Corante verde no etanol pode exigir adequações nas usinas de MS e elevar custos
A medida seria uma solução provisória para detectar o uso irregular do combustível nas bebidas alcoólicas
A proposta de adicionar corante verde no etanol hidratado deve aumentar os custos operacionais das usinas de Mato Grosso do Sul. A medida seria uma solução provisória para detectar o uso irregular do etanol nas bebidas alcoólicas.
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Na visão do secretário da Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) , Arthur Falcette, a medida terá impacto para o Estado.
“Para Mato Grosso do Sul, um dos principais produtores de etanol do país, a medida terá impactos que vão além do custo adicional do corante. A obrigatoriedade de adição ainda na usina exigirá adequações industriais e novos custos operacionais, além de ampliar as obrigações de controle, rastreabilidade e conformidade regulatória dos produtores. Também será necessário avaliar os impactos sobre a logística e a segregação do etanol destinado a diferentes mercados, especialmente eventuais efeitos sobre exportações”, destacou.
A intenção da ANP (Agência Nacional de Petróleo) é a adição obrigatória do benzoato de denatônio ao etanol hidratado combustível, uma substância extremamente amarga, que seria detectada pelos consumidores em caso de adulteração de bebidas com etanol combustível.
No entanto, a agência indica a necessidade de comprovação da viabilidade técnica da adição desse produto, por meio da realização de testes mecânicos. Por isso, não é possível estabelecer prazo para a adoção da medida definitiva e foi proposta a solução provisória, usando o corante verde.
“Outro ponto de atenção é que a própria ANP trata o corante como uma solução provisória, enquanto estuda a utilização do benzoato de denatônio como alternativa definitiva. Isso pode significar investimentos e adaptações agora que eventualmente precisarão ser revistos posteriormente”, completou o secretário.
Ainda de acordo com Falcette, é necessário que, quando for regulamentada, seja claramente demonstrada a efetividade e a proporcionalidade da medida.
“O setor compreende e apoia o objetivo de combater o desvio de etanol para a fabricação clandestina de bebidas. O que precisa ser discutido é a proporcionalidade da medida: estamos impondo custos e novas obrigações a toda uma cadeia produtiva formal e regulada para combater um ilícito praticado fora dela. Por isso, é fundamental que a regulamentação demonstre claramente sua efetividade, seus custos e se existem alternativas capazes de alcançar o mesmo resultado com menor impacto sobre a competitividade do setor”, finalizou.
A Biosul informou que acompanha as discussões e aguarda o avanço do processo regulatório e a definição dos critérios técnicos para avaliar os desdobramentos da medida para as unidades produtoras do Estado.
Maior produtor – Conforme informações do Biosul, Mato Grosso do Sul é o 4º maior produtor de etanol, 4º maior produtor de cana-de-açúcar, 2º maior produtor de etanol de milho e 5º maior produtor de açúcar do Brasil. Em março deste ano, foi apresentado o balanço da safra 2025/2026, durante a 4ª Expocanas, realizada em Nova Alvorada do Sul.
O Estado teve 52 milhões de toneladas de cana-de-açúcar moídas na safra 2025/2026. O Estado alcançou uma produção recorde de 5 bilhões de litros de etanol e 2,1 milhões de toneladas de açúcar. Mato Grosso do Sul já responde por 13,5% da produção nacional de etanol. O etanol de milho representa 44% do total produzido.
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