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Reportagens Especiais

Ano teve rebaixamento colorado, Morenão interditado e quase "jogo das estrelas"

O rebaixamento sacramentado em março de 2023 foi o primeiro da história de 80 anos do Comercial

Por Gabriel de Matos e Alison Silva | 30/12/2023 09:34
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade
Faixa provocativa da torcida do Operário sinalizando 'Série B' para o Comercial (Foto: Gabriel de Matos)
Faixa provocativa da torcida do Operário sinalizando 'Série B' para o Comercial (Foto: Gabriel de Matos)

O ano de 2023 no futebol sul-mato-grossense foi movimentado, com eventos quase inacreditáveis e outros já esperados. No começo do ano, o Esporte Clube Comercial entrou para a disputa do Campeonato Sul-Mato-Grossense com baixas expectativas. Ao longo da competição, a realidade se tornou o primeiro rebaixamento do clube em 80 anos.

No começo do ano, eu [Gabriel] entrevistei o presidente do Comercial, Cláudio Barbosa. Ele foi categórico em dizer que o clube não tinha um real em caixa. O clube só foi conseguir registrar os jogadores para o Estadual no último dia útil antes da estreia. Caso contrário, perderia para o Operário sem jogar. Em campo, foi 3 a 1 para o Galo.

Acompanhando alguns treinos, observei que não faltava boa vontade do técnico Ronildo Rocha e nem do presidente. Ambos faziam o possível. Dos jogadores, todos nascidos em Mato Grosso do Sul e buscando oportunidades de um futuro melhor, também não. Porém, no âmbito profissional, futebol não é só boa vontade.

Acompanhei a abertura da temporada e o rebaixamento do Colorado no Estádio Jacques da Luz. A maioria dos torcedores que conversei estavam cientes da situação. Vivenciei também a primeira briga no estádio causada justamente pela faixa que abre o texto.

Os torcedores do Comercial mais exaltados invadiram o setor do Operário no Estádio Jacques da Luz. Cerca de 15 pessoas brigaram. A Polícia Militar chegou e separou. Fora do estádio, o clima era de tristeza de um lado e 'dever cumprido' do outro.

Jogador do Comercial cobrando lateral no Estádio Jacques da Luz (Foto: Alex Machado)
Jogador do Comercial cobrando lateral no Estádio Jacques da Luz (Foto: Alex Machado)

Ainda pelo Campeonato Sul-Mato-Grossense, o Operário chegou à final diante do Costa Rica. Vivenciei novamente o ambiente de estádio ao lado do campo. Em campo, um empate sem gols entre as equipes. O embate de volta na semana seguinte deu o segundo título estadual para o time do interior.

Gramado do Estádio Morenão que não recebeu jogos em 2023 (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Gramado do Estádio Morenão que não recebeu jogos em 2023 (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Jogo das estrelas - Outro ponto que chamou a atenção dos entusiastas do futebol sul-mato-grossense e provocou certo alvoroço na própria cobertura jornalística local foi o “Jogo das Estrelas”, anunciado pelo zagueiro Éder Militão em junho último. Jogador do Real Madrid e titular da Seleção Brasileira, o defensor foi o primeiro a convocar a torcida para o jogo.

Proposto com o intuito de arrecadar alimentos para instituições carentes, a partida que então contaria com a presença de amigos, ex-jogadores, influenciadores digitais e até mesmo Vinicius Júnior e Rodrygo, também companheiros de Militão no clube e na Seleção. A verdade é que o jogo não passou de um boato que durou cerca de uma semana, visto que, o Estádio Morenão, então palco do evento, estava - e segue - interditado.

Desconhecimento, falta de organização ou irresponsabilidade dos organizadores? Independente da realização do jogo, o anúncio por si só já era muito controverso. Como o Estádio é administrado pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), a realização do evento estava comprometida desde o anúncio, já que - apesar da boa intenção dos organizadores - era muito difícil que a partida acontecesse.

O curto prazo para a liberação do estádio, por parte do MPF (Ministério Público Federal), condição atrelada a concessões de alvarás de segurança, policiamento e toda a logística necessária para a realização da partida.

Devaneio geral ou não, minha curiosidade [Alison] maior naquele momento era saber quem seria a autoridade federal corajosa o bastante para assinar a liberação do estádio, várias vezes interditado, inclusive para as competições oficiais realizadas pela própria FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul). Sem estádio e com os torcedores impacientes pela falta de informações, os organizadores haviam separado inclusive um horário na grade televisiva do SporTV para transmitirem a ‘pelada’ entre Militão e amigos.

No resumo da obra, a arrecadação de alimentos aumentou, o jogo foi transferido para o Estádio das Moreninhas.

Mesmo que viessem para Mato Grosso do Sul, quem arcaria com o transporte, passagens e hospedagem dos jogadores? O boato era que esse “cheque” de então R$ 350 mil fosse assinado pela Fundesporte (Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul), história prontamente negada pelo secretário Herculano Borges.

Assim, o que restou para a cobertura esportiva local foi sorrir em cima de sua própria cobertura, que com o passar dos dias se tornou cada vez mais lúcida e condizente com a realidade e o nível de comprometimento com o futebol profissional praticado no Estado.

Pôster de divulgação do evento publicado pela organização com a data de junho (Foto: Arquivo)
Pôster de divulgação do evento publicado pela organização com a data de junho (Foto: Arquivo)

Estádio interditado - Com obras empacadas e sem amistoso à vista, a reabertura do Estádio Morenão deve ficar apenas para o fim do próximo ano. De acordo com a Fapec (Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura), responsável pelas obras, as intervenções foram divididas em duas fases, em que, até o momento, foi executada a reforma dos banheiros e vestiários.

“A previsão é que o término das últimas fases ocorra até o final de 2024, no entanto, tratando-se de um aparelho público muito antigo, podem surgir demandas de intervenção que mudem este cronograma”, disse a pasta. Os ajustes contam com R$ 9,4 milhões, repasse da Fundesporte, e o fim da obra foi prorrogado algumas vezes.

O estádio ficaria parcialmente pronto em dezembro do ano passado, e posteriormente em maio deste ano, período em que a Fapec disse executar somente R$ 800 mil dos R$ 9,4 milhões, cerca de 8% da obra toda, e o último jogo no estádio ocorreu no dia 17 de abril de 2022, vitória do Operário por 1 a 0 contra o Dourados pela penúltima rodada do hexagonal final, vencido pelo Galo, que ficou com o título do Estadual daquele ano.

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