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Direto das Ruas

Após mais alunos sem aula, prefeitura diz que notificará empresa de transporte

Pais e estudantes de escolas da zona rural da Capital relatam que estão há dias sem ônibus escolar

Por Ketlen Gomes | 15/04/2026 12:45
Após mais alunos sem aula, prefeitura diz que notificará empresa de transporte
Alunos de escolas estaduais entrando em ônibus escolar que atende a região rural. (Foto: Divulgação/MS GOV)

Novas famílias da zona rural de Campo Grande relatam prejuízos com a suspensão do transporte escolar, que já afeta estudantes desde a semana passada. Sem a circulação das kombis que atendem regiões mais afastadas, crianças estão sem ir à aula e acumulam conteúdo perdido, justamente em período de avaliações.

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Famílias da zona rural de Campo Grande relatam prejuízos com a suspensão do transporte escolar, que afeta estudantes desde a semana passada. Motoristas paralisaram as atividades por atraso no pagamento das empresas contratadas, deixando crianças sem aulas em período de avaliações. A prefeitura informou que notificará a empresa responsável, exigindo o restabelecimento das linhas. O problema se repete: em fevereiro, 50 alunos ficaram sem transporte, e em 2025 foram firmados 17 contratos emergenciais, somando R$ 2,7 milhões.

A trabalhadora rural Maelly Valente, de 31 anos, conta que os quatro filhos estão sem frequentar a escola desde quinta-feira (9). Segundo ela, o motorista informou que a empresa responsável pelo transporte não autorizou a continuidade do serviço por falta de pagamento da prefeitura.

Moradora de um sítio a cerca de 76 quilômetros da área urbana, na região próxima à Fazenda Londres Machado, Maelly afirma que o problema atinge diversas famílias. “Não são só meus filhos. Minha vizinha tem mais quatro crianças, e há outras fazendas com alunos. As crianças estão perdendo aula e ficando atrasadas, porque não conseguem acompanhar o restante da turma”, relata.

Ela explica que, apesar de a escola não registrar faltas quando o transporte não passa, o prejuízo pedagógico é inevitável. “Eles até podem pegar a matéria depois, mas já vão estar atrasados. Os outros alunos seguem e eles ficam para trás”, diz.

A situação também impacta atividades extracurriculares. Uma das filhas de Maelly iniciou um curso do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) oferecido na escola, mas não consegue acompanhar o cronograma. “Tem etapas para cumprir e ela não está indo. Fico preocupada, mas acredito que não perca a vaga, porque o problema é o transporte”, afirma.

Sem condições financeiras de arcar com o deslocamento por conta própria, já que a escola fica a cerca de 50 quilômetros da residência, a família diz não ter alternativa. “Não temos como levar e buscar. É longe e o custo com combustível é alto”, completa.

Os filhos de Maelly estudam na Escola Municipal Agrícola Governador Arnaldo Estevão de Figueiredo, mas alunos da Escola Municipal Orlandina Oliveira Lima, na Colônia do Aguão, também ficaram sem transporte desde terça-feira (7), após motoristas paralisarem as atividades por atraso no pagamento das empresas contratadas.

Na ocasião, responsáveis informaram que os trabalhadores acumulavam até três meses de salários atrasados e que a suspensão das rotas ocorreu inclusive por falta de combustível. Houve ainda relatos de risco durante o trajeto, com veículos quase parando na estrada.

A dona de casa Tatiany Lesmo Bispo de Oliveira, de 31 anos, mãe de três crianças, afirmou que os filhos também perderam aulas durante a semana de provas. A escola precisou adiar avaliações, mas, segundo ela, o impacto no aprendizado permanece.

Enquanto isso, a prefeitura informou em nota que “não há qualquer previsão legal que justifique a interrupção do serviço de transporte escolar” e, diante da situação relatada, a Semed (Secretaria Municipal de Educação) está adotando as providências cabíveis e notificará formalmente a empresa responsável, exigindo o pronto restabelecimento integral das linhas afetadas.

O problema, segundo moradores, não é isolado e se repete com frequência. Em fevereiro deste ano, mais de 50 alunos do Assentamento Estrela ficaram sem transporte. Já em 2025, paralisações semelhantes levaram a prefeitura a firmar 17 contratos emergenciais, que somam R$2,7 milhões, para garantir o serviço por 12 meses.

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