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Campo Grande, Quarta-feira, 21 de Novembro de 2018


09/07/2018 14:12

Nada de jeitinho: na Rússia brasileiro prova que tem bom senso

Na Copa do Mundo,os russos mostraram que cumprem ordens e não facilitam a vida de ninguém, jeitinho nem pensar

De Moscou, Paulo Nonato de Souza
A segurança na frente do hotel onde estava a seleção da Suíça em Rostov on Don com dezenas de policiais, externa e internamente (Foto: Paulo Nonato de Souza)A segurança na frente do hotel onde estava a seleção da Suíça em Rostov on Don com dezenas de policiais, externa e internamente (Foto: Paulo Nonato de Souza)

A Copa do Mundo de 2018 se foi para o Brasil, mas certamente ficarão para sempre as observações de quem veio ao país sede do evento da Fifa para trabalhar na cobertura jornalística ou apenas torcer pela Seleção. Por exemplo, o jeitinho brasileiro de que tanto falamos, e que virou uma espécie de marca negativa dos brasileiros, seja ele quem for, na Rússia você pode ter a compreensão de que na realidade o que temos é bom senso.

O tal jogo de cintura presente no cotidiano do brasileiro, visto como forma de conseguir favores pessoais, um ato antiético, predador, enfim, não necessariamente precisa ter o sentido do benefício próprio, e também pode ser visto por uma perspectiva positiva.

Na Rússia desde o dia 11 de junho, quando desembarquei na cidade de Rostov on Don, local do jogo de estreia do Brasil, contra a Suíça (1 a 1), seis dias depois, passei por vários perrengues em barreiras do sistema de segurança montado para a Copa do Mundo, e vi que os russos são absolutamente inflexíveis, fazem questão disso, e seja qual for a abordagem, agem como se fosse o último ato na vida.

Sistema de inspeção de bagagens semelhantes aos de aeroportos, sem facilitar a vida de ninguém, foi montado na entrada dos elevadores de todos os hotéis que hospedaram seleções na Copa (Foto: Paulo Nonato de Souza)Sistema de inspeção de bagagens semelhantes aos de aeroportos, sem facilitar a vida de ninguém, foi montado na entrada dos elevadores de todos os hotéis que hospedaram seleções na Copa (Foto: Paulo Nonato de Souza)

Ainda em Rostov tive a “sorte” de me hospedar no mesmo hotel em que ficou concentrada a seleção da Suíça. Por conta disso, uma saída do quarto, fosse apenas para olhar o movimento na rua, exigia passar por todo aquele aparato de segurança semelhante ao dos aeroportos com esteira de bagagem, equipamentos para detectar explosivos, raio-X e detectores de metais. Foi assim durante uma semana, várias idas e vindas diárias, e toda vez que passava pela segurança era como se fosse a primeira.

Já em Moscou, onde estou desde o dia 23 de junho e fiz deslocamentos do tipo bate e volta para os jogos do Brasil em Samara e Kazan, por duas vezes esqueci o cartão de banda magnética da porta do meu quarto. Pelo sistema, é como você fechar o carro travando as portas com a chave dentro.

Nas duas vezes, mesmo falando com a mesma pessoa da recepção do hotel, tive que passar pelo procedimento de investigação, incluindo verificação de passaporte e credencial da Fifa, talvez para ter certeza de que eu era eu mesmo. Impensável isso na portaria de qualquer hotel no Brasil. No máximo o atendente buscaria no sistema o cadastro do hóspede.

A segurança da Copa teve policiais por todas as partes em todas as cidades que receberam jogos, e sempre em gruposA segurança da Copa teve policiais por todas as partes em todas as cidades que receberam jogos, e sempre em grupos

As áreas de atuação da Fifa são extremamente vigiadas. No IBC (International Broadcast Center), localizado no Centro de Exposições Crocus, no lado norte de Moscou, de onde sai o sinal de transmissão dos jogos da Copa do Mundo para os cinco continentes, ninguém entra sem passar pelos detectores e análise de credencial, ainda que faça isso várias vezes ao dia.

Não que os russos estejam errados, longe disso, ainda mais quando se trata de um país de tantas histórias de guerras e conflitos armados com vários países. Mas a experiência aqui na Rússia deixa para mim a visão de que as leis e as regras devem ser cumpridas, sem que isso signifique abrir mão da razão e da sabedoria, e talvez essa seja a real virtude do brasileiro com o seu jeitinho.



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