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Comportamento

Mistério de OVNI do Morenão faz 40 anos, sem qualquer foto registrada

Objeto voador não identificado foi visto em pontos diferentes da cidade, virou notícia, mas nunca uma foto

Aletheya Alves | 06/03/2022 07:20
Aparição de OVNI no Morenão estampou a capa do Correio do Estado em 1982. (Arte: Henrique Lucas/Correio do Estado)
Aparição de OVNI no Morenão estampou a capa do Correio do Estado em 1982. (Arte: Henrique Lucas/Correio do Estado)

Nada de foto, nenhuma filmagem, só a história contada de boca em boca e relembrada em jornais e redes sociais de tempo em tempo sobrevive. É assim que a narrativa da passagem de um OVNI (Objeto Voador Não Identificado) pelo Estádio Morenão e outros pontos de Campo Grande completa seus quarenta anos exatamente hoje, no dia 6 de março, e segue alimentando o imaginário da cidade.

Enquete realizada pelo Campo Grande News dividiu a turma entre os que acreditam e aqueles que desacreditam no aparecimento do OVNI. Os resultados apontam que 54% levam a sério o fenômeno, enquanto 46% acham que não é verdade.

Sem se importar com provas físicas, quem guarda na memória a visão de um objeto voador “enorme” e com luz muito forte durante aquela noite continua garantindo que algo de outro mundo aconteceu. Contando apenas com as mais de 23 mil pessoas que estavam no Morenão, Campo Grande entrou na história para pesquisadores do tema como um dos eventos envolvendo OVNIs com maior número de testemunhas.

Naquele dia 6, André Alvez estava no estádio acompanhando o jogo entre Operário e Vasco pelo então campeonato nacional com os olhos fixados no campo. Hoje com seus 57 anos, o escritor conta que fazia de tudo para assistir aos jogos do time sul-mato-grossense, principalmente quando se tratava de uma partida importante.

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A gente estava tão interessado no jogo e ficávamos na arquibancada descoberta. De repente apareceu um negócio rápido e ao mesmo tempo inexplicável, conta André.

O “negócio” teria pairado pelo Morenão por poucos segundos e justamente por ser um jogo importante, nem todo mundo tirou a concentração do gramado para ver o que estava acontecendo no céu. André relembra que chegou a cutucar um amigo para perguntar o que tinha sido aquilo, mas até hoje ninguém conseguiu ter certeza completa.

Se sabe apenas que uma luz muito forte flutuou pelo estádio e o formato do objeto parecia ter algo de cilíndrico. Na hora, o primeiro pensamento do torcedor foi de que aquilo poderia ser um meteoro, mas como um meteoro iria ficar parado e não cair em lugar nenhum? Ainda mais parecendo estar tão perto.

Estádio Morenão, em que visualização do fenômeno aconteceu com maior número de pessoas. (Foto: Divulgação)
Estádio Morenão, em que visualização do fenômeno aconteceu com maior número de pessoas. (Foto: Divulgação)

Conforme a memória do escritor, só depois que o jogo acabou e o Operário venceu é que as discussões sobre o objeto iluminado viraram centro das atenções.

“No outro dia começamos a comentar sobre o que tinha sido aquilo, até que alguém falou que era um disco voador. Outras pessoas também viram na cidade, minha esposa conta que estava brincando na calçada e ‘ele’ passou mesmo”, diz.

E os registros?

Na época, Paulo Nonato era repórter do jornal Correio do Estado e estava atrás de uma das traves fazendo a cobertura do jogo. Assim como para André, as provas de que um OVNI realmente apareceu em Campo Grande são aquelas vistas por seus olhos.

Mesmo com profissionais da imprensa estando no local, nenhuma foto da aparição foi revelada até hoje. Na Internet até circulam algumas imagens supostamente sendo do Morenão, mas nenhuma corresponde ao cenário do estádio.

Registro do momento em que o Operário fez o segundo gol da partida. (Foto: Reprodução/Correio do Estado)
Registro do momento em que o Operário fez o segundo gol da partida. (Foto: Reprodução/Correio do Estado)

Paulo conta que na época os equipamentos fotográficos não eram os melhores e a iluminação durante a noite piorava as possibilidades de alguém ter feito o registro com sucesso. Outra justificativa apresentada por ele é de que as pessoas não tinham hábito de levar câmeras para o estádio, até pelo custo das máquinas.

