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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

25/12/2019 07:12

No HU, Jesus vai para incubadora como sinal de paz e acolhimento às mães

Cena acolhe mães que não planejaram passar o Natal na UTI, mas que acreditam que em breve bebês vão deixar incubadora

Paula Maciulevicius Brasil
Presépio foi montado na porta da UTI neonatal. (Foto: Paula Maciulevicius Brasil)Presépio foi montado na porta da UTI neonatal. (Foto: Paula Maciulevicius Brasil)

Filho de Maria e de José, Jesus está em uma incubadora, na UTI neonatal do Hospital Universitário de Campo Grande. A plaquinha grudada na caixa traz a informação de que ele nasceu dia 25 de dezembro e aguarda para ter alta, como tantos outros bebês daquele setor. A ideia de trazer a referência cristã para dentro do hospital foi da enfermeira Flávia Nantes, que levou de casa o presépio que tinha, adaptando para uma incubadora.

"Fiz com ajuda da equipe de Enfermagem. Na verdade, eu recebi uma foto de um presépio feito de biscuit e o bebê estava num berço irradiante e tinha um monitor de UTI. Pensei: 'ah, a gente poderia fazer alguma coisa'", conta a enfermeira assistencial Flávia Nantes Fausto, de 45 anos.

O presépio é feito de garrafa PET e EVA e Jesus está numa caixa de hood, utilizada para suplementação de oxigênio, quando as crianças têm dificuldade para respirar. "Fizemos com as coisas do HU para lembrar as famílias daqui, cada um trouxe um pano, alguma coisa e semana passada ficou pronto", acrescenta Flávia.

Plaquinha diz quem são os pais e quando nasceu menino Jesus. (Foto: Paula Maciulevicius Brasil)Plaquinha diz quem são os pais e quando nasceu menino Jesus. (Foto: Paula Maciulevicius Brasil)
Flávia foi a enfermeira quem teve a ideia de montar presépio. (Foto: Paula Maciulevicius Brasil)Flávia foi a enfermeira quem teve a ideia de montar presépio. (Foto: Paula Maciulevicius Brasil)
Cena encanta e acolhe mães que estão com os bebês internados. (Foto: Paula Maciulevicius Brasil)Cena encanta e acolhe mães que estão com os bebês internados. (Foto: Paula Maciulevicius Brasil)

São 15 anos de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, e desde 2015, exercendo o papel de cuidar no HU. Tempo suficiente para se sensibilizar e aprender a acolher não só os bebês como também as mães que chegam. "Elas vêm bastante inseguras, chegam amedrontadas, se assustam com todo barulho e, nós, enquanto equipe de neonatologia, temos a missão não só de cuidar bem daquela vida que chega, mas de acolher a família que não esperava isso", descreve.

O presépio está na porta de entrada da unidade onde estão seis bebês, a maioria deles chegou bem antes do previsto. "Toda data especial a gente procura fazer alguma coisa, agora no Natal, no Dia das Mães, então a gente coloca uma coisinha para que elas saibam que mesmo estando aqui, tem o Natal", explica Flávia.

Mães que já passaram pela UTI e hoje estão na unidade intermediária, Janiele e Fernanda, se sentiram acolhidas ao encontrar o menino Jesus exatamente como Lavínia e Isabella ficaram.

Mãe Janiele, enfermeira Flávia e mãe Fernanda, à espera da alta dos bebês. (Foto: Paula Maciulevicius Brasil)Mãe Janiele, enfermeira Flávia e mãe Fernanda, à espera da alta dos bebês. (Foto: Paula Maciulevicius Brasil)

"Eu me comovi, senti como se estivesse vendo a minha filha. E é muito bonito isso, porque se não fosse aquela incubadora, a minha filha não ia sobreviver", conta Fernanda da Silva Santos, de 22 anos. Isabella nasceu de 24 semanas, no dia 12 de setembro, com pouco mais de 700g.

"Quando ela nasceu eu mal vi o rostinho dela. Pegaram ela e levaram para a UTI. Para mim Natal é o nascimento de Jesus é a família, é tudo e ver o presépio é sentir que de alguma forma Jesus estava agindo ali, está cuidando da minha filha ali dentro", completa. 

Lavínia, filha de Janiele Tavares Delgado, de 28 anos, também nasceu de seis meses. Entre lágrimas a mãe fala que ver a filha entubada é ruim, porque passam tantas coisas na cabeça. "Mas dá paz ver o presépio, mas se não fosse pela incubadora e não fosse o cuidado das meninas, ela não estava aqui", resume a mãe. 

Se a ideia era de acolher, Jesus na incubadora fez muito pelas mães da UTI. "É um momento da gente lembrar da sagrada família, lembrar de Maria, de José, de Jesus. As mães esperavam passar o Natal com o bebê no colo e não aqui, então o presépío vem no sentido de acolher e fazer elas sentirem que estão passando por um momento difícil, mas ainda é Natal", encerra a enfermeira.

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