Quatro em cada dez consignados CLT são de trabalhadores de baixa renda
Modalidade já soma R$ 113,3 bilhões emprestados e tem maior inadimplência entre trabalhadores de microempresas
Mais de 40% das operações do novo crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada estão concentradas entre pessoas que recebem até dois salários mínimos. Os dados fazem parte de levantamento apresentado pela TransUnion e pela Deloitte, divulgado pela Folha de São Paulo, e mostram que a modalidade ganhou espaço principalmente entre trabalhadores de renda mais baixa.
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Do total de contratos analisados, 12% pertencem a trabalhadores que recebem até um salário mínimo. Outros 28,9% estão na faixa entre um e dois salários. Somadas, as duas categorias representam 40,9% das operações.
Entre trabalhadores com renda de dois a três salários mínimos estão 21,2% dos contratos, enquanto aqueles que recebem de três a cinco salários representam 20,2%. Quem ganha acima de cinco salários mínimos responde por 17,7%.
O levantamento também mostra diferenças no valor contratado. O maior tíquete médio aparece entre trabalhadores que recebem de dois a três salários mínimos, com R$ 19.574 por operação. Na faixa entre três e cinco salários, a média cai para R$ 13.741.
Crédito cresce e juros ficam mais altos
Dados de junho do BC (Banco Central) indicam que o saldo do consignado destinado a trabalhadores do setor privado chegou a R$ 113,3 bilhões. O volume representa crescimento de 143% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
A expansão também aparece no número de usuários. Cerca de 10 milhões de trabalhadores já recorreram à modalidade, diante de um universo aproximado de 40 milhões de empregados com carteira assinada no País.
Ao mesmo tempo, o custo do empréstimo aumentou. A taxa média de juros passou de 53,3% ao ano para 56,7% ao ano. Já o prazo médio das operações caiu de 40 meses, em 2025, para 35 meses neste ano.
A inadimplência da modalidade está em 8,6%, índice que chama atenção diante da rápida expansão da carteira.
Atrasos são maiores nas microempresas
O tamanho da empresa onde o trabalhador está empregado também aparece relacionado ao nível de inadimplência.
Nas microempresas, a parcela de contratos em atraso chega a 10%. Nas pequenas empresas, o índice é de 8,3%, enquanto nas médias fica em 6,4%. Entre trabalhadores de grandes empresas, a inadimplência cai para 2%.
Micro, pequenas e médias empresas concentram ainda 74,7% das solicitações de crédito feitas pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital.
A modalidade vem atraindo também mais instituições financeiras. Quase 150 instituições já estão cadastradas para operar o consignado privado, ampliando a disputa por um mercado que cresceu de forma acelerada desde sua implantação.


