Governo avança em testes para elevar etanol na gasolina para 35%
Nova proporção ainda não está autorizada nos postos e dependerá de estudos sobre desempenho
O governo federal prepara uma nova rodada de testes para avaliar se a quantidade de etanol anidro misturada à gasolina poderá subir dos atuais 32% para 35%. A mudança, porém, ainda não está autorizada para os combustíveis vendidos nos postos e dependerá dos resultados dos estudos técnicos antes de chegar novamente à análise do governo.
RESUMO
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O plano envolve a chamada gasolina E35, composta por 35% de etanol anidro e 65% de gasolina. O limite é permitido pela Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro, mas a legislação condiciona o avanço a avaliações que comprovem a viabilidade técnica da mistura.
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O cronograma dos ensaios passou pela análise do CTP-CF (Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro). Depois da conclusão dos estudos, caberá ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) decidir se o percentual obrigatório poderá chegar aos 35%. Ou seja, a realização dos testes, por si só, não altera a composição do combustível disponível ao consumidor.
Atualmente, a gasolina comum e a comum aditivada comercializadas no Brasil contêm 32% de etanol anidro. O E32 entrou em vigor em 1º de agosto deste ano, substituindo temporariamente o E30, que tinha 30% do biocombustível. A regra vale por 180 dias e poderá ser prorrogada uma única vez pelo mesmo período. A gasolina premium permanece com 25% de etanol.
A elevação para 32% havia sido aprovada pelo CNPE em julho. Segundo o MME (Ministério de Minas e Energia), os estudos utilizados para a decisão avaliaram veículos leves e motocicletas e analisaram itens como partida a frio, dirigibilidade, aceleração e funcionamento dos sistemas eletrônicos dos motores. O governo informou que não foram encontrados impactos relevantes no funcionamento dos veículos avaliados.
A própria resolução que implantou temporariamente o E32 condicionou a adoção definitiva desse percentual ou de misturas superiores à realização de novos testes para o E35. Os próximos estudos deverão aprofundar pontos como durabilidade dos componentes, consumo, eficiência energética, desempenho dos motores e emissões.
O trabalho faz parte de uma rede nacional de pesquisa estruturada pelo governo para analisar percentuais maiores de biocombustíveis. O projeto prevê R$ 30 milhões em investimentos ao longo de três anos e reúne universidades e centros de pesquisa. Além do E35 na gasolina, serão avaliadas misturas de até 25% de biodiesel no diesel.
Menos gasolina importada
Um dos argumentos do governo para aumentar a participação do etanol é reduzir a dependência brasileira da gasolina produzida no exterior. Quando aprovou o E32, o MME estimou que a mudança permitiria ao País deixar de importar aproximadamente 900 milhões de litros de gasolina por ano.
A estratégia também busca diminuir a exposição do mercado doméstico às oscilações internacionais do petróleo e ampliar a participação de combustíveis renováveis na matriz energética.


