu uma linha de pesquisas para que possam realizar testes de quem está pensando de maneira elaborada ou está no "piloto automático". Essa pesquisa deseja mostrar o quanto é fácil ou difícil para um novo contratado superar as adversidades do trabalho.

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