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Arquitetura

Antônia reza para suas plantas que por anos não vingaram no Sertão

Quando morava no interior de Pernambuco, seca extrema não lhe permitia cultivar as mudas de que tanto gostava

Por Clayton Neves | 18/06/2026 10:08
Antônia reza para suas plantas que por anos não vingaram no Sertão
Aos 89 anos, dona Antônia fala das plantas com entusiasmo e diz que cuidar delas faz parte da rotina diária. (Foto: Juliano Almeida)

O jardim de dona Antônia Marques ficou pequeno para o quintal. Aos 89 anos, ela espalhou vasos, flores e folhagens pela calçada e transformou a esquina onde mora, no Bairro Caiçara, em um dos trechos mais verdes da vizinhança.

Entre uma regada e outra, o corredor verde cresceu e virou parte da paisagem do bairro, aponto de virar motivo de oração. “É minha vida. Gosto de cada uma delas e até faço oração pra elas”, diz.

O jardim ultrapassou os limites do quintal há muito tempo. Hoje, parte das plantas ocupa a própria calçada, resultado s de dedicação da aposentada, que faz questão de cuidar pessoalmente de cada cantinho verde. “Toda vida eu gostei de planta. Gosto do verde, gosto de flores, dessas coisas”, resume.

Antônia reza para suas plantas que por anos não vingaram no Sertão
"É minha vida", resume dona Antônia ao mostrar algumas das dezenas de plantas que cultiva há décadas. (Foto: Juliano Almeida)

Natural de Ouricuri (PE), no sertão de Pernambuco, dona Antônia chegou a Campo Grande há cerca de 60 anos. Mas a paixão pelas plantas nasceu muito antes. O problema é que, onde cresceu, cultivar um jardim era quase um luxo. “Lá não tinha água. A água era pouca demais, não dava para ter planta. Era muito seco”, recorda.

Foi só depois da mudança para Mato Grosso do Sul que ela conseguiu colocar em prática o gosto pelo cultivo. Primeiro nas fazendas onde morou e, mais tarde, na casa onde vive há 50 anos. “Desde que eu cheguei aqui, eu comecei a plantar. Tenho meus vasos, mas planto na rua também”, conta.

O trabalho é diário, mas ela não reclama. Pelo contrário. “A gente não tem nada sem trabalho”, afirma.

Antônia reza para suas plantas que por anos não vingaram no Sertão
O jardim de dona Antônia ultrapassou os limites do quintal e tomou conta da calçada na esquina onde mora, no Bairro Caiçara. (Foto: Juliano Almeida)
Antônia reza para suas plantas que por anos não vingaram no Sertão
Entre vasos, árvores e folhagens, a passagem ao lado da casa parece um pequeno corredor verde no meio da cidade. (Foto: Juliano Almeida)

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