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Artes

Ueslei já fez álbum de pet e ganhou prêmio Pulitzer na fronteira dos EUA

O Lado B aproveitou a passagem dele por Campo Grande por aqui para ouvir a trajetória do fotojornalista

Por Natália Olliver | 27/03/2026 08:35
Ueslei já fez álbum de pet e ganhou prêmio Pulitzer na fronteira dos EUA
Vencedor do Prêmio Pulitzer, o fotojornalista está em Campo Grande para a COP-15 (Foto: Juliano Almeida)

De ensaios com cachorro a guerras e travessia de pessoas do México para os Estados Unidos, a lente de Ueslei Marcelino já percorreu extremos, sempre com o mesmo propósito, contar histórias. Vencedor do Prêmio Pulitzer, o fotojornalista está em Campo Grande para a COP-15 e, em meio à cobertura, o Lado B aproveitou a passagem dele por aqui para ouvir de perto quem transformou a fotografia em narrativa de vida e levou o nome do país para o mundo em 2019.

Ueslei está na fotografia há cerca de 25 anos, mas o caminho até ali não foi tão óbvio quanto parece hoje. Ele entrou no universo das imagens ainda na faculdade de Publicidade e Propaganda. Foi durante uma disciplina de fotografia que uma chavinha virou. De aluno, passou a monitorar e, pouco a pouco, mergulhou em um interesse que ia além da técnica, nas pessoas, animais e lutas pela existência.

Ueslei já fez álbum de pet e ganhou prêmio Pulitzer na fronteira dos EUA
Ueslei já fez álbum de pet e ganhou prêmio Pulitzer na fronteira dos EUA
Fotografias acima tornaram Ueslei um dos três fotógrafos brasileiros vencedor do Prêmio Pulitzer, o fotojornalista está em Campo Grande para a COP-15 (Foto: Ueslei Marcelino)

"Eu não tenho nada que eu prefira fotografar, eu acho que fotografia é um amplo, dá para desenvolver um negócio legal em várias áreas. Toda foto é uma foto, toda história é uma história, eu amo contar histórias, eu acho que a minha especialidade hoje é contar histórias, seja ela qual for, se você me der uma pauta eu vou pegar ela e eu vou contar uma história sobre sua pauta, eu consigo te contar uma história, através das fotografias, e foi isso que eu aprendi, é isso que eu gosto e acho incrível".

O faro para a fotografia veio do pai, que era fotógrafo e trabalhou em jornais e revistas em Brasília (DF). Ueslei cresceu entre redações, revelações e máquinas de escrever, mas, na época, aquele ambiente não o atraía.

“As pessoas trabalhavam muito, se fumava muito eu não queria aquilo”, lembra. O interesse só despertou de verdade anos depois, já adulto, por volta dos 22, 23 anos. O primeiro passo veio com um estágio em um jornal de Brasília, conseguido com ajuda de um amigo. Ali, ele encontrou a base do que se tornaria sua carreira. “Foi minha escola”, diz.

No mesmo dia, podia fotografar desde uma feira de orquídeas até um acidente de carro. À noite, shows; nos fins de semana, esporte. "Eu cobri muito o tema de meio ambiente, então assim, Amazônia, Pantanal,  as últimas três COPS".

Ueslei já fez álbum de pet e ganhou prêmio Pulitzer na fronteira dos EUA
Mais uma das fotografias que tornaram o brasileiro vencedor. (Foto: Ueslei Marcelino)
Ueslei já fez álbum de pet e ganhou prêmio Pulitzer na fronteira dos EUA
Ueslei Marcelino começou na fotografia há 25 anos e nunca mais parou de contar histórias (Foto: Arquivo pessoal e Juliano Almeida)

Sem se prender a um único tema, Ueslei construiu um estilo versátil. Fotografou de tudo: casamento, esporte, cotidiano e até book de cachorro.

"Eu gostava das coisas diferentes, eu queria ser diferente dos demais fotógrafos, então eu botei isso muito cedo na minha cabeça, me posicionava diferente. Eu usava um equipamento, uma lente diferente, eu fui me aperfeiçoando, eu fiz cursos, queria desenvolver técnicas, isso foi me dando base para eu fazer outras coisas. Nessa brincadeira, eu fotografei até book de cachorro porque eu queria aprender".

A grande oportunidade que ele esperava veio só 10 anos depois. Vivendo de freelas, chegou a cogitar desistir. “Achei injusto o tanto que eu me dedicava e não tinha oportunidade”, conta. Foi em um desses dias difíceis que pensou em mudar de rumo, mas ouviu da então esposa um conselho que guardou: dias ruins passam.

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Fotojornalista trabalhando na COP15 em Campo Grande (Foto: Juliano Almeida)
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Fotografia feita pelo fotojornalista na fronteira do México com os Estados Unidos em 2019. (Foto: Ueslei Marcelino)

No dia seguinte, o telefone tocou. Era o convite para trabalhar em uma agência internacional de notícias onde ficaria por 15 anos. Foi ali que a carreira ganhou escala global. Ueslei cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, eleições presidenciais em diferentes países, além de conflitos e crises humanitárias. Esteve na guerra da Ucrânia, passou por Cuba, Venezuela e diversos outros cenários.

A experiência no jornalismo, segundo ele, foi fundamental. “Me deu uma base incrível”, resume. Mas foi em 2019 que veio o reconhecimento que mudaria o peso do seu nome na fotografia, o  tão famoso Prêmio Pulitzer.

"Eu ganhei alguns prêmios aí na carreira, mas o Pulitzer era um prêmio que eu nunca imaginei ganhar porque não era o ambiente. Claro que eu sonhava ganhar prêmios como qualquer outro jornalista na vida, ter reconhecimento, ganhar melhor, mas o Pulitzer foi uma surpresa, eu nem sabia que eu tinha ganhado até eu ganhar. Eu fui comunicado por um editor meu dos Estados Unidos, eu estava cobrindo o conflito na Venezuela e ele ligou dizendo que eu tinha ganhado".

Para ele, o prêmio é o maior reconhecimento pelo trabalho ao longo de uma vida dedicada à fotografia e ao fotojornalismo. A conquista veio pela cobertura da caravana migrante de países da América Central rumo aos Estados Unidos, um dos retratos mais impactantes da crise migratória dos últimos tempos.

Confira a galeria de imagens:

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"Reconhecimento também das pessoas que que eu fotografei das situações que eu vivi, e em especial as pessoas que estavam tentando mudar de vida sair dos seus países para chegar nos Estados Unidos. Para mim às vezes ainda não caiu a ficha. São só três jornalistas brasileiros têm isso eu fui o segundo então é muito importante sem dúvida. Eu tenho muito orgulho de ter esse reconhecimento na profissão. Ao mesmo tempo, às vezes, ele é um ele é tão grande que eu ainda não consigo dimensionar".

Mesmo com o peso do prêmio, Ueslei ainda fala sobre ele com certa cautela. Diz que, por muito tempo, evitou o assunto para não soar como exibição. Hoje, entende a dimensão e comemora ser um dos poucos brasileiros que têm o reconhecimento internacional. Entre guerras, fronteiras e eventos globais, o que move o fotógrafo segue sendo simples e essencial: contar histórias.

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