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Comportamento

Glossário do vírus: termos parecidos podem ter significados diferentes

Time de pesquisadores explica qual é a diferença entre tantos termos novos que lemos nas últimas semanas

Por Danielle Errobidarte | 28/03/2020 08:43
Você sabe por que falamos que estamos em uma pandemia? (Foto: Marcos Maluf)
Você sabe por que falamos que estamos em uma pandemia? (Foto: Marcos Maluf)

Pouco se sabe sobre o novo coronavírus, apesar dele ter se tornado o principal assunto nas conversas de família e nos noticiários. Entender as diferenças entre os termos usados por profissionais de saúde e pela imprensa é fundamental para refletirmos sobre a importância de ficar em casa nesse período.

No glossário elaborado por três cientistas e pesquisadores da Capital, entenda como muitas palavras não podem ser usadas como sinônimo de outras e o que está por trás das medidas tomadas por governantes e das recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Vírus: São parasitas que precisam infectar a célula de outro organismo para se espalhar. Esse organismo é chamado de hospedeiro e é usado como uma máquina para produzir outros vírus iguais. Existem vírus parasitando todas as formas de vida, desde animais e plantas, até outros microrganismos, como bactérias.

Contágio: é a transmissão de uma doença.

Contaminação: ato de transmitir um parasita.

“Podemos dar como exemplo uma pessoa contaminada com o vírus, espirra em sua mão e segura no apoio do ônibus. Em seguida, outra pessoa encosta no apoio e coloca a mão na boca ou nariz. A primeira pessoa contaminou o apoio com o vírus e a segunda pessoa entrou em contato”, afirmam os pesquisadores.

Surto: situação de aumento repentino do número de casos de uma doença em uma área ou grupo específico de pessoas, em determinado período.

Epidemia: é um surto no qual uma doença está se espalhando ativamente. O aumento no número de casos é acima do esperado.

Pandemia: é a disseminação mundial de uma nova doença, que se espalhou por vários países ou continentes.

Caso suspeito: pacientes que apresentaram sintomas respiratórios, como febre e tosse, e viajaram para a China ou outro país com transmissão no território, tiveram contato com alguém que viajou ou com um caso confirmado.

Caso confirmado: é um caso comunicado no sistema do Ministério da Saúde que se enquadra nas definições da OMS e apresentou resultado dos exames positivo.

Paciente assintomático: não apresenta sintomas evidentes quando infectado pelo novo coronavírus. “Um artigo publicado na Revista Science em março de 2020 afirma que seis a cada sete infectados na China eram assintomáticos, representando 86% dos casos. Essas transmissões enfatizam a importância de medidas de distanciamento social, adotadas por várias cidades do nosso Estado”, alertam os cientistas.

Isolamento: medidas de precaução que visam conter e separar pessoas que forem classificadas como casos suspeito, confirmado ou provável. Consiste em restringir o contato com pessoas e ambientes externos para evitar a circulação do vírus e o paciente deve ser mantido em casa.

“Segundo a norma do Ministério da Saúde, o isolamento é feito por um prazo de 14 dias – tempo em que o vírus se manifesta no corpo – podendo ser estendido, dependo do resultado dos exames”.

Quarentena: medida restritiva para o trânsito de pessoas que impõe restrições em relação ao funcionamento de estabelecimentos comerciais e serviços.

Máscara N-95: É a mais indicada para trabalhadores do setor da saúde expostos a ambientes contaminados. Ela protege a boca e nariz para que saliva, mucosa bucal e secreções respiratórias não tenham contato com o ambiente. Sua capacidade de filtrar partículas do ar chega a 95%, por isso o nome.

Período de incubação: é o tempo entre o momento que uma pessoa é infectada pelo vírus e o início dos sintomas da doença. “Segundo a OMS, o período de incubação para o COVID-19 varias de 1 a 14 dias, com os principais sintomas aparecendo a partir do quinto”, alertam os pesquisadores.

Quem são eles? - Daniel Máximo Corrêa de Alcântara é doutor em zoologia pela  USP (Universidade de São Paulo). Camila Silveira de Souza é Doutora em Ecologia e Conservação pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Dario Corrêa Júnior é mestre em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela UFMS e doutorando em Ciências na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).