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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

28/01/2017 07:49

Mascote, Petiço foi quem ensinou Júnior a andar com 3 anos de idade

Paula Maciulevicius
Pequenino, Júnior aprendeu a andar com Mascote. (Foto: Arquivo Pessoal)Pequenino, Júnior aprendeu a andar com Mascote. (Foto: Arquivo Pessoal)
Montadinho para a aula. (Foto: Arquivo Pessoal)Montadinho para a aula. (Foto: Arquivo Pessoal)

Diagnosticado com paralisia cerebral ainda no primeiro aninho de vida, não tem quem faça a alegria de Júnior como Mascote. O petiço usado na equoterapia foi quem fez o pequeno dar os primeiros passinhos em novembro, com 3 anos de idade. De Jardim, a família é assistida pelo projeto desde fevereiro de 2016 e viu em meses o quanto o animal pode ensinar pela doçura.

Filho único, por enquanto, do casal Leidiane e Valterly, o menino que tem o nome do pai convulsionou assim que nasceu, mas foi apresentar as consequências somente depois de 12 meses de vida. "Levamos ele ao pediatra com 1 ano de idade, porque ele não sentava sozinho e não engatinhava. Era como um bebezão", explica a professora Leidiane Martines de Melo, de 28 anos.

Exames atrás de exames detectaram as sequelas neurológicas que a família atribui às primeiras horas do nascimento. "Depois desse laudo, começamos a fazer fono e fisio. Era algo gradativo e que os médicos explicaram, ele teria um atraso", conta a mãe. 

Feliz da vida, Júnior faz equoterapia uma vez por semana. (Foto: Arquivo Pessoal)Feliz da vida, Júnior faz equoterapia uma vez por semana. (Foto: Arquivo Pessoal)

Entre Jardim e Campo Grande, eram varias as visitas aos profissionais e tratamentos particulares. "Enquanto não acontece com a gente, não temos olhos amplos para as coisas que tem na nossa cidade", observou Leidiane. E foi através do Facebook, que ela descobriu a equoterapia, prática terapêutica que utiliza cavalos para auxiliar pessoas com deficiência ou com necessidades especiais, desenvolvida desde 2015 nas dependências do Sindicato Rural de Jardim com apoio do Senar/MS – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.

"Quando ele começou, era molinho, molinho. Você largava e ele tombava para um lado e outro. E hoje já senta retinho, melhorou muito" avalia a mãe.

A cena foi na varanda de casa, quando ela e o esposo estavam sentados e ele soltou os bracinhos que antes só andavam pendurados. "Ele simplesmente largou do pai, ergueu as mãozinhas e veio até mim. Aí a gente começou a filmar". A emoção vem à tona como se tudo tivesse acontecido agora.

O encontro de Júnior com Mascote acontece uma vez por semana, durante meia hora, mas já é o suficiente para ele ter o animal no coração. "Quando começou ele dizia que era 'vaca'. Associava só assim e toda vez que vê, quer subir por toda lei. Bate palminha e fala vem, vem, vem", narra a mãe.

Petiço tem quase 30 anos e uma docilidade que acompanha o ritmo das crianças. (Foto: Arquivo Pessoal)Petiço tem quase 30 anos e uma docilidade que acompanha o ritmo das crianças. (Foto: Arquivo Pessoal)

Na prática, o petiço faz as vezes de pernas de Júnior e tantos outros pacientes. "Eles viram um só e o Mascote passa uma calma, uma serenidade para o Júnior. Ele se sente livre andando em cima dele, vendo o passarinho, as árvores", descreve Leidiane.

Equitador há três anos, Zeca Bogarim é quem toma conta de Mascote. "Meu trabalho é dar condição para o cavalo desenvolver da melhor maneira possível o serviço ali, para fazer o cumprimento da fisioterapia", explica.

Mascote não é novinho como parece. Já considerado ancião, ele tem entre 25 e 28 anos. "Foi uma doação que a gente teve de um criador. O filho dele montava quando era pequeno e hoje é um veterinário", conta Zeca.

Doce como uma criança, Mascote é manso no passo. "Não se incomoda com nada, não assusta, não liga de gritar. Ele é bem mansinho", descreve o equitador.

Com a ajuda de Mascote, a mãe Leidiane quer realizar seu maior sonho: "de ver meu filho ser totalmente independente. Meu sonho é ele levantar de onde está sentado e sair brincando, ir até onde ele quer e fazer o que quiser", finaliza.

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Sonho de mãe é ver o filho fazer tudo sozinho. (Foto: Arquivo Pessoal)Sonho de mãe é ver o filho fazer tudo sozinho. (Foto: Arquivo Pessoal)


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