“Também tem a questão da percepção mesmo, eu entendo hoje que pouca gente teve a curiosidade de falar ‘o que é isso?’. Ainda perguntei para uma colega que estava ao meu lado se aquilo eram paraquedistas, enquanto isso algumas pessoas olharam e continuaram conversando”, comenta.

Para o jornalista, se o fenômeno tivesse acontecido algumas décadas depois, as fotos estariam espalhadas por todos os cantos. Como ficou em 1982, apenas as memórias e depoimentos de quem esteve lá reforçam a comprovação.

OVNIs por todos os cantos

Na mesma noite, Rosemary Hishinuma brincava na Rua Sete de Setembro com seu irmão e outras crianças. Nada de outro mundo tinha acontecido até aquele momento, pelo menos não que ela se lembre.

Foi entre a Rua Treze de Maio e Rui Barbosa que o “susto” aconteceu, cheio de iluminação. Ela explica que começou a ver uma luz azulada de longe e rapidamente, em questão de segundos, algo silencioso se aproximou das crianças e adolescentes.

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Quando ela chegou em cima da gente, nós ficamos olhando aquilo vindo e como se estivesse se abrindo, ficou tudo colorido. Não tem nem como dizer se era redondo ou quadrado, foi muito rápido, explica.

Rosemary explica que quando o objeto se foi, todas as crianças voltaram correndo para casa sem coragem de contar aos adultos o que havia acontecido. Foi só quando viu no jornal que outras pessoas também tiveram contato com um OVNI que contou aos familiares sobre a cena.

Quarenta anos depois, ninguém tira da cabeça da hoje massoterapeuta que aquilo era uma nave ou, pelo menos, alguma coisa extraterrestre. Para ela, é impossível que algo de tal magnitude seja feito pela humanidade, principalmente na década de 1980.

Ponderando sobre como seria o fenômeno hoje, Rosemary diz que provavelmente as pessoas iriam imaginar ser um drone ou algum tipo de tecnologia. Como não foi, a ideia dos OVNIs continua sendo a certeza.

Campo Grande na história

Ufólogo (especialista em estudos de objetos voadores não identificados), Ademar José Gevaerd conta que Campo Grande entrou para a história com a noite de 1982. Considerando apenas os torcedores que assistiam ao jogo no Morenão, são mais de 22 mil pessoas presenciando o fenômeno.

Na época, Gevaerd morava no Paraná e veio para Campo Grande após um professor entrar em contato contando sobre as luzes que estavam sendo vistas no céu. “Eu falei que precisava ver o que estava acontecendo e uma semana depois cheguei em Campo Grande”, conta.

Ufólogo, Ademar José Gevaerd durante suas pesquisas. (Foto: Divulgação)
Ufólogo, Ademar José Gevaerd durante suas pesquisas. (Foto: Divulgação)

Unindo os depoimentos sobre o que aconteceu no estádio ao das outras pessoas que estavam pelas ruas, o ufólogo alega que não havia apenas uma nave extraterrestre em Campo Grande e em outras regiões do Brasil, mas diversas. “Foram várias, eu diria até que dezenas de naves que foram vistas desde o sul de Rondônia até o norte do estado de Rio Grande do Sul”.

Especificamente na Capital de Mato Grosso do Sul, uma “frota” dos objetos teria passado pelo espaço aéreo durante o dia 6 de março e essa seria a explicação para pessoas variadas terem visto sinais iluminados no céu.

Tanto tempo depois, a história segue sendo relembrada, seja nas notícias ou em redes sociais. Uma postagem no grupo Anos Dourados Campo Grande - MS, no Facebook, gerou 97 comentários em 2020 após um dos participantes perguntar sobre o “grande avistamento coletivo” no Morenão.

É assim que com gente acreditando ou deixando de acreditar, a história completa 40 anos e continua mantendo a imaginação com explicações instigantes.

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